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Teste Completo – Aiways U5 Prime

Teste Completo – Aiways U5 Prime
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“Tiro de partida”

 

Confesso-vos uma coisa, que provavelmente podem imaginar. Testar um novo modelo é sempre algo especial, nem precisa de ter uma elevada potência, um estilo exuberante ou um preço ao alcance de poucos. É o fator novidade que motiva a quem, como eu, testa automóveis. No caso deste ensaio esse fator é ainda mais especial, já que não é apenas o modelo que é novo, mas também a marca. Apresento-vos o novo Aiways U5.

Perguntas, há sempre muitas. Compreendo, eu também as tinha comigo na altura de recolher a chave deste primeiro modelo da marca chinesa, e vou tentar responder a todas as que creio que passam pelas vossas cabeças. Aos que estão a pensar ir embora, aconselho-vos a ficar por aqui…

 

Exterior

O exterior é o que nos cativa num automóvel ou que nos faz afastar dele. No caso do Aiways há aqui uma dupla “surpresa”. A primeira deve-se ao facto de ser um automóvel que não nos vai fazer apaixonar pelas suas linhas, mas que graças a elementos bem conseguidos também não nos faz afastar dele. A dianteira é tipicamente de automóvel elétrico, com uma ausência de grelha central, com os grupos óticos a formarem uma grelha (falsa) que esconde, no seu lado esquerdo, a entrada para tomada de carga, o que facilita os carregamentos. Na lateral, o destaque vai para a bi-tonalidade do modelo, dando a sensação de tejadilho flutuante, para as jantes de 19’’ polegadas, mas também para os puxadores desenvolvidos com a aerodinâmica em mente. A traseira é a secção mais elegante, graças aos grupos óticos interligados por uma faixa, também ela luminosa, assim como uma simplicidade das linhas que lhe fica muito bem.

A segunda surpresa é precisamente isso, a simplicidade das linhas, não tentando chamar a atenção com uma imagem demasiado oriental, nem cometendo o erro de imitar outras propostas. Como dito acima, o Aiways U5 é uma proposta sóbria, como aquele vosso colega de turma que não era o último a ser escolhido nas aulas de educação física, mas que também não davam muito por ele.



Interior

Esteticamente, o interior do Aiways U5 está muito bem conseguido, uma vez mais optando pela simplicidade ao invés da excentricidade, seja pelo seu desenho, seja pela escolha de tons e até de soluções empregues no seu interior. Mas vamos dividir este interior em duas partes. O que correu bem e o que precisa de ser melhorado.

Comecemos pelo bom.

A apresentação está acima do que se poderia esperar, com soluções interessantes como os comandos da climatização separados do sistema multimedia, integrados numa das arrumações abaixo. O sistema multimedia é touch mas com feeling háptico, o que ajuda a entender o que estamos a fazer, muito inteligente. Os bancos bem desenhados contribuem em muito para esse bom aspeto interior, mas em primeiro lugar está decididamente o espaço, que acomoda sem problema cinco passageiros (que até podem ser jogadores de basquetebol) e respetivas bagagens. Para isso contamos com duas bagageiras, a principal com 432l de capacidade e o “frunk” (debaixo do capot) com mais 45l possíveis de serem utilizados.

No lado menos bem conseguido estão alguns pormenores. O primeiro de todos pode ser o sistema multimedia, que não é fluido e conta com uma imagem algo datada (ou oriental), onde é possível utilizar o sistema CarPlay, mas mesmo aí se revela algo lento. Esta situação poderá ser resolvida com um update de software, já que o ecrã está bem posicionado e apresenta uma boa dimensão.

O painel de instrumentos está arranjado de forma curiosa, com três diferentes ecrãs, mas uma vez mais os grafismos e a facilidade de utilização não ajudam. É completo, mas faltaria ser mais “user friendly” e ter números mais fáceis de serem lidos em andamento. Por último, as soluções de arrumação poderiam ter sido mais bem aproveitadas, falo por exemplo do apoio de braço central ou da ausência de porta-luvas, algo não compreendido numa proposta familiar, ainda para mais quando o passageiro tem um enorme espaço disponível à sua frente.

