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Tesla Model S 100D

Tesla Model S 100D
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“Welcome to the Future”

Muitos de nós, quando procuramos algo em concreto, somos atraídos para um certo tipo de marcas que cresceram, ou se evidenciaram, por construir esse tipo de objetos. Existem inúmeros casos, uns com mais sucesso, que subsistiram ao passar dos anos agressivos que representam a luta no mercado, outros nem por isso, desaparecendo sem deixar rasto.

Pois bem, aqui neste caso não se sabe qual será o desfecho, mas uma coisa é certa: quando se fala (ou se pensa) num automóvel elétrico atualmente, a primeira marca que nos vem à cabeça é a Tesla.

Sim, a “start-up” Americana evidencia-se no mercado automóvel como uma marca que quebra barreiras e pretende mudar convenções, uma verdadeira “salada” de radicalismos, que nos faz pensar: “o que é realmente um automóvel?”

Pois bem, depois de testar o modelo mais “fora da caixa”, leia-se, Model X, chegou a vez de testar aquele que é o mais elegante, mas também o modelo que está há mais tempo na gama, o Model S.

Deixando-nos de cerimónias e de bons modos, este, para mim, continua a ser o mais belo modelo Tesla.

Uma silhueta de coupé, numa berlina de cinco portas com dimensões generosas, e proporções sem mácula. Resistiu bem ao passar dos anos, graças a elementos como as portas sem moldura ou os puxadores integrados, que em muito contribuiu para o sucesso, mas também para a sensação de luxo que este modelo pretende passar para o seu cliente, que, mesmo com a chegada do mais moderno e jovial Model 3, deverá conseguir o seu lugar como o modelo mais estatutário que a marca tem para oferecer.

A acompanhar o belo exterior, está um interior futurista com bons materiais à vista e ao toque, sendo moderno, simplista, mas mais tradicional que o Model X ensaiado anteriormente, já que o Model S consegue apresentar uma melhor montagem, sem ruídos parasitas, algo que na altura mereceu esse apontamento.

Cá dentro o ponto de destaque é evidentemente o massivo ecrã central de 17 polegadas, colocado verticalmente, e que serve para controlar basicamente tudo, desde os desempenhos do “motor”, passando por qualquer definição seja ela de suspensão, som ou luz, conseguindo ainda utilizar a navegação, o mais “banal” rádio, ou mesmo uma consola da Atari, um modo natalício ou um divertido “fart mode” que pode pregar partidas a cada um dos cinco passageiros que circulem nesta confortável berlina. Sim, a Tesla é algo diferente e com um sentido de humor acima da média. No interior temos também internet Wi-Fi que nos permite estar sempre conectados com o automóvel de forma a controlar funções básicas pelo telefone, mesmo que muito remotamente… trancámos e destrancámos, apitámos e acendemos as luzes a 400 quilómetros de distância.

O espaço é outra das grandes vantagens deste modelo. O seu piso, por ser completamente plano, ajuda a isso, e atrás sentam-se confortavelmente dois passageiros, podendo levar até três. A bagageira é sem dúvida a maior do seu segmento (isto comparando com os “convencionais” segmento E) com 750L de capacidade, e um “bónus” de 57,5L numa mala dianteira, a chama ‘Frunk’, onde normalmente se costuma esconder um motor, e que aqui pode esconder algumas mercearias.

Como se pode reparar, falar de um Tesla não é propriamente falar de um automóvel convencional. Por exemplo, não há versões de equipamento. Aqui basicamente forma-se o automóvel em torno de uma “bateria”. Para este modelo existem três: 75D e 100D, assim como uma mais apetitosa, a P100D, que faz com que este automóvel fique com “super-poderes” e queira ser o rei dos arranques.

Sim, é verdadeiramente explosivo, com acelerações dos 0 aos 100km/h que são cumpridas abaixo de três segundos. Sim. Um, dois, três… já está!

Para nós ficou reservada a do meio, e como achamos que é sempre lá que fica a virtude, parece-nos que aqui se passa o mesmo. E porque digo isto?

