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Alfa Romeo Giulietta 1.6 JTDM-2 TCT Sport

Alfa Romeo Giulietta 1.6 JTDM-2 TCT Sport
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“Beleza persistente”

 

Já por aqui falámos na “renovação” da Alfa Romeo, que muito foi possível graças à inclusão dos novos modelos (Giulia e Stelvio), recorrendo a plataformas completamente novas e a uma filosofia distinta, que até viu a tração passar da dianteira, novamente para a traseira. Tudo isso deu um “novo alento” à marca dos Biscione. Mas antes disso, havia uma outra realidade…

Em 2010, a Alfa Romeo apresentava o Giulietta, o modelo de segmento C que iria (finalmente) suceder ao muito bem conseguido 147, lançado em 1999, juntando-se assim a uma gama muito diferente do que a apresentada atualmente. O MiTo era o “cavalo de batalha” para o segmento B, “piscando o olho aos mais jovens”, acima estavam colocados os mais “adultos” 159 e 159SW. Para uma opção mais emocional (embora a marca já o seja) estavam os “objetos de desejo”, como o Spider ou o elegante coupé 2+2 Brera.

Pois bem, este modelo revelou ser um sucesso, mas estamos em 2020, quase dez anos depois do Giulietta se mostrar ao mundo. Será que ainda é uma aposta válida? Ou apenas uma questão de tempo?

Mas vamos por partes, e começamos por aquela que mais agrada a um apaixonado por Alfa Romeo, a estética exterior.



Aqui, o Alfa Romeo Giulietta consegue dar uma lição a modelos que chegaram (bem) depois de si ao mercado, com uma elegância intemporal, graças a uma inspiração mais vintage inspirada em outros modelos da marca. A dianteira foi revista em 2016, contando com uma grelha mais “aberta” de diferente padrão, sem nunca perder o scudetto como protagonista. Um aspeto simples, mas elegante, que passa por uma lateral que durante algum tempo “enganou” muitos, graças às portas traseiras dissimuladas.

A secção traseira também é fácil de gostar, sendo também aqui possível ver (tal como na dianteira) os apontamentos em amarelo, que fazem parte do Pack Racing Yellow, que também lhe confere umas mais generosas maxilas de travão da italiana Brembo.

Esse Pack passa também para o interior, com os pespontos a assumirem essa cor mais garrida. Mas é também aqui, no interior, onde se nota que o tempo passa (e não perdoa). A posição de condução é o primeiro reparo. Ou seja, o assento e os pedais estão ok, mas o volante revela-se muito elevado, e inclinado. Não é péssimo, mas os Giulia e Stelvio fazem isso tão bem, que aqui revela-se um pecado bem notório.

Depois disso, os sistemas multimédia. Nesta unidade temos o de série com 6,5 polegadas, que já conta com sistema de navegação, mas nada de Apple CarPlay ou Android Auto. Painel de instrumentos digital? Não. Apenas um computador de bordo a “preto e branco”, que nos informa dos consumos, velocidades médias e tempo ao volante.

Para rematar, os sistemas de segurança ativa não contam com os já “normais” sistemas de alerta à saída de via, máximos automáticos ou leitura de sinais de trânsito ou travagem automática. Aqui, é talvez onde mais se reconhece que a segurança preventiva tem vindo a evoluir. Contudo, na segurança passiva, o Giulietta conta com 8 airbags e revela-se bastante seguro nas suas reações. Ou seja, no caso de algo estar prestes a correr mal, podemos contar com ele.



Ainda no interior, o espaço é mediano, confortável para quatro passageiros, com os de trás a contar com apoio de braço e saída de ventilação dedicada. Contudo, nota-se, tal como na frente, que os espaços de arrumação também não são muitos. A bagageira de 350L está na média do segmento.

Mas um Alfa Romeo não se faz só de detalhes, mas sim da sua condução e dinamismo, e nisso o Alfa Romeo Giulietta ainda tem “una parola” a dizer.

Debaixo do seu capot está aquele que foi o motor mais vendido na vida deste modelo, o 1.6 JTDM-2 com 120cv, aqui, acoplado com uma transmissão TCT de dupla-embraiagem com 6 relações. Este é o motor mais lógico, para quem pretende poupança, mas também alguma performance, isto porque este diesel consegue, por vezes, enganar.

Digo isto porque o Giulietta conta com o modo DNA, com três modos de condução, e que no mais Dynamic, o Giulietta parece ter mais dos que os 120cv anunciados, contando também com uma direção mais direta, e um sistema de travagem mais alerta, assim como sistema Q2 (diferencial eletrónico) ligado e pronto para a “brincadeira”.

O seu comportamento é agradável, demonstrando um dinamismo que tanto se pede a um Alfa; a suspensão pende mais para o lado da firmeza, mas nunca chega a massacrar os ocupantes (longe disso), dando assim dando um feedback muito positivo a quem vai ao volante. A transmissão TCT podia ser mais decidida, assim como mais rápida quando se pede que “acorde” depois do Start/Stop ser ativado num sinal vermelho.

Fica mais bem servido com a manual de 6 velocidades, a não ser que precise mesmo desta…

Isto porque também prejudica um pouco o consumo. Não tendo tido a oportunidade de testar o Giulietta equipado com transmissão manual (mas comparando com os seus “primos” da FIAT), este Giulietta ficou com um consumo que, com a transmissão manual, deveria ficar entre 0,5 a 1L/100km mais reduzido.

Por fim, o preço. A Alfa Romeo tem uma forte campanha em vigor para este modelo, que na verdade não lhe falta nada em termos de equipamento, mas que não é a “aposta” para quem quer sempre a “última onda” no que toca à tecnologia.

Uma unidade igual a esta, com transmissão TCT, um competente motor diesel de 120cv e uma boa dinâmica de condução, num “embrulho bonito”, fica por pouco mais de 30 mil euros. Fica do vosso lado achar se é exagerado ou não.


 

Alfa Romeo Giulietta 1.6 JTDM-2 120 TCT Sport

Especificações:
Potência– 120cv às 3750rpm
Binário combinado – 320Nm às 1750rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 10,2s
Velocidade Máxima (oficial): 195km/h
Consumo Combinado Anunciado – 5,3L/100km
Consumo Combinado Medido – 6,6L/100km

Preços:
Alfa Romeo Giulietta desde: 25.250€
Preço da viatura ensaiada (c/campanha): 30.622€

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!