Início Ensaios Teste ao SEAT Leon 2.0 TDI de 150cv. Diesel ainda compensa?

Teste ao SEAT Leon 2.0 TDI de 150cv. Diesel ainda compensa?

Teste ao SEAT Leon 2.0 TDI de 150cv. Diesel ainda compensa?
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“O velho preferido”

 

Estranho pensar que nos dias que correm, testar um automóvel a gasóleo é algo diferente, depois de tantos anos onde foi “rei e senhor”, ainda mais neste segmento onde o SEAT Leon se insere. A questão deste teste é bastante simples: “Ainda vale a pena ser diesel?”

Este é daqueles ensaios que se faz com uma calculadora ao lado, de forma a comparar consumos, diferenças de preço por quilómetro, ou mesmo de aquisição. Mas antes, só dar aqui um “refresh” sobre o novo SEAT Leon.

Este modelo chegou agora à sua quarta geração, depois de uma carreira que até se pode chamar de sucesso, com mais de 2,3 milhões de unidades vendidas. Agora, o modelo surge após um forte investimento da marca, de forma a ser uma das propostas mais completas do mercado. Na verdade, já foi por aqui testado de forma mais completa aquando do seu lançamento, algo que podem ler aqui.

Como é obvio, no seu exterior dinâmico (ou não fosse um SEAT), o Leon FR TDI não se destaca face a outro Leon nesta linha de equipamento, nem havendo sequer menção ao facto de ser um diesel. Por ser FR, destaca-se pelos para-choques exclusivos, assim como pelas jantes em liga-leve de 18’’ polegadas, opcionais, e que são uma de quatro disponíveis nesta versão.

No seu interior, muita tecnologia que se funde num habitáculo aconchegante e que sabe receber. O seu ecrã multimédia ao centro é o ponto nevrálgico onde encontramos quase tudo o que necessitamos para personalizar o interior deste Leon à nossa maneira, algo que pode não agradar a todos, já que não tem qualquer botão físico. Já o painel de instrumentos 100% digital consegue cativar tanto os mais ávidos por tecnologia quanto os mais tradicionais, oferecendo uma boa dose de informação, sem tornar toda essa oferta confusa ou demasiado… futurista.

Na frente, espaço de sobra, enquanto que atrás o Leon mostra ser uma proposta que sabe receber, sentando sem problemas dois adultos, ou mesmo três, com algum compromisso de quem vai a meio. A culpa não é da largura, mas sim do túnel central. A bagageira conta com 380L de capacidade, um bom valor tendo em conta o seu segmento, algo que não se devem esquecer mais para a frente neste ensaio…

Mas, na verdade, o que todos querem saber é se este SEAT Leon FR TDI ainda é uma escolha lógica. Eu respondo: Sim.

Tudo depende de alguns fatores, é claro, já que na verdade há quase um Leon para todos os gostos: desde o 1.0 TSi de 120cv, passando pelo TGI a GNC (Gás Natural), um TSi mais potente, ou mesmo o e-Hybrid, que é também a maior ameaça a este diesel.

Isto porque por pouco mais de 1500€, o e-Hybrid oferece 204cv face a estes 150cv do diesel, prometendo na mesma baixos consumos, sem regras.

Como assim, “sem regras?”

Como já por aqui falei, os híbridos Plug-In exigem algumas regras da parte dos seus utilizadores de forma a darem todo o seu “sumo”, ou seja, convém ter uma ligação à corrente para o carregarem de forma a conseguirem os seus maravilhosos consumos. Eles são mesmo possíveis de atingir, mas é preciso alguma disciplina.

No caso deste Leon TDI basta levá-lo para uma autoestrada e circular a velocidade estabilizada para entender que este 150cv tem pouco apetite, conseguindo facilmente médias abaixo dos 5L/100km, sejam nos primeiros 100 ou nos próximos 100. Algo que no Plug-In não é tanto assim.

Ou seja, o que quero dizer é: se for para circular muitos quilómetros de uma só vez, sem preocupações, o TDI é a solução; se a vida for mais citadina e com menos quilómetros de uma assentada, o e-Hybrid é a escolha segura.

Agora comparações face ao e-Hybrid. O híbrido é mais potente, são mais 54cv, é certo, mas temos de nos lembrar que pesa mais 166kg que este diesel que tem 150cv e pesa 1448kg. Ao cronómetro são 8,5s do diesel, face aos 7,5s do e-Hybrid, tempo que demoram a cumprir a tarefa dos 0 aos 100km/h.

Quanto a consumos, o diesel fez em todo o ensaio 5,1L/100km sem cuidados de maior e com um trajeto combinado, já o e-Hybrid, recordando o seu ensaio, fez 3,3l/100km nos primeiro 100km, ficando entre os 5,8 e os 6,3L/100km nos restantes quilómetros, caso o carregamento não faça parte dos planos.

Resta falar da dinâmica, e aqui este Leon FR TDI não perde por ser um diesel, com um bom controlo de carroçaria, equilibrado, e até com uma ponta de dinamismo, graças a uma direção direta e a uma suspensão bem afinada (e que pode ser ajustada pelo condutor graças aos diferentes modos de condução). O motor oferece a sua potência máxima entre as 3000 e as 4200rpm; até lá é o binário (360Nm) quem manda, ao aparecer na sua totalidade entre as 1600 e as 2750rpm. A controlar tudo isto está a transmissão dupla-embraiagem DSG de sete relações e patilhas no volante, para quando pensamos que estamos num Cupra.

O preço é de 37.240€, com esta unidade a custar 41.094€.

Resumindo e concluindo: Este SEAT Leon TDI é para quem ainda gosta de fazer um bom “Intercidades”, para quem somar quilómetros é algo banal e que o quer fazer sem preocupação e com consumos geralmente baixos, sem perder a dinâmica e performance de 150cv. É o ideal? Claro que não; se andar pouco, um TSI ou o e-Hybrid caso haja uma ficha por perto é a escolha a tomar, mas se não é o caso, o TDI ainda pode ser o “velho preferido”.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!