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‘Mega-Teste’ ao novo Jeep Wrangler Rubicon

‘Mega-Teste’ ao novo Jeep Wrangler Rubicon
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“Uma essência que não se perdeu…”

O Jeep que estão a ver na foto acima é o novo Wrangler. E muita atenção na palavra “novo”, porque é isso que este modelo é, uma proposta 100% nova e revista pela marca americana. Do passado veio apenas a sua inspiração no que toca ao design, e a sua capacidade nata de “trepar” por maus caminhos. Estivemos ao volante da versão Rubicon, a mais “pura e dura” do modelo, que conta agora com preocupações, digamos, mais sociais.

Porque digo isto? Porque anteriormente o Jeep Wrangler era significado de: “eu quero andar fora de estrada sem ser um desafio, mas para mim não é um problema ter menos conforto ou equipamento quando ando no asfalto.”

Efetivamente, isso é algo exagerado, mas observando este novo Wrangler, a mudança é tão grande no campo do conforto, que é possível fazer essa comparação face à antiga geração JK.

Mas vamos por partes, e começamos pelo exterior.

A um primeiro olhar, é obvio que estamos perante um Jeep, e o Wrangler não engana. O “redesenho” é evolutivo, com as suas linhas a ficarem ainda mais robustas do que anteriormente. A dianteira, com a típica grelha com sete barras, é agora ligeiramente inclinada e de maiores dimensões. Continua, no entanto, a ser acompanhada pelos típicos faróis redondos, agora mais tecnológicos, já que contam com tecnologia LED. O volumoso para-choques foi também revisto, agora com um aspeto mais moderno.

Visto de perfil, é a mesma sensação, a de evolução. Agora com um aspeto mais largo que anteriormente, a atenção ao detalhe foi levada a um outro nível, e o Wrangler já é um produto mais premium nesse aspeto. Para isso, destacam-se as jantes exclusivas desta versão, que estão envoltas nuns pneus BF Goodrich Mud Terrain, e que são autênticos aliados em aventuras off-road.

A traseira foi a secção que menos mudou, mas até aqui são encontradas alterações. Os grupos óticos foram redesenhados, assim como outros detalhes, onde se inclui o gancho de reboque. Na roda suplente, podemos também ver a câmara de estacionamento traseira, outro toque do avanço tecnológico.

Mas é abrindo a porta que encontramos uma verdadeira revolução!

Quem conhecia o “antigo” Wrangler, sabe que o interior era praticamente repleto de plásticos rijos, com um aspeto algo tradicional, onde a atenção ao detalhe não era muita. Não é que isso fosse estragar a experiência para os proprietários, ou mesmo fazê-los mudar de marca. Mas ninguém se importa de melhorar, não é?

O Jeep Wrangler JL (nome da nova geração) acaba com esse interior “pobre”, recebendo agora melhores materiais e acabamentos, assim como uma montagem mais cuidada e desenho mais moderno. Nesse desenho destaca-se a faixa colorida que atravessa de “ponta a ponta” o tablier, dando uma imagem mais horizontal. Ao centro é possível encontrar o novo sistema de infotenimento UConnect, fácil de operar e com boa qualidade de imagem, disponível em várias dimensões (5’, 7’ ou 8,4’ como o nosso), muito completo e bem integrado no tablier. O painel de instrumentos também foi completamente redesenhado, e conta também ele com o seu próprio computador de bordo a cores, e auxiliares como inclinómetro, para uma condução fora de estrada mais segura.

“Do passado veio apenas a sua inspiração no que toca ao design, e a sua capacidade nata de “trepar” por maus caminhos.”

Ainda podemos falar do volante de três braços que foi redesenhado, ou da alavanca da nova transmissão automática de oito velocidades, que é um dos vários “easter eggs” presentes neste modelo ao ter a imagem do original Willys Jeep.

A pureza continua presente graças à possibilidade do teto, portas e mesmo o para-brisas serem retirados, sem se perder muito tempo. A posição de condução é obviamente elevada, mas está agora mais correta e confortável, graças aos novos assentos.

