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Nissan Leaf 62kWh e+Tekna

Nissan Leaf 62kWh e+Tekna
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“Liberdade extra”

Este é o Nissan Leaf e+, a versão “topo de gama” do elétrico mais vendido do mundo, onde o “e+” significa uma autonomia (e potência) superiores. Mas será que vale a pena o valor extra a pagar por essa sigla?

Para começar, vamos ter de recuar quase 10 anos na história, e relembrar que o Nissan Leaf chegou até nós com uma autonomia de apenas 160km, e uma potência de 109cv, algo que este Leaf e+ já “esmagou”, apresentando uma autonomia de 385km (em ciclo WLTP) e uma potência de 217cv, valores mais interessantes que demonstram a evolução num curto espaço de tempo.

Nesta nova geração, o seu estilo exterior também progrediu, tendo agora uma imagem mais sofisticada, ainda que distinta, como assim deveria continuar a ser, e que tem conquistado bastantes adeptos, mesmo numa altura em que a concorrência começa a ser cada vez mais feroz.

Nesse capítulo estético, os pontos de destaque passam pela pintura “two tone” que dá uma maior personalidade ao modelo, assim como os grupos óticos traseiros verticais, e uma “grelha dianteira da família” fechada, com tons azulados que não nos deixa esquecer que estamos perante um automóvel 100% elétrico.

Passando para o interior, esse permanece inalterado face ao Leaf “normal”, ou seja, uma melhoria face à anterior geração. Ainda que não seja um interior futurista, apresenta elementos diferenciadores, como é o caso do comando da “caixa”. Para além disso, o painel de instrumentos mescla o elemento analógico do velocímetro com um muito completo computador de bordo que monitoriza tudo, desde os consumos, até aos tempos de carga das diversas fichas, sempre atualizado on time.



Já ao centro, o sistema multimédia é completo, mas ultrapassado em termos gráficos, não sendo dos mais agradáveis (e fáceis) de utilizar em andamento. Também o que não agrada a bordo do Nissan Leaf é a posição de condução que é muito elevada, e que não consegue ser correta devido ao volante não ser regulável em alcance, apenas em altura. Algo que ainda terá de ser melhorado…

Quanto ao espaço, o Nissan Leaf pode levar 5 passageiros, contudo o túnel central é elevado, o que retira um pouco de espaço para as pernas do passageiro central. A bagageira deste Leaf e+ é inferior à do Leaf 40 kWh, passando dos 420 para os 385L de capacidade.

Passando para o volante, começamos a ver onde o Leaf “vence”, ou seja, no conforto de utilização.

Primeiro, graças ao inovador “e-pedal” que nos permite conduzir apenas utilizando o acelerador (a força de regeneração é tão elevada que trava e chega mesmo a imobilizar o Leaf), o que ajuda muito em condução citadina, poupando também o máximo de energia, sem desperdícios, o que em conjunto com o modo ECO, permite fazer mais de 528km em ciclo urbano, segundo a Nissan.

Depois disso, o ProPilot, que com apenas um toque no botão colocado no volante, torna este Nissan Leaf num automóvel (quase) autónomo, seguindo o automóvel da frente a uma distância predefinida, e fazendo mesmo algumas curvas (obrigando sempre a ter as mãos no volante), para além de manter o automóvel sempre centrado na via. O sistema pode mesmo parar e avançar automaticamente nas filas de trânsito.

Mas o ProPilot não se fica por aqui, tem também “mão” nas luzes automáticas de máximos, na ajuda ao parqueamento graças à câmara 360º, e mesmo num auxílio maior, permitindo que estacione sozinho. Sem mãos e sem pés… estás a ver mãe?



Mas como estou aqui para conduzir, vou desligar (ou apenas adormecer) tudo isto, e testar efetivamente o Nissan Leaf e+, e responder à questão que fiz acima: “vale a pena o valor extra a pagar por essa sigla?”

Na prática, o aumento de potência de 62cv e de binário não é tão expectável como calculava inicialmente, mas as diferenças estão lá, apenas mais ténues. E mesmo ao cronómetro não são muitas, já que este Leaf e+ apenas demora menos 0,6s a cumprir os 0 aos 100km/h face ao “convencional”, e uma velocidade de ponta ligeiramente superior, 157km/h em vez dos 144km/h.

Tudo num conjunto que neste Leaf e+ que está longe de ser leve com 1760kg (+180kg que o Leaf 40kWh) e que também não convida a grandes correrias, com uma suspensão mais branda e que tenta continuar com a tal filosofia de conforto.

Mas optar por um Nissan Leaf a pensar em prestações, é o mesmo que comprar um Nissan GT-R e pensar em quanto ele consome. Portanto, vamos ao que interessa.

O Nissan Leaf e+ não deve ser escolhido por esse aumento de potência, mas sim pelo aumento de autonomia, que é de mais 40% face ao Leaf 40kWh, o que foi conseguido graças a uma densidade de bateria superior em 25% e um aumento de 55% na capacidade de armazenamento. Assim, esta nova bateria conta com uma capacidade de 62kWh nas suas 288 células (bem mais que as 192 células da versão de 40kWh).

Para além disso, o carregamento rápido a 50kW demora dos 20% aos 80% de bateria apenas 90min, e será ainda mais rápido de futuro, já que o Leaf e+ tem a capacidade de ser carregado com ficha CHAdeMO a 100kW, em vez dos 50kW até agora conseguidos pelo Leaf “convencional”.

Agora, o ponto mais importante: a diferença de preço.

São 6500€ a mais, o que a Nissan pede por esta versão com mais autonomia do Leaf. Como disse acima, não é pela potência que deve ser escolhido. Mas é também aí que muita da sua vantagem vai embora, porque se fosse mais notório o aumento de performance, esta diferença podia ter também a sua quota emocional na escolha, e tendo em conta que o cliente de VE circula em média 50 a 60km por dia. A versão “convencional” parece ser suficiente para o gasto. Contudo, se a sua carteira permite, esta versão é obviamente mais despreocupada e preparada para o futuro dos carregamentos rápidos.

No final, este Leaf e+ tem números superiores em tudo, menos na capacidade da mala. E isso, quer dizer alguma coisa…


Nissan LEAF e+ 62kWh Tekna

Especificações:

Potência – 218cv
Binário – 340Nm
Consumo Combinado Anunciado – 18kWh/100
Autonomia anunciada – 385km
Aceleração 0-100km/h (oficial): 7,3s
Velocidade máxima (oficial): 157km/h

Preços:
Nissan LEAF desde: 26.880€
Preço da unidade ensaiada: 42.500€


Preferes antes fazer algumas curvas mais “de lado” e a questão ambiental ainda não te atinge? 
Ok, deixamos-te este Nissan 370Z Nismo:

Nissan 370Z Nismo

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!