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Podem os Kei Car vir para a Europa?

Podem os Kei Car vir para a Europa?
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“Pequenos em tamanho (e na potência), mas poderosos nas vendas!”

Neste momento no Mercado europeu, paira no ar a sensação que o segmento A, para quem não sabe o que é, é o segmento dos automóveis citadinos, aqueles, os mais pequenos, pode vir a acabar. Ou seja, não quer dizer que acabe totalmente, mas muitas das marcas protagonistas já vieram a publico dizer que alguns os seus modelos podem agora “sair de cena”, de forma definitiva.

É um assunto, mas que ainda não vou falar hoje a fundo, teremos tempo. Mas é através disso que me lembrei de um país, que é dono de uma enorme cultura automobilística, mas que por outro lado tem também um grande gosto por automóveis pequenos, muito pequenos. Mas aqui, estes sugiram primeiro por razoes financeiras, e atualmente devido ao pouco espaço disponível nas suas cidades.

Falo claro dos Kei Car japoneses, um estilo automóvel criado há precisamente 70 anos, criado de forma a fomentar os japoneses a movimentarem-se novamente de forma mais económica depois da segunda grande guerra, ao mesmo tempo que ajudou a criar novos postos de trabalho na indústria.

Então, mas o que caracteriza um “Kei Car”?

Basicamente, ao inicio, eram automóveis que não podiam passar dos 2,8m de comprimento, e não ter um motor com uma cilindrada superior a 150cc, caso fosse a quatro tempos, ou 100cc caso fosse um mais “explosivo” dois tempos. Claro que isso foi mudando ao longos dos tempos, e hoje os Kei Car ainda que tenham limitações, já podem chegar aos 3,4m de comprimento, mas ter uma largura máxima abaixo dos 1,50m (1,48m para ser mais preciso). Os motores, agora podem debitar até 660cc, e uma potencia maxima muito rígida: apenas 63cv. Estão a ver o português nisto, não estão?

Também são facilmente distinguidos do resto, graças as suas matriculas amarelas, ao contrario dos automóveis convencionais no Japão, que usam matriculas brancas.

E agora pensam, mas quem é que compra um carro tão pequeno, sem potencia nenhuma?

Pois bem, muitos japoneses. Neste momento, os Kei Car representam quase 36% de todos os automóveis circulantes no Japão, e são muitos, 62 milhões de carros para ser mais exato. Só em 2017, os Kei Car representaram 33% dos 4,4 milhões de automóveis novos vendidos nas ilhas japonesas. Impressionante, não?

Sendo assim, em vez de vos “massacrar” com números e especulações sobre qual modelo de segmento A não terá sucessor, acabei por pesquisar se os Kei Car seriam uma alternativa viável ao nosso mais pequeno segmento, que sofre do problema de uma aproximação de preço ao segmento B, que por sua vez cada vez tem mais qualidade, e estão também cada vez mais perto de um pequeno familiar do segmento C.

Pois bem, os custos de desenvolvimento seriam mais baixos, já que os modelos estariam desenvolvidos. Mas aqui, encontramos o maior problema de todos e que nem me deixou avançar mais na pesquisa. A segurança. Basicamente os Kei Car só saem para um outro pais, a India. E como todos sabemos, o capitulo da segurança lá, ainda é algo muito estranho e que está por ser escrito no dicionário automóvel. Airbags? Luxo.

Estão a ver a EuroNcap a testar um Kei Car, não estão?
Bem, o IIHS, já fez algo do género que podem ver aqui em baixo:

Pois bem, no salão de Tokyo isso foi falado com responsáveis de marca. Hiroshi Nagaoka, o responsável de R&D da Mitsubishi respondeu à Autocar com um muito positivo: “Os Kei Car seriam ideais!”. Porquê?

Graças à parceria com a Suzuki, uma das grandes neste assunto dos pequenos automóveis, mas logo de seguida o discurso mudou: “A Suzuki domina o negocio dos Kei Car na India, e conseguiu lá uma grande fatia de mercado. Mas comparado com o Japão, os Indianos são mais relaxados em relação à segurança. Por outro lado, a Europa é o “pior”. Para conseguirmos chegar ao nível de standard europeu na segurança (e nas emissões) seria muito complicado…”

Esta ideia foi partilhada pelo Guillaume Cartier, o responsável de marketing e vendas da Mitsubishi, que ainda adicionou o seguinte comentário: “os Kei Car não são automóveis que nos deem muito lucro… (…) e os problemas da segurança, principalmente nos embates laterais seria muito dispendioso de desenvolver.”

Sendo assim, podemos estar a ver mesmo o final dos carros pequenos nas nossas estradas? Não sabemos, o mais certo é que também não deveremos vir a ter os pequenos automóveis japoneses por cá.

Na minha opinião pessoal, acho que não vão acabar. A escolha vai diminuir, é certo, mas julgo que quem mora nas grandes e populosas cidades europeias, não irá dispensar o pequeno citadino, e haverá sempre mercado. Para além disso, acredito também que deverá ser o tipo de automóvel escolhido para os cada vez mais próximos serviços de car-sharing.

Sim, eles existem, mas quando se tornar mesmo uma alternativa real, viável e que todos (ou a maioria) aceitem, o citadino, será o escolhido…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!