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Suzuki Jimny 1.5 Mode3

Suzuki Jimny 1.5 Mode3
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“Canivete que podia ser suíço”

Aqui está ele, um dos carros que tinha mais vontade de conhecer nos últimos tempos. E isso ainda é mais curioso pelo facto de não ser um automóvel que apresenta uma grande dose de potência, promessas de dinâmica e performances incríveis ou, muito menos, uma estética futurista. O Jimny não é nada disso, mas é tanto numa embalagem tão pequena, que pensamos que queremos ter um só para nós.

A história deste modelo não começa com este nome, mas sim LJ10, o primeiro automóvel 4WD da marca japonesa que, com apenas três lugares e 600kg, oferecia uma capacidade verdadeiramente todo-o-terreno, a um preço comedido.  Depois disso, foram mais duas gerações apenas (o conhecido Samurai e o “primeiro” Jimny, que esteve 20 anos ao serviço!) até chegarmos a esta 4ª geração, que se inspira fortemente no LJ10, mas que é separado por quase 50 anos e mais de 2,8 milhões de unidades vendidas em 194 países do mundo, que para o Jimny parece ser pequeno.

Vamos avaliar então cada ponto deste pequeno jipe.

O exterior prima pela simplicidade e rudeza, com uma arquitetura bem angular e quadrada. Essa rudeza, dá-lhe uma elegância própria, mas acima disso, uma capacidade extra em off-road. A dianteira de capot plano melhora a visibilidade, enquanto os faróis redondos em LED misturam o desenho do seu primeiro modelo com a tecnologia dos dias de hoje. As pequenas dimensões garantem ainda assim bons detalhes, num automóvel que quase parece “de brincar”. A lateral apresenta as extensões generosas nas cavas das rodas, que albergam as jantes escurecidas de 15’’.

Na secção traseira, o destaque vai para a roda suplente, colocada como um verdadeiro jipe que o Jimny é, e pelos farolins que estão colocados no para-choques, que para além de oferecer uma maior abertura para a porta da bagageira, são também outro elemento que transita das anteriores gerações.

O interior segue a filosofia do exterior, onde o que importa é a funcionalidade. Tudo é simples, prático e está no lugar que podemos esperar, num interior sóbrio, com materiais rijos, mas bem construído e robusto. A Suzuki diz que muitos comandos foram pensados caso o condutor ou passageiros os utilizassem com luvas, enquanto os materiais são à prova de manchas ou arranhões. O painel de instrumentos é claramente vintage, com a informação a ser apresentada de forma clara, e um sistema de infotenimento de 7’’ completo, com navegação, CarPlay e Android Auto.

A posição de condução é obviamente elevada, e confortável. Atrás existem dois lugares, que acomodam adultos devido à altura generosa. Aqui, um senão…

A bagageira, se transportamos quatro passageiros, é de apenas 87L. Sim, oitenta e sete, basicamente dá para duas mochilas, transportadas na vertical. Por outro lado, se “despacharmos” dois passageiros, os bancos são rebatidos, criando um piso plano de material lavável e que passa a contar com 377L.

Antes de passar para a condução, é de referir que não falta praticamente nada neste pequeno Suzuki, com elementos como ar condicionado automático, cruise-control com limitador de velocidade, faróis LED, bancos aquecidos à frente e leitor de sinais de trânsito.

Rodando a chave, também ela muito tradicional, ligamos o único motor disponível para o nosso mercado, o 1.5 aspirado com 103cv. À primeira vista pode parecer pouco, mas foi um aumento face a anterior geração, e apenas tem de “empurrar” 1165kg. Para gerir a potência, está disponível uma caixa de cinco velocidades manual, com tato muito mecânico e de uso agradável (há a opção de automática de quatro), e que torna fácil ter este Suzuki sempre na sua melhor “faixa”.

Obviamente, o seu comportamento em estrada não é espetacular, mas também não era esperado isso. A sua construção sobre longarinas tornam-no algo impreciso, com uma direção lenta e muito desmultiplicada. Uma espécie de Jeep Wrangler em miniatura. Mas, todos sabemos que esse é o preço a pagar, porque em fora de estrada, o Suzuki Jimny dá cartas. Um baralho inteiro delas!

Isto porque existem quatro pilares fundamentais: primeiro o seu chassis rígido, que para além de proteger os elementos de suspensão, é rígido o suficiente para aguentar “maus tratos” mesmo nos piores caminhos; depois, as suspensões, de eixo rígido, que são ajustadas justamente para essa condução fora de estrada (sim, a preocupação com o Jimny não é no asfalto), ou seja, quando uma roda está “no ar”, a outra é “empurrada” justamente contra o solo, para aumentar a tração; e para isso, o Jimny conta com sistema 4WD, com redutoras, que permitem com facilidade e rapidez alterar entre a tração 2WD (traseira), 4H alta, e as baixas (4L) para atacar os piores terrenos.

O último ponto são os seus espetaculares ângulos: ataque de 37º, e saída de 49º, devido às rodas estarem bem aos cantos da carroçaria. A sua pequena dimensão garante 28º graus de ângulo ventral. Portanto, com jeito, passamos por muitos desafios que pensávamos ser demasiados para o pequeno Jimny.

Claro que para isso, é preciso “espremer” este 1.5L devido aos 103cv não contarem com turbo, tornando-se ainda mais divertido de guiar, e é aqui que ele dá tudo de si e se torna num automóvel apaixonante, e que nos faz esquecer que em estrada não é excepcional. Como qualquer verdadeiro jipe…

A ajudar, contamos com Hill Descend Assist, que nos toma conta dos pedais, deixando ao condutor apenas a tarefa de “apontar” as rodas para o sítio certo.

Portanto, falta falar dos consumos. E não, o Suzuki Jimny não é ‘poupadíssimo’ como poderiam esperar. O sistema 4WD, os pneus talhados para fora de estrada e a sua aerodinâmica que rivaliza com um tijolo fazem com que os consumos fiquem praticamente sempre acima de 8L/100, mas também não passando muito disso. Não é chocante.

O preço também fica ali num meio terno. Não conseguimos dizer que os 24.000 euros desta unidade sejam altos, mas também não conseguimos dizer que seja baratíssimo. O certo é que o Jimny é muito bem equipado, difícil de vencer em fora de estrada e tem uma “pinta” descomunal por onde quer que passe.

Tenho que dar os parabéns à Suzuki, fizeram um bom trabalho!

 


Suzuki Jimny 1.5 Mode3 

Especificações:
Potência – 102cv às 6000rpm
Binário – 130Nm às 4000rpm
Velocidade Máxima (oficial): 145km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) –6,8l/100 (8,0l/100km)

Preços:
Suzuki Jimny desde: 21.075€
Unidade ensaiada (s/pintura metalizada): 24.811€


Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!