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Jeep Renegade Trailhawk 2.0 MultiJet AWD

Jeep Renegade Trailhawk 2.0 MultiJet AWD
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“A Desforra”

Tenho por hábito começar certos ensaios com uma confissão. Este é mais um desses casos, isto porque o último Renegade que esteve em ensaio no MotorO2, na versão 1.6 Mutijet e tração dianteira, acabou atascado. E por muitas e infrutíferas tentativas de o tirar de lá, acabou por ser “puxado” por um velho amigo nacional de quatro rodas. Imaginem o “Senhor Jeep” como um homem velho, tipo Pai Natal, só que bebe whisky, usa calças Levis e botas Timberland, e ainda a típica camisa de lenhador. Se esse senhor é omnipotente, viu este episódio e fez cruzar no meu caminho, por terras de Nice, um Renegade Trailhawk igualzinho a este, ao que comentei:

               – “Com este não me atascava”…

Ao longo das minhas ricas férias de Verão pelas estradas do velho continente, fiquei a pensar naquele espécime laranja, que repousava na área de serviço no Sul de França, enquanto o seu dono comia uma sandwich e devia estar a pensar qual o próximo monte que ia conquistar. Qual o meu espanto, quando soube que tinha chegado ao parque de imprensa da “nova” Jeep este exemplar.

Pensei de imediato:

             – “Vai ser a hora da desforra. Não volto a levar uma faca do mato para uma guerra.” 

No capítulo estético, este Renegade está bem mais “feroz”, preparado com a sua pintura de “guerra”: Laranja Omaha, com destaque para o logo “Trail Rated”, que demonstra que este pequeno SUV não se fará rogado se tiver que andar por caminhos bem difíceis, o que é também visto pelos para-choques distintos, com o da frente a dar um bom ângulo de ataque, assim como os ganchos vermelhos e os pneus mistos, que revestem as jantes negras de 17’’ exclusivas desta versão. Os pormenores no exterior surgem simultaneamente na faixa decorativa no capot, de cor preta e de acabamento mate, o que é também visível nas conchas dos espelhos, na grelha, mas igualmente no próprio logo da marca Americana.

Americano, mas nascido num berço Italiano, fruto da colaboração com o seu “primo” Fiat 500X.

O interior surge em conjunto com o exterior, com muitas diferenças. Com uma posição de condução alta e confortável, conseguimos ver bem os cantos da carroçaria, parecendo até que estamos a bordo de um “jipe” de maiores dimensões. Os pormenores coloridos estão nas saídas de ventilação, em redor do suporte dos copos ou na parte inferior do comando da caixa de velocidades automática. O espaçoso interior conta ainda com muitos espaços de arrumação, bem como um espaço imbatível para a cabeça. Ainda assim, os cinco passageiros conseguem ir bem acomodados, com as respectivas malas a encontrarem lugar na bagageira com 351l.

O tablier está bem organizado, com destaque para o painel de instrumentos supercompleto, de fácil leitura e com um dos detalhes apetitosos presente neste interior, o “salpicado” de lama, que nos informa onde fica o redline. Ainda olhando para o tablier, podemos ver que o passageiro conta com uma pega similar à encontrada no Wrangler, mas também com o sistema UConnect de 8’’ de fácil funcionamento, assim como o mais importante elemento deste interior: o comando rotativo que nos permite escolher entre o modo: Auto, Snow, Mud ou Rock, assim como o 4WD Lock e hill descent control, a auxiliar nas descidas mais íngremes. É daqui que vem o “carimbo” Trail Rated!

A puxar os 1629kg, o Renegade Trailhawk conta com o motor 2.0 Multijet de 170cv, que é distribuído às quatro rodas através da caixa automática de nove velocidades da ZF. Mas mais impressionante que essa potência, é o binário que deverá ser nosso “amigo” nas incursões fora-de-estrada, com os 350Nm logo às 1750rpm. Em estrada, a transmissão de 9 relações é muito suave e permite-nos rolar em velocidades de auto-estrada com as rotações bem baixas, aumentando a eficiência, ainda que o Renegade não esteja muito preocupado com a aerodinâmica.

Ainda assim, este Jeep é bastante composto, mesmo com uma suspensão mais elevada face à versão com tracção dianteira (ler aqui). O conforto está em bom plano, também por possuir uns confortáveis bancos em pele. Mas o que queremos saber mesmo é como se comporta este Renegade Trailhawk, e como vamos saber isso? Ir ao sítio onde a tração dianteira resolve “ficar a descansar” …

O pisar é decidido, num começo em areia mais batida, onde Trailhawk assume um comportamento bastante sólido, não exibindo ruídos nem torções. Até aqui, tudo muito parecido com um “normal” Renegade. Mas assim que começamos com subidas, o sistema AWD faz toda a diferença, com reações rápidas, a decidir sem hesitação para que roda enviar a potência, com o sistema a fazer este modelo avançar, que não se mostra assustado mesmo com cruzamentos de eixos, ou abordagens mais complicadas. São 30º de ângulo de entrada, e 34º de saída, graças à quase inexistência de para-choques. O ângulo ventral tem uns bem generosos 24 graus, graças aos 15mm de aumento ao solo face à versão com tracção dianteira.

Mas a diversão é na lama! Aqui torna-se viciante, a potência vem ao de cima, e no Renegade Trailhawk acabamos por procurar o caminho alternativo para o nosso destino, onde acabamos por descobrir paisagens impressionantes. Este Jeep cumpre a velha máxima de: o que importa, é a viagem!

Claro que toda esta diversão e irreverência tem um preço, que não é para todas as bolsas. O Trailhawk começa nos 45.500€, com esta unidade a passar a barreira dos 51.000€, um valor elevado, é certo. Mas, ainda assim, é um automóvel bastante capaz fora de estrada, com um motor potente e um equipamento muito completo, mas acima de tudo, exclusivo! Se não se aventurar tanto e conseguir ter algum controlo sobre si, fica também muito bem servido com uma versão de tracção dianteira, por um preço bem mais comedido.

Jeep Renegade 2.0 MJD 170 AWD Trailhawk

Especificações:
Potência – 170cv às 3750rpm
Binário – 350Nm às  1750rpm
Consumo Combinado Anunciado – 5,8L/100km
Consumo Combinado Medido – 6,9L/100km

Aceleração 0-100km/h (oficial): 8,9s
Velocidade máxima (oficial): 196km/h

Preços:
Jeep Renegade desde: 24.047€
Versão ensaiada desde: 45.500€

 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!