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Teste Completo – Volvo XC40 Recharge P8 AWD

Teste Completo – Volvo XC40 Recharge P8 AWD
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“A nova realidade”

 

O nome Recharge no Volvo XC40 não é novidade, nem na gama, já que classifica os modelos eletrificados. Este nome até já está presente na gama XC40 desde o passado ano de 2020, na versão T5 Recharge que resulta num híbrido Plug-in, que muito tem ajudado a impulsionar as vendas da marca. Agora, um ano depois, é altura de testar o novo Volvo XC40 Recharge, o primeiro Volvo 100% elétrico, que marca o “pontapé de saída” para uma forte ofensiva de modelos deste género, com um carro por ano até 2025, até “banir” os combustíveis fosseis da sua oferta em 2030.

 

 

Exterior

No exterior, o Volvo XC40 Recharge não se demarca muito do modelo lançado em 2017, apenas apresentando diferenças de maior na dianteira, com esta versão elétrica a contar com a grelha dianteira “fechada”, ao contrário das outras versões, por não necessitar de arrefecimento. O resto são pormenores, como o nome da versão no pilar C, assim como no portão da bagageira “Recharge Twin”, por esta ser a versão mais potente (e ainda a única disponível) do SUV 100% elétrico da Volvo.

Ainda cá fora importa falar que existe uma cor exclusiva (Sage Green Metallic) – que não é o caso deste Azul Denim – assim como as jantes que em alguns casos também podem ter um desenho próprio para esta versão mais consciencializada com o ambiente…

Portanto, tudo para correr bem no campo da estética, num modelo que lidera a procura dos clientes Volvo em Portugal.



Interior

No interior existiu uma “revolução silenciosa”. Ou seja, parece que pouco mudou face ao Volvo XC40 que já conhecemos, mas na verdade foram muitas as mudanças aqui efetuadas.

Foi feito um trabalho em tornar tudo “extra simples”, ao ponto de nem existir um botão de Start/Stop. Aqui, tal como em outra conhecida marca que fabrica automóveis elétricos, basta entrar com a chave no bolso (ou na mala), carregar com o pé no travão, selecionar D (ou R) e arrancar. Simples.

Mas existem mais diferenças, o painel de instrumentos de 12,3’’ polegadas tem agora um arranjo bem mais simplista, de leitura fácil, apresentando apenas o mais essencial. A Volvo quis tornar este XC40 Recharge numa experiência o mais descomplicada possível.

E isso é comprovado uma vez mais no sistema multimedia, que mostra também o que iremos encontrar nos próximos modelos da Volvo. Para isso, a marca sueca uniu-se com o gigante Google para criar uma solução que, quando usado na sua potencialidade máxima, é o inicio de uma nova geração para o infotenimento a bordo. Isso é possível graças a atualizações “Over-the-air”, assistente de voz melhorado, assim como aplicações que podem ser descarregadas e usadas de forma mais intuitiva.

Isso foi testado na apresentação do modelo e deixou boas impressões, contudo a unidade em teste (já com matrícula portuguesa) ainda não tinha todo o sistema configurado (nem ligação à rede), portanto deixa apenas a promessa disso. Para prejudicar um pouco mais, o sistema não aceita Apple CarPlay, com a justificação de que as aplicações (como é exemplo o Spotify) podem ser descarregadas. O que, quando está a funcionar em pleno, permite ao condutor largar completamente o seu smartphone.

De qualquer forma, o sistema Harman Kardon assegurou o melhor som mesmo quando o telefone estava apenas a ser usado como reprodutor de música, via Bluetooth. Mais informações sobre este novo sistema, podem ser vistas aqui, no site da marca.

Tirando este pequeno sobressalto, o restante habitáculo do XC40 Recharge é muito confortável e onde se podem passar largos quilómetros, como já sabíamos das versões térmicas. A bagageira é de 414L, mas existe uma surpresa, já que debaixo do capot existe uma outra bagageira, ou “frunk”, com 31L de capacidade, ótima para guardar por exemplo os cabos de carregamento ou algo a que necessitemos de ter acesso menos vezes.



