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Novo Honda Jazz Crosstar – o híbrido com pinta de aventureiro

Novo Honda Jazz Crosstar – o híbrido com pinta de aventureiro
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“Estrela de poupança”

 

O Jazz. O bom e “velho” Honda Jazz, o exemplo de um utilitário por excelência, uma verdadeira escolha para quem quer fiabilidade e muito espaço a bordo. Agora, este modelo que chega à sua quarta geração, com “dois sabores”: o normal, que iremos testar daqui a pouco tempo; e este mais “aventureiro” Crosstar, que pisca o olho a quem também gosta dos SUV.

Será que o popular modelo, que já vendeu mais de 7,5 milhões de unidades em todo o mundo, continua a ter cartas para dar num mercado com cada vez mais escolha?

Neste momento, a Honda está em plena eletrificação, com a promessa de contar, em breve, com uma gama completa de propostas eletrificadas, assim como modelos 100% elétricos, onde o Honda e é o “cabeça de cartaz” e montra do que a marca nipónica consegue fazer. Agora, pela segunda vez, o Jazz é Híbrido, mas desta vez apenas híbrido, com uma gama que deixa de contar com pequenos motores a gasolina, bastante fiáveis e responsáveis por uma taxa de “reforma” muito baixa destes modelos.

Tenho um cá em casa e sei bem do que vos falo, parece que vai durar para sempre…

Vamos lá ver. Por fora, o Honda Crosstar (ou Jazz Crosstar) foi alvo de uma evolução, com o seu estilo monovolume a estar ainda presente, mesmo que adote uma imagem mais ao estilo do que a marca quer agora apresentar nos seus mais recentes modelos. A novidade maior está no pilar A e B, que ajudam numa excelente visibilidade periférica, ótima em cidade. Neste novo “sabor aventureiro”, o Crosstar destaca-se do Jazz dito “normal” por jantes exclusivas, proteções em plástico negro (como num verdadeiro SUV), assim como barras de tejadilho e uma altura ao solo mais generosa (15,2cm em vez dos 13,6cm do Jazz). Para além disso, a Honda ainda conferiu ao modelo uns para-choques distintos, assim como uma grelha dianteira superior aberta, ao contrário do modelo que lhe dá o primeiro nome.



Mas é passando para o interior onde este Honda mais me agrada. Na verdade, acho mesmo que este é o Jazz que já devia ser, um seguimento da segunda geração, já que na terceira pouco acrescentou de novo. Passando à frente, importa referir a generosa luminosidade dada pela ampla superfície vidrada, assim como revestimentos interessantes que lhe conferem um ar mais premium – ou Executive, como a marca denomina esta única versão disponível em ambos os “sabores”.

O amplo espaço a bordo continua a ser uma realidade, com quotas generosas para cinco passageiros, assim como os elementos típicos que não podiam faltar, como é o caso dos muitos espaços de arrumação (o porta-luvas de dois pisos voltou da segunda geração), e os bancos mágicos que estão no Jazz desde o seu início, em 2001.

Mas agora o modelo recebe uma muito importante e necessária contribuição tecnológica, com um novo sistema multimédia, muito mais fácil de operar e com melhor qualidade, assim como muitos sistemas de ajuda à condução, como é o caso do assistente ativo de manutenção de via, leitura de sinais de trânsito e assistente de travagem automática e aviso de colisão, entre outros.



Então e cá dentro, é tudo maravilhas?

Quase. Houve uma coisa em que o Jazz “andou para trás” face às gerações anteriores. Falo do espaço para bagagens, que viu a sua capacidade descer dos 354L da anterior geração para os atuais 304L. Ainda assim a marca diz que, após rebater os bancos, consegue acomodar 1205L de bagagens. Nem tudo está perdido…

Mas passemos à condução, com uma breve explicação sobre o e:HEV.

