Início Ensaios Porque a carrinha importa: Testei a SEAT Leon Sportstourer 1.5 eTSi de 150cv

Porque a carrinha importa: Testei a SEAT Leon Sportstourer 1.5 eTSi de 150cv

Porque a carrinha importa: Testei a SEAT Leon Sportstourer 1.5 eTSi de 150cv
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“Sportstourer: a preferida”

 

Nós, portugueses, adoramos carrinhas. Sim, somos quase incapazes de escolher um hatchback da mesma gama em detrimento de uma carrinha. Acho que é algo que está muito entranhado em nós, uma vontade de conseguir o melhor negócio e conseguir mais espaço por apenas um pequeno aumento no preço final. São manias que temos…

Pois bem, isso não foi diferente na SEAT Leon ST, que na anterior geração foi a que conseguiu a maior fatia das vendas, numa proporção mais ou menos 60/40 de percentagem. Agora foi a vez de testar a nova geração. Será que consegue aguentar a pressão desta importante sucessão?

Olhando para a nova SEAT Leon Sportstourer, que é como a marca chama à sua carrinha, podemos ver que o estilo foi o mesmo seguido pela berlina que testei há dois meses, numa filosofia de estilo evolutiva, mas onde são notórias as diferenças sem ser um avido conhecedor dos modelos da marca.

Para começar, o Leon está assente numa plataforma revista, a MQB Evo. Quanto a dimensões, a ST é mais comprida 93mm que a anterior geração (e mais 274mm que o cinco portas atual), e também mais baixa que a sua antecessora.

O design está agora mais vincado, com uma dianteira mais vertical (inspirada no Tarraco) e um pilar A mais recuado, assim como linhas que jogam mais com as “sombras e reflexos”, dando a imagem dinâmica que os modelos da marca espanhola tanto querem apresentar ao público, numa escolha mais emocional. Mas é na traseira onde as mudanças foram de maior dimensão, ainda que mude pouco, se compararmos com a versão de cinco portas.

Basicamente, a SEAT fez bem e “esticou” a traseira, mantendo uma porta da bagageira côncava e os grupos óticos de “ponta a ponta”, que à noite lhe conferem uma muito interessante assinatura luminosa, bem como um “espetáculo” de boas vindas quando chegamos até esta carrinha. É também aqui na traseira que acedemos a uma das maiores bagageiras do segmento…



Sim, começamos a ver o interior da SEAT Leon ST pela bagageira, pois claro.
Estavam à espera de quê?

São 617L de capacidade, num acesso baixo e amplo, que totalizam mais 30L que a geração que agora substitui. Após o rebatimento, o valor pode aumentar até aos 1600L, sendo possível através de dois manípulos colocados nas laterais da mala, que num movimento conseguem criar um piso praticamente liso. Fator de destaque para esta carrinha poder contar com uma ficha “como as de casa”, assim como um pneu de emergência em caso de furo, ainda que opcional, que dá a hipótese ao proprietário de ter essa escolha, em vez de ficar “agarrado” a um kit anti furo.

Passando para os bancos traseiros, é notório o aumento da distância entre eixos, com um bom espaço para as pernas (até mesmo maior do que algumas opções do segmento acima), assim como para a cabeça dos ocupantes, sendo mais desafogada que a sua antecessora em praticamente todas as quotas. Portanto, em outras palavras, segue-se confortável no banco traseiro desta nova Leon ST, mesmo em viagens mais longas. Como se quer num familiar deste género.

Finalmente na frente, e finalmente no lugar do condutor!

Aqui volto a constatar o incremento tecnológico desta nova geração Leon. O quarto modelo da saga é, segundo a SEAT (e eu confirmo), o modelo mais conectado que já criaram.

Minimalista, é com essa palavra que posso começar por caracterizar este novo interior do Leon, pelos botões que são bem menos que na geração anterior, graças a uma superfície touch abaixo do ecrã multimédia que controla o volume ou a temperatura, assim como as outras funções a estarem guardadas “dentro” do ecrã de 10’’. Quando o conheci não gostei muito da solução, mas desta vez já me comecei a habituar a esse ajuste, só devia era ser iluminado à noite.

A posição de condução é confortável, tanto pela boa posição como pelo bom apoio dado pelos bancos mais desportivos desta linha FR; o volante é também ele novo e com uma boa pega, a esconder o painel de instrumentos 100% digital e configurável, dando mais hipótese de escolha ao condutor no que toca às informações a apresentar.