Ao volante

A ficha técnica promete, com uns expressivos 408cv a destacarem-se numa tabela que apresenta também os 660Nm de binário, ainda que pese 2188kg, este modelo consegue ter uma aceleração explosiva típica de um modelo elétrico com estes níveis de potência (4,9s dos 0-100km/h).

Mas não é (só) para isso que serve um elétrico, não é verdade?

Depois dessa passagem de entusiasmo com a brutal entrega de binário, é saber como se comporta numa utilização normal, e aí este Volvo XC40 Recharge dá-nos uma lição.

Para começar tem algo que continua na “onda da descomplicação”, com a ausência de modos de condução, e isso só pode ser bom. Aqui há apenas a preocupação de conduzir, algo que por sinal se faz muito bem, com os técnicos da marca a conseguirem um grande ajuste dos movimentos da carroçaria mesmo com um peso elevado, algo em que o baixo centro de gravidade (colocação das baterias no solo) ajuda. Por este ser o “Twin Recharge”, conta com um motor de 150kW em cada eixo, o que também lhe confere tração integral. Curvas? Não é problema para ele!

Este Volvo XC40 Recharge consegue rolar bem pelo asfalto, não tendo um efeito exagerado de “travão-motor”; quem quiser isso pode ativar o “One pedal drive”, sistema que permite usar apenas o pedal do acelerador “para tudo”, sendo apenas aconselhável no trânsito, melhorando a experiência de um pára-arranca.

Se em cidade o XC40 Recharge se comporta bem, sendo ágil, já em autoestrada mostra ser um “elétrico dos crescidos”, conseguindo um bom andamento sem problemas, como já era de esperar. A bateria, de 78kWh de capacidade nominal (75kWh utilizável), promete 418km de autonomia (em ciclo WLTP). Neste ensaio foi conseguido um consumo de 20,7kWh/100km, em ciclo misto. No primeiro percurso em cidade, com algum cuidado, foi possível atingir 17,4kWh/100km.

Aqui importa referir um ponto interessante: o Volvo XC40 Recharge não refere a autonomia restante, apenas a percentagem de bateria. Segundo os responsáveis da marca, isso foi decidido de forma a não dar ansiedade de autonomia a quem vai ao volante, sendo complementado pelo sistema Google que deverá ajudar sempre a planear as longas viagens sem sobressaltos. Quando a bateria chega a níveis mais baixo, aí sim, aparece uma autonomia ponderada.

Quanto a tempos de carregamento, o Volvo XC40 Recharge aceita até 150kW de velocidade de carregamento, o que o fará ir dos 0 aos 80% em apenas 40 minutos ou conseguir 80 a 100km em apenas 10 minutos. Numa realidade mais atual, num carregador com 11kW de potência, o carregamento total pode demorar 8 horas, enquanto numa tomada doméstica normal (a que ainda uso, mas que não teria se tivesse um elétrico) esse tempo pode ir das 40 às 72 horas. Mas também ninguém deixa a bateria chegar aos 0%, não é?



Conclusão

Dividido em duas versões (Standard e Inscription Expression), o Volvo XC40 Recharge P8 AWD tem um preço que se inicia nos 57.150 euros, com esta unidade mais equipada a custar 63.715 euros. Valor ajustado devido ao seu posicionamento premium, mas também elevadas performances. Mais para a frente existirá uma versão mais “comedida”.

A sua condução é sem dúvida uns dos seus pontos fortes, numa “embalagem” que parece continuar a cativar cada vez mais fãs para a marca. O interior continua “clean”, mas agora mais descomplicado do que nunca, com um sistema Google que quando usado devidamente é um grande passo tecnológico a bordo de um automóvel.

Quanto à autonomia, não é líder, mas é ajustada, por exemplo, à do seu rival vindo de terras alemãs, enquanto o carregamento até 150kW mostra que está preparado para as próximas evoluções nos sistemas públicos de carregamento.

Este é o futuro da Volvo, quer queiramos quer não. Mas uma coisa é certa, do ponto de vista de elétrico, não parece nada mal…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!