Isso é o que a Honda chama ao seu sistema híbrido, e se pensam que é apenas um motor elétrico que trabalha em conjunto com um motor a gasolina, enganem-se, porque é mais que isso.

Para começar, este Jazz tem três motores: dois elétricos, um com 80kW responsável por dar potência às rodas, e um outro (de 70kW) que serve como gerador. Claro que, para ser híbrido e serem três motores, falta o motor a gasolina 1.5 VTEC que desenvolve 98cv e 131Nm de binário.

Mas lembram-se que falei que havia um motor gerador? Isto porque na maioria das vezes, o motor térmico é desacoplado das rodas e funciona apenas como potência para o motor gerador, fator que faz com que os consumos deste conjunto, que oferece 109cv, seja digno dos híbridos Plug-In, conseguindo sem muitos cuidados, números na ordem dos 4,6l/100km neste Crosstar.

A bateria do sistema híbrido é de pouco menos de 1kWh, e conta com vários modos de condução… que não podemos escolher. O Jazz Crosstar decide por nós, e isso é um exemplo da filosofia que este modelo da Honda seguiu: uma condução tranquila, para libertar-nos do stress do trânsito e do dia-a-dia. Existe o “EV Drive”, em que apenas o motor elétrico dá a potência, mas que dura pouco; depois, o “Hybrid Drive” que utilizamos na maior parte do tempo, em que o motor a combustão dá potência ao gerador para o motor elétrico de tração.

Já o último modo é o “Engine Drive”, onde tudo trabalha para oferecer a máxima prestação possível, que geralmente é o que este Honda utiliza quando andamos em autoestrada.

Agora sim, a condução.

Este Honda liga (quase sempre) em modo elétrico, a não ser que a bateria, no momento em que o desligámos, esteja muito “em baixo”, ou que estejamos a pedir muito do sistema de climatização. Tudo é muito suave, muito calmo e confortável. O Honda Crosstar está agora menos preocupado em divertir o condutor, coisa que os Jazz anteriores sempre faziam, talvez culpa dos seus motores a combustão aspirados, que pediam sempre que “puxássemos” mais por ele.

Quando queremos fazer isso aqui, o motor 1.5 i-VTEC faz-se ouvir em demasia, como é normal neste tipo de transmissões contínuas, mas com a Honda a minorar o “estrago” com sete relações simuladas que “cortam” esse ruído, que já foi mais incomodativo.

O comportamento é neutro e fácil de controlar, mesmo que o cliente deste Honda não vá andar a explorar esses limites. Já que falo de limites, a aceleração dos 0 aos 100km/h é atingida em 9,9s, enquanto a velocidade máxima é de 173km/h.

Se acalmarem um pouco, para além de conseguirem médias de 4,6L/100km em circuito misto e sem muitas preocupações, em cidade esses números podem ficar na casa dos 3L/100km, já que o sistema de baterias cumpre muito bem a tarefa de regeneração.

Agora a questão final: “Devo comprar um Honda Crosstar?”

Bem, para começar, acho que fica bem servido com o Jazz, a não ser que queira muito este aspeto mais aventureiro, mas que na verdade é mesmo apenas isso, conseguindo poupar de caminho três mil euros.

Este Jazz continua espaçoso, está mais confortável e equipado do que nunca, para além de ser um verdadeiro “pisco” no que torna à vontade de beber gasolina. Tudo isto seria positivo, não fosse o seu preço algo elevado face à concorrência, já que a marca pede 31.500€ por um Crosstar como este, muito por “culpa” da existência de apenas uma versão, a mais equipada.

Contudo, temos sempre as campanhas, que fazem o preço descer para os 28.500€, conseguindo mesmo baixar ainda mais se, tal como eu, tiver um Honda e garantir assim um “desconto fidelidade” de 4.000€ (por cima do preço base). Nem precisa de o entregar, o que quer dizer que assim fica com dois Jazz até ser(em) velhinho(s).

Talvez desta forma faça sentido.


 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!