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É um “Monster”? Não, é um Abarth!

É um “Monster”? Não, é um Abarth!
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“Energia contagiante”

 

Um Abarth é algo diferente, um automóvel difícil de explicar. É uma daquelas situações da nossa vida que não conseguimos explicar, é uma soma de vários fatores que dão um resultado maior do que poderíamos esperar. O pequeno 595 regressa porque tem uma edição especial, ou melhor, duas: esta que celebra a união entre a marca Austro-Italiana e a equipa de MotoGP da Yamaha, e uma mais elegante, designada de ScorpioneOro que tentarei trazer em breve…

Então mas o que é que esta edição Monster Energy Yamaha tem de especial?

Primeiro, as suas cores, as mesmas que revestem a carenagem da Yamaha MT-Z1R, que Maverick Viñales e Valentino Rossi tripularam na época de 2020 de MotoGP em redor do mundo. Depois, contamos com autocolantes específicos, como o logo da Yamaha Racing nas portas, assim como o “M” de Monster, bebida energética e principal patrocinadora da equipa, que marca aqui o seu espaço no capot, assim como nos encostos de cabeça das bacquets. Sim, este é um Abarth apenas para colecionadores ou apreciadores das duas rodas, e por isso limitado a 2000 unidades a nível global.

No seu exterior ainda podemos encontrar as jantes negras de 18 polegadas, assim como as quatro ponteiras de escape cromadas do sistema Record Monza Dual Mode.



Passando para o interior, nos mesmos tons do exterior, as bacquets a contarem com o azul que reveste a maioria do exterior, uma linha do mesmo tom percorre o friso decorativo do tablier. Ao centro, na consola central, está o pedaço de metal que nos certifica que estamos ao volante de uma versão limitada a 2000 unidades. Cá dentro, contamos ainda com dois lugares traseiros, e por ser a versão C, a hipótese de circular a céu aberto. A versão fechada custa menos 2454€.

Ligando-o, sentimo-nos mais jovens, quase de regresso a uma altura onde o CO2, WLTP e as velocidades de carregamento não estavam na ordem do dia. O som forte e grave ressalva do sistema de escape, e aqui está um dos primeiros momentos especiais Abarth, todo um teatro que nos faz sentir sempre algum carinho por estes pequenos “pocket-rockets”. A posição de condução é perfeita? Não! Está longe de ser ideal, mas o que é que isso interessa quando temos 165cv numa embalagem deste tamanho? Até lhe dá a sua piada…

É isto que também é difícil de explicar. Por vezes há carros que por pequenos erros são manchados, mas o Abarth é um daqueles exemplos que parece passar pelos “pingos da chuva”, uma espécie de “guarda-chuva Motorsport” que lhe permite certos erros…



O motor 1.4 T-JET é, e sempre foi, o que está debaixo do capot, aqui numa versão intermédia da sua potência, com 165cv (a gama começa nos 145cv do 595 até aos 180cv do Essesse/Competizione). Essa potência aliada aos 230Nm garantem uma aceleração dos 0 aos 100km/h em 7,3s, e uma velocidade máxima de 218km/h. O que colocando num patamar de segmento A, são valores bastante aceitáveis.

A condução continua a ser pautada pela elevada diversão. Este não é o mais “focado”, isso fica para as versões mais extremas, mas este Monster Energy Yamaha já consegue fazer-nos esboçar sorrisos, seja pelo som, pela sua sensação de estabilidade graças à suspensão Koni FSD, ou pela “explosão” de motor a meio regime, acima das 3000rpm até cerca das 5500rpm, onde o escape em modo Sport exibe um ruído que ecoa nas paredes mais perto de nós. A transmissão de cinco velocidades tem um escalonamento mais curto para aproveitar ao máximo o T-JET, enquanto o seu tato não é o mais “mecânico”, mas o seu funcionamento permite trocas rápidas, e é a ideal face à “outra opção” robotizada, com o mesmo número de relações.

A travagem é suficiente para suster os 1150kg deste Abarth, embora a sua “característica” de acender os quatro piscas quando travamos mais forte se mantenha.

Circular calmamente é possível, mas o vício de “puxar” uma e outra vez, torna-se difícil para aferir consumos. É contar com 7L a cada cem sorrisos. Perdão, quilómetros.

O Abarth continua a ser igual a si mesmo, e é compreensível que continue a ter sucesso e a bater recorde de vendas, mesmo com um produto que já está há vários anos no mercado. A ausência de concorrência é uma das respostas, a outra é a loucura típica da marca. Mas sobre isso falo-vos da próxima vez, quando outro Abarth voltar até aqui. E já estou ansioso por isso…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!