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Alfa Romeo Giulia Super 2.2 Turbo 180cv

Alfa Romeo Giulia Super 2.2 Turbo 180cv
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“Carga emocional”

Tenho que manter a coerência neste ensaio. Escrevo isto porque a “carga emocional” sente-se. O Giulia é um dos lançamentos, senão mesmo, o lançamento mais importante da marca milanesa. É o esperado regresso ao segmento liderado pelos alemães, o contra-ataque italiano que marca também o retorno tão pedido pelos “Alfisti” à disposição da tracção na traseira nas suas berlinas, que há mais de 20 anos que não se fazia sentir na condução de um Alfa Romeo em que podemos levar passageiros atrás.

Estes são apenas alguns dos motivos pelo qual este não vai ser um simples ensaio.

Não é tarefa fácil também porque para analisar um Alfa Romeo é necessária uma boa dose de paixão. É equivalente a vislumbrar um quadro, é exercício que pede parte de nós. Mas a verdade é que este Giulia serviu-se bem dos 106 anos de história da sua marca, apresentando um desenho inspirado, claramente e tipicamente italiano, que dá a este modelo uma grande personalidade.

A frente é baixa, longa e ameaçadora, e conta com a típica grelha da marca ladeada pelos faróis de desenho rasgado, que em conjunto com a colocação lateral da matricula, dão o carácter e toque de ADN que teimam em faltar num segmento cada vez mais sério e “cinzento”. A lateral exibe um desenho que nos traz reminiscências de uma das marcas mais famosas do grupo, a Maserati. O jogo feito com as linhas torna este automóvel extremamente bem dimensionado e agressivo, mesmo nesta versão totalmente comunitária, com motor diesel, pronta para ser o novo melhor amigo de uma família apreciadora de automóveis.

Ao observar as jantes turbina de 18” (opcionais), não podemos deixar de verificar que no seu interior se esconde um sistema de travagem Brembo com maxilas de quatro êmbolos, que asseguram uma travagem excepcional. A traseira finaliza o que começa bem na frente, com uma imagem suave. O tampo da mala forma um spoiler “natural”, os faróis com uma bonita assinatura luminosa em LED não deixam confundir o Giulia com mais nenhum automóvel e a dupla saída de escape informa que esta é a versão equipada com o motor diesel mais potente.

O interior é um “salto de gigante” para a marca. Os nossos olhares e atenções dividem-se, sem saber se devemos dar mais atenção ao agradável desenho cheio de pormenores ou então à boa qualidade dos materiais, que contam ainda com uma montagem cuidada. Mas tendo que começar por alguma parte, seria a sua forma que segue quase como um espelho do exterior, sem concessões e sem seguir um “livro de regras” restrito. Tudo aqui foi pensado para oferecer uma boa experiência, começando pelo volante de dimensões ideais, que conta com o botão de ignição incorporado, à semelhança da mais famosa marca do grupo, a Ferrari…

Essa história continua no quadrante, com os dois aros analógicos de fácil leitura a ecoarem o passado, enquanto o futuro é nos mostrado por um ecrã central no meio destes, com 5’’ a cores, garantindo que recebemos toda a informação necessária. Todos os comandos estão centrados e são de fácil compreensão, com as funções multimédia a serem apresentadas no outro ecrã, ao centro do tablier, com 8 polegadas e controlado por um botão giratório.

Mas o futuro dá provas de estar cada vez mais garantido para a marca. Os confortáveis bancos em pele e tecido oferecem um generoso apoio e proporcionam uma posição de condução que não merece reparos, graças aos múltiplos ajustes. Tudo isto são excelentes noticias, pois permite-nos aproveitar da melhor maneira a nova arquitectura imposta pela marca. A tracção traseira é uma autêntica reviravolta, e que reviravolta tão boa!

Esta é talvez a berlina com melhor condução do segmento. Com uma repartição de pesos bastante perto do ideal, o Giulia possui uma direcção bastante directa e comunicativa, o que em conjunto com a frente incisiva, faz com que seja bastante eficaz nas curvas, onde tudo é feito com uma grande segurança.