Quanto à construção, mostra-se sólida e sem falhas, embora os materiais na parte inferior sejam um pouco mais rijos (algo normal neste segmento), estão em bom nível na parte superior, com acabamentos interessantes, como é o caso do friso decorativo em alumínio que percorre todo o tablier, em luz LED, que pode ser personalizada em 10 tons.

Essa luz também pode mudar de tom quando alteramos o estilo de condução. Existem vários modos: ECO, Normal, Comfort, Sport e Individual. Estes permitem a alteração da resposta do acelerador, assim como da direção, o amortecimento (se a unidade contar com suspensão DCC de amortecimento variável), ou mesmo a resposta da transmissão automática – que era a contávamos neste caso.



Esta conta agora com um comando mais… diminuto, graças ao sistema “shift-by-wire” que o grupo VW adotou nos seus novos modelos deste segmento. Para além de um peso inferior, o sistema permite ainda um aproveitamento melhor do espaço, assim como em unidades equipadas com sistema de estacionamento automático, uma comutação independente entre o D e o R, com o condutor a ter de gerir apenas os pedais.

Quanto à condução mais empenhada, não há problemas, já que existe um modo S e patilhas atrás do volante, que permitem ao condutor uma gestão das sete relações disponíveis.

A tal conetividade é conseguida pelo SEAT Full Link que permite ao condutor “espelhar” o seu smartphone Android ou iOS no ecrã. Para além disso, ainda é possível utilizar o CarPlay sem fios, assim como carregar os smartphone por indução num local dedicado. O modelo pode também contar com uma mutação ao longo do tempo, ou seja, o sistema permite o download de novas aplicações ou serviços digitais, o que ajudará a tornar este sistema de multimedia atual, durante mais tempo.

Se és daqueles que está sempre a pensar se trancaste o carro ou não, a SEAT Connect App informa-te disso, assim como o nível de combustível e outras informações relevantes.

Passando para a condução, esta Leon ST equipava com o motor 1.5 e-TSi, o único que testei até agora nesta nova geração. Este poderá não ser o preferido do público, mas seria certamente o que levaria para casa.

Isto porque conjuga a suavidade de um motor a gasolina, com a poupança equiparada à de um motor diesel. Isto é conseguido graças a uma “híbridização” suave, que permite auxiliar este motor em aceleração, assim como “desligar” o motor mais rápido quando estamos prestes a parar num sinal vermelho, por exemplo. Para além disso, a sua potência de 150cv permite que aproveitemos melhor a experiência de condução, graças a uma aceleração que demora 8,7s dos 0 aos 100km/h ou, se pudéssemos, alcançar os 221km/h de ponta.



A sua disponibilidade é outra das suas mais valias, graças ao seu binário máximo de 250Nm a estar disponível logo às 1500rpm, enquanto a transmissão DSG de sete velocidades ajuda a uma ainda maior suavidade. No modo ECO é possível rodar “à vela”, ou seja, em descidas ou longas retas “desengrena” e circulamos praticamente sem gastar. Este motor ainda é capaz de desativar dois cilindros a velocidade de cruzeiro, sem ser notório para o condutor e ocupantes. Os consumos são, como disse, quase de diesel, já que em mais de 650km feitos, o computador de bordo marcou 6,1L/100km.

A dinâmica de condução continua nesta Leon ST também em evidência, já que é ao gosto do condutor. Nas afinações Normal ou Sport (esta última a contar com um maior peso na direção) esta carrinha revela-se muito previsível e correta nas suas reações, com uma direção mais direta e comunicativa que anteriormente, e isso, em conjunto com um chassis equilibrado, torna possível adotar andamentos mais vivos sem qualquer problema.

Os pneus Bridgestone Turanza T005 225/40 montados nas jantes de 18 assumem a tarefa e garantem o “grip” necessário para isso. Apenas em piso mais maltratado é que se notam um pouco mais as irregularidades e o preço a pagar por essa dinâmica, não demasiado tendo em conta o que oferece.

No final, a SEAT Leon ST é uma das melhores propostas no que toca a carrinhas do segmento C. O seu exterior evoluiu, o interior foi revolucionado, e é lá que encontramos um dos habitáculos mais espaçosos da classe. A juntar a essa questão mais racional, a emoção continua bem patente com uma condução que entusiasma, este propulsor 1.5 e-TSi está a meio da gama, e é o que aconselho.


SEAT Leon Sportstourer 1.5 eTSi 150 FR

Especificações:
Potência – 150cv às 5000 ~6000rpm
Binário – 250Nm às 1500 ~3000 rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 8,7s
Velocidade Máxima (oficial): 221km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 5,6L/100km (6,1L/100km)

Preços:
SEAT Leon Sportstourer desde: 32.061€
Unidade ensaiada: 39.714€

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!