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Honda Civic 1.0 i-VTEC Turbo Executive Premium

Honda Civic 1.0 i-VTEC Turbo Executive Premium
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“Sui-Generis”

O lançamento de uma nova geração do Honda Civic é sempre um momento importante para a marca japonesa, e para o mundo automóvel em geral, já que esta é a 10ª vez que isso acontece. Até agora, mais de 20 milhões de Civic’s foram comercializados em todo o mundo, mas desta vez há ainda mais novidades…

Desde a 7ª geração que este modelo não era global, ou seja, nas suas duas últimas iterações, foram feitas versões especificas para o continente asiático e americano, com uma versão europeia do Civic, o que surtiu algum efeito no que toca a vendas. Mas a Honda acha que é a altura certa de voltar a haver apenas uma versão global do seu best-seller devido aos gostos destes continentes se aproximarem cada vez mais. Depois, existe uma outra novidade que passa pelas suas dimensões: o Honda Civic veio, de certa forma, substituir a sua geração anterior bem como o Accord, o modelo de segmento D da marca que já não é comercializado entre nós, e conta agora com uma carroçaria mais longa, mais larga e igualmente mais baixa, o que, de bónus, lhe dá um ar mais dinâmico.

Mas vamos falar disso no fim do ensaio. Vamos começar pelo seu interior que ganha muito devido ao aumento das dimensões, com boas quotas no que toca ao espaço para os ocupantes, tendo ainda um acréscimo na capacidade da bagageira, ficando agora com 478l de capacidade, o que justifica, de certa forma, a inexistência de uma variante Tourer nesta nova geração do Civic. O único ponto menos positivo é o espaço para a cabeça dos passageiros traseiros, que para quem tenha mais de 1,80m poderá acabar por roçar com a cabeça no tejadilho.

O tablier recebe um desenho mais consensual, moderno, sendo agora ainda melhor construído, com materiais suaves ao toque e isento de falhas. A posição de condução é também ela perfeita, sendo agora mais perto do asfalto comparativamente com a geração à qual sucede, graças a passagem do depósito de combustível para debaixo dos bancos traseiros. De ressalvar ainda o bastante informativo e bem conseguido painel de instrumentos, totalmente digital, que nos mostra todas as informações necessárias, a ser auxiliado pelo Honda Connect, que embora não seja a última tendência no que toca a grafismo, é bastante completo. Nesta versão Prestige, o Civic conta com um equipamento de série muito extenso, e como é habito da Honda: não há opcionais!

Portanto, no que toca à tecnologia contamos com o travão de estacionamento eléctrico com função brake hold, sistema de suporte de máximos, sistema de navegação, ajuda à manutenção da faixa de rodagem, cruise-control adaptativo, limitador de velocidade, ar condicionado automático bi-zona, câmara traseira de ajuda ao estacionamento, sensores dianteiros e traseiros, carregamento sem fios para o smartphone e até bancos dianteiros e traseiros aquecidos!

Para além de tudo isto, nesta versão contamos com o tecto panorâmico de abrir em vidro, o sistema de chave inteligente (keyless), e o sistema de suspensão adaptável.

Portanto, é altura de falar do seu motor e dinâmica de condução.

O motor nesta unidade é o 1.0 VTEC Turbo de 129cv (existe ainda o 1.5 VTEC Turbo de 182cv, que traremos em breve). E fazemos aqui uma paragem. A Honda demorou a trazer estes motores pequenos, e se excluirmos o Civic Type-R de nona geração, não havia propulsores turbo a gasolina. O certo é que este motor é bastante bom na sua entrega de potência e vivacidade, que de certa forma não substitui o 1.4 aspirado da geração anterior, mas talvez o 1.8 i-VTEC. Muito a ajudar a isso está a excelente caixa de velocidades, suave e mecânica, juntamente com um bom escalonamento.

O motor, embora de três cilindros, não emana um som que chegue a incomodar graças ao bom isolamento acústico feito pela marca, e consegue manter velocidades de cruzeiro sem problemas, ajudado pela fantástica (não é exagero) caixa de velocidades manual, suave, mecânica e decidida, com um curso curto, que explora bem este propulsor, sendo as duas últimas relações mais longas de forma a poupar combustível em Auto Estrada.

Depois de tudo isto, vamos para a melhor parte do novo Honda Civic: a sua dinâmica. Altamente revisto, o chassis melhorou muito, está mais leve e rígido, tornando-se bastante mais agradável de guiar, contando agora com uma melhor ligação ao solo graças à suspensão revista, de desenho multibraços no eixo traseiro.

A direcção também sofreu melhorias, é a eléctrica de duplo pinhão, derivada da antiga geração do Civic Type R (hiperligação). É bastante directa e conta com um peso, dando apenas volta e meia de ‘ponta-a-ponta’. A curvar, o Civic dá uma grande confiança, com pouco adorno de carroçaria, ainda para mais se optarmos pelo modo Sport nos amortecedores variáveis, que alteram, e de que modo!, o “espírito” deste Honda!  A frente está sempre bem fixa, com a traseira a ser benigna, mas a ajudar na festa, a soltar-se de forma controlada, com um ‘grip’ que parece não terminar.

O Civic parece ter tudo para ser um sucesso, tirando talvez o seu estilo que pode não agradar a todos. A frente longa e baixa é até fácil de gostar, com uns faróis de tecnologia LED, bem rasgados. No entanto, visto de perfil, o excesso de vincos e a traseira com ‘falsas’ saídas de ar, podem travar alguns. Mas se não ligar a estes pontos estéticos, o Civic é um excelente automóvel, com um vasto equipamento, tal como o espaço, porém, o preço pode desiludir.

Uma opção diferente? Sem dúvida, foi uma grande revolução. A Honda tinha dois caminhos: ou continuava a oferecer um automóvel de linhas distintas e sem medo de arriscar, ou iria para um caminho que não é seu, de criar carros de design mais normal, estando talvez condenada ao insucesso por tentar rivalizar com outras marcas que fazem isso há bem mais tempo. Assim, sendo diferente pode ser a melhor táctica, só o tempo dirá. Mas até à chegada do diesel, a tarefa não vai ser fácil…

Honda Civic 1.0 i-VTEC Turbo 129 Executive Premium

Especificações:
Potência – 129cv às 5500rpm
Binário – 200Nm às 2250rpm
Consumo Combinado Anunciado – 5,1L/100km
Consumo Combinado Medido – 6,6L/100km

Aceleração 0-100km/h (oficial): 10,9
Velocidade máxima (oficial): 203km/h

Preços:
Preço Base Honda Civic: 23.300€
Preço da unidade ensaiada: 30.280€
Preço da unidade ensaiada*: 27.530€

*Valor máximo da campanha em vigor com 1.500€ de valorização adicional da retoma, acumulável com a campanha de financiamento de desconto 1.250€. 
Honda Civic 1.0 Turbo
16.3 Pontos
O que gostámos mais:
- Dinâmica; - Equipamento; - Bagageira
O que gostámos menos:
- Estética "difícil" - Preço elevado para um 1.0
Resumindo e concluíndo:
O Civic chega à 10ª geração pronto para enfrentar o futuro. O modelo mais vendido da Honda tem uma tarefa complicada pela frente, mas tem bons atributos para ser um bom automóvel.
Motorização16
Perfomances15
Comportamento17.5
Consumos15.5
Interior16.5
Habitabilidade16.5
Materiais/Qualidade de construção17
Equipamento de Série18
Value for Money15
Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!