Isto é possível  também devido ao baixo peso do conjunto, que conta com vários painéis em alumínio e ao habitáculo mais recuado que o normal, ficando mais perto das rodas que dão motricidade aos 180cv do motor 2.2 Turbo. E num daqueles pormenores dignos de Alfa Romeo, esta potência é enviada pela caixa manual de seis velocidade através de um veio de transmissão em fibra de carbono, algo que não está reservado apenas ao Quadrifoglio de 510cv, o que demonstra bem as intenções da marca…

Mas é precisamente na caixa de velocidades que está o único ponto que mudaria neste Alfa Romeo Giulia, já que também está disponível a excelente transmissão automática da ZF com 8 velocidades, que muito possivelmente será uma melhor combinação com este motor diesel. Não é que a manual seja má, é precisa e eficaz, mas tem um engrenamento duro e de curso algo longo, acabando por fazer perder algumas das potencialidades deste motor, principalmente em cidade onde se pode tornar cansativa.

O motor, como já dissemos, é o 2.2 Turbo com 180cv (existe o de 150cv também), construído em alumínio e disposto longitudinalmente. Este é tipicamente Alfa Romeo, ou seja, faz-se notar.

Sim, o motor diesel ouve-se e sente-se, o que poderia ser tido como um ponto negativo, mas no Giulia não o é. Isto porque a Alfa Romeo gosta de fazer sentir ao condutor a mecânica dos seus automóveis, senão este não é uma máquina emocional e não tem carisma. A marca toma como esta característica como primordial na ligação homem-máquina. E o som, para um diesel, até que não é desagradável…

As prestações estão também num bom nível, ainda que, no papel, a caixa automática ganhe segundos valiosos. O motor, mesmo sendo diesel mostra-se bastante eficaz nos regimes mais altos, contando com pouco lag do turbo, o que é óptimo para ultrapassagens ou estradas com muitas curvas, como se quer. Já em cidade o recurso à caixa torna-se muito frequente, já que as baixas não são o seu forte, justificando-se uma vez mais a escolha da ZF de oito velocidades.

O carisma do motor e dos seus “companheiros” pode ser alterado com o sistema DNA da Alfa que aparece agora num comando melhorado e que adapta a resposta do acelerador e travão, da direcção e do motor. O Natural é como o nome indica, um balanço perfeito, o Advanced Efficiency torna o Giulia adormecido, óptimo para fazer uns consumos bem comedidos, mas naqueles dias mais inspirados temos o Dynamic que conjuga tudo o que Giulia tem de melhor, para a máxima prestação. Este mostra um pouco do que poderá ser a versão mais picante deste automóvel, com uma resposta sempre pronta e o entusiasmo em condução desportiva num patamar bastante elevado.

Mas como a desportividade anda de “mãos dadas” com a segurança, o Alfa Romeo Giulia conta com um grande número de sistemas de protecção, como alerta de colisão, travagem autónoma de emergência, alerta de pedestres e active braking de série. A Alfa Romeo também se preocupou com o espaço para os passageiros, que contam com um espaço interior desafogado, onde apenas o túnel central é algo intrusivo, sendo aconselhável apenas 4 passageiros no total, factor que é compensado com umas saídas de ventilação próprias. A mala conta com 480l de capacidade, um valor que não é referencial, mas igual a um dos seus mais temidos rivais germânicos…

E é neste ponto que paramos. Antes de tirarmos conclusões, convém esclarecer que um Alfa Romeo é sempre diferente dos seus rivais. É um produto mais emocional e romântico, que se preocupa com mais com o prazer de condução e detalhes que mais nenhuma proposta consegue oferecer.

Nas partes que podem ser avaliadas, como a montagem e os materiais o Giulia está em linha com as referências do segmento, o comportamento dinâmico é o que foi dito acima, irrepreensível e o motor revela-se poupado e capaz de oferecer bons andamentos, embora apresente um carácter diferente. Assim como o Giulia… Se esta é a tão prometida “reviravolta” da Alfa Romeo, só o tempo nos dirá, mas que começa da melhor maneira, disso não há dúvida!

Alfa Romeo Giulia Super 2.2 Turbo 180 

Especificações:

Potência – 180cv às 3750rpm
Binário – 380Nm às 1500rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 7,2s
Velocidade Máxima (oficial): 230km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 4,2l/100km (5,9l/100km)

Preços:
Alfa Romeo Giulia desde: 41.400€
Preço da viatura ensaiada : 50.680€

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!