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Mais focado, será o A110S o melhor Alpine?

Mais focado, será o A110S o melhor Alpine?
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“O degrau acima”

 

O dia antes de ter um carro especial é sempre igual. As horas custam a passar, o medo de algum imprevisto é mais do que o normal e a noite de sono, essa demora também a passar, com um despertador que teima em não tocar. É algo que com o tempo sinto que melhorou, mas que em casos como este Alpine A110S voltam sempre por regressar.

É verdade, o Alpine pertence aquele lote de automóveis “especiais” que é impossível ficar indiferente, mas para além do seu estilo vintage que impacta, têm também o conteúdo extra que nos faz gostar ainda mais dele quando nos sentamos ao volante.

Pois bem, depois de testar o Alpine A110 e ter ficado agradado ao ponto de querer ter um na minha garagem, o A110S fez-me pensar se seria necessário o “upgrade”. Foi isso que quis saber assim que o levantei da garagem, tendo arrancado diretamente do piso -2 do estacionamento subterrâneo da Renault, para os 1991m de altitude da Torre, na Serra da Estrela. Em mais de 700km que fiz, nas mais diversas estradas e condições (até meteorológicas com temperaturas que variaram entre 41º e os 15º, como sol ou uma bátega de agua) descobrir se o S à frente do 110 vale a pena.



Mas enquanto sigo pela nacional, mais aborrecida e retilínea, aproveito até chegarem as curvas, para vos dizer o que mudou.

Primordialmente, a potência. Os 252cv viram serem somados 40cv para agora serem uns mais respeitosos 292cv, provenientes do mesmo bloco 1.8 TCe que o Renault Mégane R.S. também utiliza. O binário não conheceu alterações no seu número máximo, mas tem agora os seus 320Nm disponíveis por mais 1200rpm, das 2000 às 6400rpm… portanto pulmão de atleta.

Estas diferenças faziam esperar números muito melhores? Sim, mas no papel não impressionam assim tanto. A velocidade máxima aumentou 10km/h, para os 260km/h, enquanto a diferença na aceleração só é possível de ser vista por um beija-flor, já que são 0,1s a menos dos 0-100km/h. A diferença de preço, essa nota-se, passando da dezena de milhar de euros.

No seu exterior também existem diferenças, embora não sejam de maior. Os logos Alpine trocam o cromado por um tom negro mais agressivo, a bandeira francesa assume tons laranjas, enquanto as jantes podem ser exclusivas deste S. No caso da unidade ensaiada eram as Fuchs que assumiam muito bem o papel e que também estão disponíveis no A110 “normal”. Estas escondiam também as pinças melhoradas tingidas em laranja, da Brembo.

O teto em carbono é um opcional por 2460€, que garante uma perda de 1,9kg de peso no topo. Importante, mas que pode ser rapidamente anulado por um almoço sem regras, portanto ou levam o jogo a sério, ou então guardem esse dinheiro no bolso e amenizam a diferença face ao A110…

Passando para o interior, existe também uma atmosfera mais ‘racing’, com as bacquets a serem mais minimalistas e com um excelente apoio, embora sejam fixas nas costas e para as mover em altura é preciso ir buscar a caixa de ferramentas. O laranja passa também para o interior, seja nos pespontos que prendem a pele do tablier, ou que agarra também a Alcantara do volante. Uma posição ideal, num habitáculo que embora simples tem tudo o que necessitamos.

Sim, porque não se pense que por estarmos num desportivo de dois lugares que o conforto foi esquecido totalmente. Temos um sistema multimédia de 7 polegadas que tem o necessário, embora o usado pela Renault seja bem melhor, já que este por exemplo não tem CarPlay nem Android Auto, mas sim um estranho mySpin, assim como Ar Condicionado automático, cruise-control e limitador de velocidade.

Mas chega de conversa, porque chegaram as curvas e com isso é altura de ver o que mudou.

Na primeira entrada de curva é logo possível ver que o A110S está ainda mais “direto” que o A110, mais composto e mais plano. A suspensão está mais baixa em 4mm, enquanto a aderência parece dar também um passo em frente. Isso não é de estranhar visto que os pneus também “engordaram” em 10mm para garantir um maior contacto com o alcatrão.



O ESP foi calibrado para nos deixar brincar um pouquinho mais, deixando espaço para algum bailado antes de “entrar” para acalmar os ânimos. O som do 1.8 TCe entra pela cabine, enquanto lá fora quem tem o prazer de se cruzar comigo ouve uma verdadeira sinfonia de escape, que a cada aumento de relação dá um pequeno estrondo, enquanto que as reduções são acompanhadas por ‘pipocas’, não as típicas salgadas ou doces, mas sim as que mais gostamos de ouvir.

O adornar está praticamente extinto neste A110S, já que as barras estabilizadoras estão 100% mais rígidas, enquanto as molas estão também 50% mais firmes. Afinal as diferenças são muitas.

Esta ausência de movimento torna o A110S mais fácil de transitar de curva em curva, sem perdas de tempo, o que ajuda ainda mais num automóvel que pesa apenas 1189kg. Isso dá-lhe uma relação peso/potencia de apenas 4,06kg/cv! Isso também tem fortes benefícios na altura de travar, não mostrando sinais de fatiga mesmo em uso mais excessivo.

Quanto a consumos, o A110S não gasta mais que o A110 de 252cv, o que foi até uma surpresa, já que em ligações de nacional foi bastante fácil manter o consumo abaixo dos 7L/100km. Claro que se o tom da brincadeira aumenta, os números também. Mas o baixo peso nisto (também) é rei.

Chegamos então à conclusão. Valem a pena os 12.470€ adicionais do A110S em relação ao A110? Depende para o que se quer um Alpine. Na minha opinião, eu optava na mesma pelo A110. O mais desportivo é bem mais focado, é certo, mas esse “foco” paga-se mais em mau piso, fazendo-se sentir mais para quem está dentro do habitáculo. Para além disso o A110 é por si só capaz de muito. O S é um “degrau acima”, tornando o A110 num verdadeiro desportivo hardcore.

A melhor maneira de se entender é usando um exemplo da Porsche. O A110 é como se fosse um 911, o A110S é aquele patamar de loucura que nos aproxima do GT3. É uma proposta mais crua, mas virada para emoção de quem quer desfrutar sempre o máximo do seu automóvel.

Outra maneira de explicar é a seguinte. O A110 é um carro que facilmente utilizaria no dia-a-dia, o A110S já não é tanto assim. Por outro lado, se quiser envergonhar desportivos com potências acima deste ou dar um salto até à pista, não tinha a mínima duvida que o de 292cv era o que levava…


Alpine A110S

Especificações:

Potência– 292cv/6400rpm
Binário – 320Nm às 2000 ~ 6400rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 4,4s
Velocidade Máxima (oficial): 260km/h
Consumo Combinado Anunciado – 6,9L/100km
Consumo Combinado Medido – 7,5L/100km

Preços:
Alpine A110S desde: 77.502€

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!