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SEAT Leon eHybrid: Gasolina e kWh em perfeita harmonia

SEAT Leon eHybrid: Gasolina e kWh em perfeita harmonia
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“O melhor de dois mundos”

 

O SEAT Leon já não é novidade por aqui, após já ter passado nas variantes Hatchback e Sportstourer. Mas esta versão eHybrid é sim uma novidade, já que é o primeiro híbrido plug-in do construtor espanhol, que entra assim com o “pé direito” nesta tecnologia, num ensaio onde até se bateram recordes!

Observando este SEAT Leon, as diferenças são tão ténues que quase se podem dizer impercetíveis. A um primeiro olhar parece ser apenas mais um Leon FR de quarta geração, mas a “porta de carregamento” junto à roda dianteira esquerda e a designação eHybrid na traseira desmarcaram este segmento C com pretensões ecológicas. Portanto, o exterior continua emocional, seguindo a típica imagem de marca.

Entrando no seu interior, as diferenças só se notam quando o ligamos. Primeiro pelo silêncio, já que este Leon eHybrid “entra em ação” em modo totalmente elétrico, e depois, pelo grafismo do painel de instrumentos 100% digital, que assume aqui um arranjo diferente para exibir as informações dedicadas ao sistema híbrido que nos move. O espaço a bordo, para os ocupantes, não sofreu qualquer tipo de constrangimentos, sendo espaçoso para quatro adultos, com o 5º lugar a exigir sempre aquele “esforço extra” a quem lá vai sentado. Já a bagageira perdeu volumetria, passando dos 380 para os 270L de capacidade, mesmo que não se note a uma primeira vista, já que esse volume a menos estaria debaixo do piso onde agora estão as baterias.



Então, mas este eHybrid é composto por que motores?

Este SEAT Leon utiliza o motor 1.4 TSi de 150cv, que se uniu com um outro elétrico que debita 85kW (ou seja, 110cv), que em conjunto oferecem uma potência máxima de 204cv ou 350Nm. Quem gere tudo isto é uma transmissão DSG de seis relações, que envia toda a potência para as rodas dianteiras.

Ao volante, este Leon não é das soluções Plug-In onde mais se nota o aumento de peso, embora tenha “engordado” bem. Impressionou por continuar a ser dinâmico – leia-se “leve” – porque com 204cv é normal que o seja, o que acaba por compensar. A colocação das baterias num piso mais baixo garante-lhe até uma sensação de estabilidade, garantida por esse “lastro” de 253kg comparativamente com o Leon 1.5 eTSi. A direção continua direta, sendo fácil conduzir este SEAT Leon mesmo a ritmos mais elevados. De resto, é bastante suave, com o motor elétrico a trabalhar muito durante a condução. As prestações são quase de “Cupra”, com a aceleração dos 0 aos 100km/h a demorar apenas 7,5s.



Quanto a consumos, nos primeiros 100km após carregamento, numa condução normal, é possível fazer uma média de 3,3L/100km. Após isso, o valor fica entre os 5,8 a 6,3L/100km. Mas e se “puxarmos” ao máximo o modo elétrico, quantos quilómetros conseguimos fazer?

Foi com isso em mente que olhei para a ficha técnica do modelo e vi que apresentava 64km de autonomia, um bom valor tendo em conta a concorrência. Então quis descobrir se ele efetivamente os conseguia fazer.

Numa condução “ultra-suave” e com climatização desligada, arranjei passatempo para o meu sábado de manhã: 1:30h de condução, onde segui todo o livro das regras da condução ecológica. A uma velocidade reduzida como as que temos em cidade ou em estrada nacional (máximo foram 90km/h), foi possível atingir os 73km em modo totalmente elétrico. São 9km a mais do que a marca indica! Isto foi apenas um teste para chegar ao limite da autonomia, já que ninguém deverá conduzir assim no dia-a-dia.

Para carregar este SEAT Leon eHybrid basta uma tomada convencional, que demora cerca de seis horas a “atestar” os seus 13kWh; se for carregado numa Wallbox (solução aconselhada) reduz esse valor quase para metade, 3h40m.

A questão é: vale a pena comprar um SEAT Leon eHybrid?

Primeiro é preciso saber se conta com um ponto de carregamento em casa; se a resposta for positiva, está apto a aproveitar o melhor que este Leon eHybrid tem para lhe dar: baixo consumo aliado a uma boa performance. Depois, se for uma compra empresarial passa a ter ainda mais lógica pelos apoios (ainda) dados. No entanto, os 37.070€ pedidos pela marca não são exagerados para o que é oferecido a um cliente particular.

Ainda mais porque a marca pede pouco mais de 6 mil euros por um automóvel Plug-In com mais 54cv que a motorização mais aproximada, o tal e-TSi de 150cv. Se o condicionamento nos centros das cidades a automóveis a combustão vier mesmo a ser uma realidade, talvez esta diferença de preço seja ainda mais lógica. Este tinha a etiqueta “0” colada no vidro, que em Espanha, já aqui ao lado, vale bem a pena…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!