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Mazda MX-5 2.0 SkyActiv-G 184cv

Mazda MX-5 2.0 SkyActiv-G 184cv
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“Dose extra de picante”

Quanto ao Mazda MX-5, já poucas palavras temos para conseguir explicar este roadster que tão bem tem feito pela cultura automóvel. Eu vejo o MX-5 como uma espécie de “arca de Noé automóvel”, cheia de coisas boas, guardando elementos como uma caixa manual “como deve ser”, uma tração traseira, que permite desligar todas as ajudas e uma posição de condução desportiva. A tecnologia, embora esteja presente, não está em demasia. Portanto, como exemplo, aqui não há nada de painéis de instrumentos digitais e personalizáveis. Aqui existem ponteiros a sério, com o conta-rotações ao centro, como assim deve ser! 

Não que a indústria esteja a ir num caminho errado, mas o Mazda MX-5 é aquele local onde nos sabe sempre bem regressar, um lugar onde nos sentimos seguros e pensamos que a maioria do que gostamos num automóvel está aqui, numa carroçaria diminuta com pouco menos de quatro metros.

Mas o mais importante no MX-5, e que mais me tem cativado, é o seu motor.

A Mazda conta com duas opções, o 1.5 de 132cv, que ganhou um “equídeo” no restyling, e o 2.0, que ganhou um “estábulo cheio deles”, mais precisamente 24, tendo agora 184cv ao dispor do condutor, entregues numa faixa de rotações mais ampla, que só ‘esgota’ às 7500rpm… Podiam ter colocado um turbo? Sim, podiam. Mas desenvolver um motor atmosférico tem mais piada para estes senhores japoneses, e para quem gosta de conduzir, sabe que um atmosférico tem as suas vantagens (eu já explico mais à frente quais).

“Sim, é verdade, o Mazda MX-5 recebeu um restyling.
Olharam para as fotos e não viram nada? Normalíssimo…”

Portanto, o pequeno roadster japonês continua com a sua imagem desportiva ‘intacta’, com o seu design, ao qual a Mazda apelida de “KODO”, a estar bem atual. As suas proporções são as típicas de um modelo deste tipo, sendo baixo, largo, com um capot bem longo e as rodas bem nos cantos da carroçaria. Para quê mexer quando está bom?

As novidades no exterior são encontradas apenas nas jantes, que passam a estar disponíveis em novos acabamentos, que não é o caso desta unidade, assim como na capota em lona deste ‘soft-top’, que passa a contar com uma nova cor castanha em opção (200€), independentemente de qual seja a cor escolhida entre as sete disponíveis que podem revestir o MX-5.  

No interior, há ainda menos diferenças, com o habitáculo a permanecer igual. O “estreito”, mas confortável, interior do roadster conta com tudo o que é necessário. Bem, na verdade até existem duas diferenças…

A primeira ajuda a uma melhor posição de condução, graças ao ajuste telescópico da coluna de direção, podendo ser, pela primeira vez, regulável em alcance. Isso ajuda a uma posição mais correta dos braços e das pernas, não tendo de haver concessões. O condutor já não depende da genética para se sentir confortável…

A outra modificação é encontrada no sistema multimédia que pode agora contar com o sistema Apple CarPlay, que incrementa a conectividade entre o “condutor e o automóvel”.

A tal tecnologia que falámos acima, é usada no que “mais importa”, ou seja, na assistência ao condutor, e agora são cinco as tecnologias i-Activesense, que conferem uma maior segurança. Seja o Advanced Smart City Brake, que evita colisões com outros veículos ou mesmo atropelamentos, ou o Smart City Brake Support, que deteta veículos ou obstáculos que se “atravessem” na retaguarda. As manobras para trás são também agora ajudadas pela nova câmara de estacionamento. Em andamento, o Traffic Sign Recognition alerta para as velocidades máximas permitidas, e o Driver Attention Alert, avisa o condutor para eventuais perdas de atenção ou concentração.