No interior, e devido aos nossos impostos “meiguinhos”, o Wrangler “curto” só está disponível com dois lugares, sendo vendido como comercial. Se quer mais lugares, terá de escolher o “longo”, com quatro portas e disponível nas mesmas versões.

Para notar todas estas alterações na nova geração, preferimos percorrer uma longa distância em estrada, desde autoestrada a percursos citadinos, o que é o verdadeiro “desafio” para este modelo, e com isso testar se efetivamente este Wrangler está mais fácil de conviver. Comprovando se a teoria passa para a prática.

Para começar, o motor. Totalmente novo, o 2.2 MutiJet II está mais suave (eu disse mais, não disse que está suave, porque isso também estragava a “experiência”), e conta na mesma com os 200cv do anterior motor, em conjunto com um binário de 450Nm logo às 2000rpm. Este motor está acoplado a uma nova transmissão automática de oito velocidades, e sim, é aqui que tudo melhora, e muito!

Esta nova transmissão torna tudo tão mais fluido, que a melhor forma de explicar talvez seja esta: Imaginem que o motor (ainda que bastante melhor) é um Homo Sapiens Neanderthalis, e que a transmissão é uma espécie de “conselheira de boas maneiras”. Estão a imaginar um dos nossos mais antigos antepassados a comer de garfo e faca, cheio de boa educação? Pronto, é mais ou menos isso que acontece aqui com este “casamento” Motor-Transmissão.

Este facto é provado nas prestações, que chegam a ser impressionantes no que toca à aceleração, que demora apenas 9,0s a atingir os 100km/h. Se não acham, basta ver o peso deste Jeep: 2065kg.

Esse peso também é um desafio no que toca ao consumo, que nesta geração ainda viu o seu apetite reduzido, tendo marcado 8,7l/100km.

Em estrada, o Jeep Wrangler está mais insonorizado e confortável. Claro que a sua direção continua a ter aquele “feedback” tão característico, mas isso é normal, graças aos generosos pneus que estão aqui montados. A transmissão não hesita e é suave, enquanto a travagem é agora mais potente, e em curva o adornar não é excessivo, podendo mesmo abordar as curvas com mais “à vontade”. Obviamente, há limitações.

Onde (praticamente) não existem é quando o alcatrão acaba, aí é o “habitat natural” para este modelo. A tal “assistente de boas maneiras” fica de fora, e o “animal” vem ao de cima, com uma capacidade incrível de superar obstáculos, que à primeira vista parecem intransponíveis. Isso é possível graças a vários elementos, como é o caso do sistema de suspensões de cinco braços no eixo traseiro e dianteiro, com diferentes soluções. O sistema Rock-Trac 4×4 aproveita essa altura ao solo (25cm) e suspensões da melhor maneira. Este sistema conta com caixa de transferência de duas velocidades, com eixos Dana 44 e bloqueios independentes dos eixos (Tru-Lok). Quando isto acontece, é sinal que está numa “estrada” sem trânsito…

Convém falar dos ângulos: Ataque: 36,4º, Ventral 25,8º e saída de 30,8º. Se precisar de rebocar, o Wrangler Rubicon “aguenta” com 1500kg.

Para terminar este longo ensaio, resta falar do preço, que começa nos 58.500€ para a versão Sahara (mais civilizada), pedindo mais 1000€ pelo radical Rubicon. Como é óbvio, existem opcionais, e eles são para selecionar, o que faz aumentar o preço desta unidade para os 64.900€.

Se o preço é justo? É óbvio que não é um automóvel que se compre apenas tendo em conta o lado racional. O emocional pesa muito, e concorrentes à altura dele, atualmente, não existem!

Portanto, está aí a resposta…


Jeep Wrangler JL 2.2 MultiJet II Rubicon

Especificações:
Potência – 200cv às 3500rpm
Binário – 450Nm às 2000rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 9,6s
Velocidade Máxima (oficial): 160km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 7,4l/100km (8,7l/100km)

Preços:
Jeep Wrangler Rubicon desde: 59.500€
Unidade Ensaiada (c/campanha): 60.961€


Carrega nas fotos para veres este Jeep Wrangler Rubicon com maior detalhe:

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!