Em termos de materiais, acabam por estar num nível aceitável, com muitos a terem um bom toque (topo do tablier e portas), assim como uma montagem que, para um primeiro modelo, não está nada mal. No entanto ainda existem pontos a melhorar, nos detalhes, uma vez mais, nomeadamente nos encostos de cabeça.



Condução

O Aiways U5 conta com um motor elétrico de 150kW que oferece ao modelo o equivalente a 204cv, mais do que suficiente para uma proposta deste tipo, ainda para mais graças à sua “leveza”, que com os seus 1770kg torna-se bastante menos pesado que os seus concorrentes.

Começando em cidade, o Aiways U5 é fácil de conduzir, com uma direção que pode assumir três diferentes pesos e que lhe garante uma boa agilidade. A visibilidade também está num bom nível, sendo ainda ajudada por uma câmara panorâmica se necessário. Não é possível controlar a regeneração, o que pode influenciar um pouco o consumo, que na “urbe” fica em torno dos 15 kWh/100km.

Saindo da cidade e entrando na autoestrada, o Aiways U5 circula bem, sem ruídos aerodinâmicos e com uma suspensão que está mais pensada para o conforto, e tal como na cidade, não apresenta defeitos. Os seus “pouco explosivos” 204cv não se acanham na hora de fazer ultrapassagens, podendo mesmo selecionar um dos três diferentes modos no botão colocado no volante. Aqui, o consumo varia entre os 18 e os 21kWh.

Com a chegada das curvas, nota-se um pouco a incapacidade da suspensão em tolerar as mudanças de direção mais rápidas, assim como os pneus Cooper Discoverer HTT que também não ajudam muito a isso, exibindo por vezes algumas perdas de tração. Mas, lá está, é preciso uma condução mais dinâmica para sentir isso, algo que a maioria dos clientes desta proposta não irá, certamente, fazer.

Um factor que a Aiways apresenta neste U5 e que também não é o mais agradável, mas que felizmente é possível desligar completamente, é a câmara biométrica (existe outra junto ao espelho interior), que deteta a nossa sonolência, se estamos a olhar para a estrada, a fumar ou ao telemóvel e alerta-nos com uma voz, em inglês (podem escolher alemão, fica mais autoritário). A ideia é a de ajudar a diminuir a sinistralidade, mas às vezes basta um bocejar ou um olhar mais do que três segundos para o ecrã para levarmos com uma reprimenda…

Quanto aos consumos, no ciclo misto o Aiways U5 apresentou 17,9kWh/100km, o que permite fazer em torno de 350km (prometia 400km) graças à sua bateria de 63kW. Este modelo permite carregar dos 0 aos 80% de carga em 30 minutos, se usarmos a potência máxima de carregamento admitida pelo modelo (90kW). Um carregamento total em tomada com potência de 7,4kW demora 10h.



Conclusão

O Aiways U5 não é obviamente uma referência no seu segmento, mas sim uma alternativa. No entanto, deve ser visto com uma (muito) boa primeira tentativa por parte de uma marca que foi fundada apenas em 2017. O modelo apresenta uma imagem sóbria, mas própria, e um interior bem desenhado, embora ainda conte com algumas “arestas a polir”. Se a curva de evolução continuar assim, os próximos modelos poderão vir a ser cada vez mais uma aposta para o consumidor europeu (e nacional).

O seu preço é mais simpático que o da concorrência, que por 46.728€ já dá a possibilidade de levar para casa um SUV com muito espaço e bem equipado. No caso das empresas, o valor fica ainda mais apetecível: 33.990€.

O Aiways pode ser aquele tal vosso colega que vos falei acima e que hoje o encontram, anos depois da escola, e que tem um enorme sucesso. Tal como esse vosso colega, só o tempo o dirá.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!