Mas o último ponto é muito improvável de acontecer ao volante de um Mazda MX-5, principalmente se for igual a este que tivemos em ensaio.

Isto porque o revisto motor 2.0 Skyactiv-G torna este no MX-5 mais potente de sempre! A potência aumentou dos 160 para os 184cv, com o regime máximo a ser às 7.500rpm (anteriormente era às 6.800rpm). Para além desses 24cv, o binário aumentou dos 200 para os 205Nm às 4.000rpm.

Mas como conseguiram estes melhoramentos?

Entre muitos elementos, é de referir que os Injetores com atomização de binário ajudam a isso, para além da combustão que foi melhorada, graças aos orifícios dos coletores de admissão que reduzem a temperatura do ar admitido.

A inércia e a fricção foram reduzidas, aumentando por isso a eficiência e resposta. Menos 27g nos pistões e 41g nas bielas. O motor tem agora uma melhor sonoridade, graças ao novo volante bi-massa de baixa inércia, que dá também uma resposta mais eficaz. Para terminar, existe um maior fluxo de admissão de ar.

Mas, na prática, o que isso significou?

Basicamente, está mais nervoso, o já brilhante chassis encontra aqui um aliado de peso. Não queremos dizer que o 1.5 não chegue, porque chega perfeitamente, mas este 2.0 Skyactiv-G de 184cv tem performances que se podem chamar de desportivas, cumprindo a tarefa dos 0 aos 100km/h em menos 1,8s que o motor “mais pequeno”, conseguindo uma velocidade de ponta mais rápida em 15km/h, para chegar aos 219km/h (que acreditamos que sejam mais). O peso aumenta em 44kg, devido ao maior bloco, face ao 1.5.

O aumento das rotações torna este motor mais prazeroso de explorar, e onde o outro “acabava”, este ainda tem muito para dar, sempre constante e com uma sonoridade que apaixona. Esta é a tal vantagem dos atmosféricos!

A potência é bem tolerada pelo chassis, graças ao equilíbrio perfeito 50:50. Contudo, aconselhamos desde já o pack sport, que junta ao diferencial autoblocante mecânico (de série em todos os 2.0) uma suspensão melhorada da Bilstein, Barra Anti-Aproximação, assim como umas bacquets Recaro, mais envolventes. Isto porque, perto dos ‘limites’, a suspensão mais branda “sofre” um pouco mais e embora não seja prejudicial, a “suspensão melhorada” oferece menos adornamento, aumentando a confiança.

Agora sim, vale bem a pena pensar no MX-5 2.0.

Na verdade, sempre valeu, mas a diferença de preço era exagerada face à diferença de potência (não por culpa da Mazda, mas sim dos impostos). Agora temos dois estilos diferentes deste roadster.

Se no MX-5 1.5 encontramos um equilíbrio perfeito, num automóvel para “toda a obra”, conseguindo mesmo prestações bem agradáveis em troca de um preço e consumos bastante comedidos, neste novo MX-5 2.0, embora mais caro cerca de 8.000€, temos pela primeira vez um MX-5 verdadeiramente desportivo, com prestações dignas desse registo. Acreditem, anda bem!

No final, deixo apenas um conselho:
“Se tem um Mazda MX-5 2.0 de 160cv, não conduza este. Poderá ficar triste…”
 


Mazda MX-5 (ST) 2.0 SkyActiv-G 184 Excellence Navi 

Especificações:
Potência– 184cv às 7000rpm
Binário – 205Nm às 4000rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 6,5s
Velocidade Máxima (oficial): 219km/h
Consumo anunciado – 6,9l/100km
Consumo medido – 7,2l/100km

Preços:
Gama Mazda MX-5 desde: 25.302€
Mazda MX-5 2.0 184cv desde: 39.667€
Unidade ensaiada: 40.269€


Descobre este Mazda MX-5 2.0 em detalhe.
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Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!