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Teste ao renovado Citroën C3 de 110cv

Teste ao renovado Citroën C3 de 110cv
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“Do que é que precisamos?”

 

Os automóveis são o espelho de quem os conduz. Bem, nem sempre é assim, mas a escolha de um automóvel rege-se por vários princípios. Há quem compre um automóvel apenas por necessidade, e há aqueles para quem o automóvel é uma extensão da sua personalidade. No caso dos utilitários, como é o caso deste Citroën C3, as coisas são muito mais simples.

Neste segmento há vários tipos de escolha: os premium, modelos que são mais caros do que os seus rivais, mas que oferecem outro tipo de equipamentos, mas que geralmente não cumprem tão bem em coisas básicas, como o espaço ou o conforto; existem também aqueles modelos que estão fortíssimos na tecnologia e apostam num design cativante, e estão ali no intermédio no que toca ao preço. Depois existem modelos como este C3, que cumprem em todos os campos e que, no caso deste modelo, até acaba por ser forte num outro ponto que já falarei mais à frente.

Reparem, a tarefa de um utilitário é altamente subvalorizada. É normalmente um carro para tudo, desde uma ida rápida ao supermercado para trazer um saco de compras, a uma ida a uma loja de móveis para uma mudança em casa onde cada espaço é aproveitado. É usado tanto para levar miúdos à escola, como no verão ver os seus tapetes cheios de areia de uma praia que fica a centenas de quilómetros do sítio onde costuma andar diariamente. Em suma, um utilitário é o verdadeiro “SUV”, sem ser um SUV. Estão a entender?

Pronto, porquê toda esta introdução? Porque o Citroën C3 foi renovado e é um dos automóveis mais queridos dos público nacional, sendo o 4º mais vendido em Portugal no ano passado. Mas porquê?

Resposta simples: porque para um cliente “normal”, o C3 faz tudo bem. Quanto ao estilo, o modelo foi renovado e conta agora com uma dianteira revista, com novas cores e jantes, mas ainda assim mantendo-se atual. E mesmo que este modelo seja mais barato que muitos dos seus rivais, é um dos que oferece mais capacidade de personalização. Ou seja, não é preciso gastar muito para se ser exclusivo. Para além disso, continua compacto, ótimo para as cidades, medindo menos de quatro metros de comprimento.



Passando para o interior, temos uma imagem simples, com materiais rijos ao toque mas bem montados. O C3 apresenta, ainda assim, novos revestimentos, continuando a estar tudo organizado de forma lógica, mesmo que os comandos da climatização ainda estejam inseridos no sistema multimédia, algo que o C4 já não o faz e muito bem. O interior é muito confortável graças aos seus bancos Advanced Confort, que dão também uma posição de condução elevada. Atrás, dois adultos encontram espaço suficiente, mesmo que um utilitário tenha, por vezes, de servir como um familiar. A bagageira, de 300L de capacidade, está na média do segmento.

Há coisas que podiam ter sido melhoradas? Sim, há. O C3 podia ter mais espaços de arrumação fechados, assim como pegas no tejadilho para facilitar a entrada e saída de passageiros.

Passando para os motores, a gama é completa, oferecendo opções a gasolina e gasóleo. Esta aqui presente é, para mim, a mais apetecível. O 1.2 PureTech de 110cv dá o “passo” face ao motor a gasolina de 82cv, por contar com um turbo que lhe garante maior disponibilidade sem pedir em troca muito mais consumo combustível.

O motor é suficiente para puxar o “peso pluma” deste C3, com ajuda de uma transmissão automática de seis velocidades, que garantem maior descontração durante a condução, o que está em linha com a filosofia deste Citroën.



Durante a condução, o Citroën C3 revela-se um automóvel fácil de conviver, sem qualquer foco na velocidade em curva ou em poucos movimentos de carroçaria; o objetivo do C3 é ser confortável e fazer com que os seus passageiros cheguem a casa o melhor possível. Graças a isso, a essa “veia atlética” escondida, quem sai a ganhar é o conforto, o tal elemento onde ele bate a sua concorrência. E na verdade, às vezes é o que mais queremos. Portanto, se o objetivo é dinamismo, é melhor seguir para outro modelo.

Nesta versão Shine Pack, a topo de gama, este modelo já está equipado de série com elementos como sistema multimédia com navegação e sistemas Apple CarPlay e Android Auto, jantes de 17’’ polegadas com novo desenho, Pack Safety, câmara de visão traseira com sensores, ar condicionado automático, vidros escurecidos, faróis de nevoeiro e cruise-control com limitador de velocidade. O C3 conta agora com faróis LED, que garantem mais e melhor visibilidade durante a noite.

Os preços começam nos 14.072€ para a entrada de gama Feel Pack e motor de 82cv, enquanto esta em ensaio está disponível desde 18.872€ (com transmissão automática), que com opcionais como o Pack Techwood (que dá um acabamento em “madeira” ao interior e exterior) continuam a manter o preço abaixo dos 20 mil euros.

No final, para muitos, é isto que importa. Um automóvel confortável, que permita gastar pouco a comprar e a manter. Que tenha espaço para quatro (ou mesmo cinco) adultos bem como para as suas malas. Se o comportamento dinâmico for essencial, o C3 não é o ideal. Ele não é incapaz, apenas gosta de desportos mais tranquilos. É como aquela altura da vida em que trocamos os desportos de explosão pelo Golfe.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!