Porque esta é também a versão que consegue uma maior autonomia, e como bem sabem, esse assunto é a palavra de ordem neste momento no que toca aos automóveis elétricos. A potência está assegurada por dois motores (um em cada eixo que torna o Model S numa tração integral), que em conjunto nos oferecem algo como 423cv de potência e 660Nm de binário, garantindo uma aceleração dos 0 aos 100km/h em apenas 4,3s, assim como uma velocidade máxima limitada aos 250km/h.

É suficiente? Obviamente que sim!

Quanto à autonomia, a Tesla promete uma autonomia de 632km (ainda no antigo ciclo de medição NEDC), que na prática dá para percorrer mais de 400km se sofrer de uma ansiedade de autonomia.
Mas como é conduzir e coabitar no dia-a-dia com um Tesla Model S?

Primeiro, esse número de autonomia é generoso, e graças a ele muita dessa “ansiedade de autonomia” desaparece. Isto porque num percurso “pendular”, uma pessoa normal faz entre 50 a 70km diariamente, o que praticamente dá para os cinco dias da semana. Depois, é o silêncio a bordo, já que não temos um motor de combustão, nem uma transmissão que por muito suave que seja, transmite sempre aqueles solavancos. Isso transmite-nos uma calma difícil de encontrar igual. É melhor? Para algumas pessoas talvez, para mim, confesso que ainda me fez alguma confusão, principalmente se ativar o modo AutoPilot, que é o mais avançado da indústria, e permite circular de um modo praticamente autónomo, ainda que não nos deixe tirar as mãos do volante.

Como reparam que gosto de conduzir, tenho de deixar obviamente um espaço neste artigo para vos falar da dinâmica, e aí começo por referir que o Tesla Model S pesa mais de 2300kg, o que se faz notar em travagem. Por outro lado, em curva, a disposição baixa das baterias e a tração integral dão uma ajuda a conseguir negociar com a estrada a maneira mais rápida de passar por ela. A direção não tem muito feedback, mas fica em linha com a sensação de calma que este automóvel nos pretende passar, e que é mais do que suficiente para uma utilização normal.

Quanto aos carregamentos, basicamente existem várias opções, sendo que duas são lógicas e uma é para esquecer.

Comecemos por essa última, a de carregar em casa por uma tomada normal. Esta opção torna-se muito pouco lógica, não naquele caminho “pendular” do dia-a-dia, mas sim se “esvaziarmos” toda a bateria do Model S, já que o carregamento acontece a uns lentos 11km/h. Sim, uma hora de carregamento equivale a 11km que podem ser percorridos! Para encherem os mais de 400km são necessárias mais de 40 horas…

Portanto, os outros dois modos são, ou a aquisição da Tesla Wall Box, que felizmente aumenta essa velocidade de carregamento (80km carregados/h) e que pode ser montada na sua garagem, ou a utilização de um dos vários PCR espalhados pelo país ou dos próprios Supercharger da Tesla, que já estão presentes em cinco pontos (44 carregadores), e que a cada ano são inaugurados mais alguns.

Como vê, há resolução para (quase) tudo.

Isto porque, o que não há resolução é para o preço, porque para um Tesla Model S igual a este tem de desembolsar mais de 115mil euros, algo que não está à distância de qualquer comum mortal, ainda que não seja um valor totalmente descabido, seja pela sua performance ou equipamento. Felizmente o Model 3 chegou e aproxima-se de um valor mais “normal”, sendo praticamente metade do preço deste Model S, contando com um nível de tecnologia tão impressionante como este.

Em breve pretendemos dar a nossa opinião sobre o mais pequeno dos Tesla e entender qual é o futuro, do futuro…


Tesla Model S 100D 

Especificações:
Potência– 423cv
Binário – 660Nm
Aceleração do  0-100 (oficial): 4,3s
Velocidade Máxima (oficial): 250km/h
Autonomia anunciada – 594km (NEDC)
Autonomia conseguida – 476km

Preços:
Gama Tesla Model S desde: 84.300€
Unidade testada: 107.100€


Carrega nas fotos e vê este Tesla Model S 100D em detalhe:

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!