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Mobilidade Urbana: Testámos o Renault Twizy

Mobilidade Urbana: Testámos o Renault Twizy
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“Chegou como um estranho…”

O Renault Twizy: tantas perguntas se levantam acerca deste modelo. Será um automóvel verdadeiro, ou aproximado a isso? Quem o criou, foram ‘humanos’ ou ‘extraterrestres’? É lógico ou apenas uma escolha emocional? Será que faz sentido?

Bem, resolvemos revisitar este curioso modelo lançado em 2012 (sim, já tem quase sete anos!) e tentar entender se, depois deste tempo, fará sentido nas cada vez mais restritas e “agitadas” cidades.

Se têm circulado em Lisboa ultimamente, têm encontrado um verdadeiro “catálogo” de ofertas de mobilidade, sejam elas bicicletas, automóveis disponíveis através de sistema de carsharing, ou mesmo as muito polémicas trotinetes que transportam os outrora pedantes pelas ciclovias a velocidades bem mais elevadas, embora depois fiquem “esquecidas” nos passeios. E que coincidência têm todos esses veículos? A maioria deles são elétricos, e de pequenas dimensões…

Pois bem, e o que é o Twizy?

Basicamente, é um quadriciclo (não é automóvel, podendo ser assim conduzido por jovens a partir dos 16 anos com carta B1) que oferece a agilidade idêntica à de uma scooter, com uma maior segurança face ao seu arco de segurança, cintos de segurança e airbag. Um maior conforto, portanto.

O seu aspeto, mesmo depois de alguns anos, continua a impressionar. Um verdadeiro trabalho futurista feito pelos franceses (não, não foram ET’s que vieram à terra dar uma “perninha” no departamento de design), com uma dimensão de apenas 2,33m de comprimento (um Smart Fortwo tem mais 36cm), 1,23cm de largura e uma altura elevada de 1,43m.

Graças à sua largura, o Twizy pode na mesma levar dois passageiros, um atrás do outro, ou então ser adquirido numa versão mais utilitária e individualista, que é esta que temos em ensaio, a Bag, que substitui o lugar traseiro por uma bagageira fechada de 180l (ou75kg) de capacidade, muito útil para empresas que trabalhem no meio urbano. Para se ter uma noção, o Twizy “normal”, se assim se pode chamar, tem 31L atrás do banco traseiro, disponível para arrumos.

Primeira resposta à vossa pergunta: isso não capota?

É algo complicado, já que as baterias estão mais perto do solo, o que cria um centro de gravidade mais baixo, e a suspensão está afinada de forma a prevenir isso, tornando o Renault Twizy num O.U.C.D ou “objeto urbano de condução divertida”!

O divertido e fora do normal, exterior do Twizy pode ser revestido em quatro cores diferentes, e as “obrigatórias” portas ao estilo de super-carro são um opcional por 590€. Por favor, nem pense em poupar nisso, ok? Para além de melhorar o aspeto geral, elevam em muito a segurança, assim como protegem dos elementos. Contudo, não tem janela fechada, isso é depois conseguido por umas em plástico para quando o tempo faz “caretas”.

O habitáculo do Twizy é muito simples e plástico. Não há materiais de elevada qualidade, já que podem ser lavados “à mangueira”, e estão prontos para estarem expostos aos elementos. O volante vem do Megane da geração passada, e em cada lado encontramos um porta-luvas (8,5l no total), sendo o da direita fechado. O travão de mão encontra-se à esquerda, assim como o seletor de marcha (D,N,R), que depois de rodar a chave e o painel de instrumentos de fácil leitura se ligar, está pronto para enfrentar a cidade!

O Twizy não tem direção assistida, o que é bom, apresentando assim uma sensação mais real do que se passa com as rodas dianteiras, o que também não se justificava pelo seu peso de apenas 450kg!

Esse baixo peso também ajuda na agilidade, com um raio de viragem muito curto, assim como reações mais rápidas para se desenvencilhar mais facilmente do trânsito. O estacionamento deixa de ser um problema, podendo ser parqueado diretamente face ao passeio.

Sendo elétrico, temos de saber das autonomias. Portanto, a Renault diz ser possível fazer 80km em condições reais com o Twizy, com isso a depender muito obviamente do ímpeto do condutor, já que este pequeno Renault garante tanta diversão que damos por nós a acelerar para todo o lado. Aqui, convém referir que também não aceleramos muito, já que a velocidade máxima é de 80km/h, mas até lá é expedito…

Para carregar, não há transformadores, apenas um cabo extensível de 3 metros que se liga diretamente à ficha, demorando 3h30 a carregar os 6,1kWh numa ficha normal doméstica.

Vamos a preços…

O Renault Twizy pode parecer barato, mas não é. Começa nos 8.810€ (com aluguer de baterias, incluindo-as aumenta o preço 4.500€), e esta versão Bag começa nos 9.180€, a mais cara. O aluguer de baterias é a garantia que a Renault dá para os clientes disporem de uma bateria sempre em bom estado de funcionamento e capacidade, incluindo ainda assistência durante o prazo que pode variar entre os 12 e os 84 meses, com quilometragem também a ajustar com a marca. Começa desde os 50€ mensais. Ou seja, compra o Twizy e fica sempre a pagar as baterias.

De qualquer maneira, acaba por ser uma forma poupada de se locomover pela cidade, com maior segurança face a uma scooter, assim como um relativo melhor conforto. A cada cem quilómetros, se virmos ao dia de hoje, sai a mais ou menos 16cent. o kW; se o Twizy precisa de 7,62kWh para percorrer 100km, sai a 1,21€. ‘Not bad’, tendo em conta que até se “ganham” horas de vida em cidade.

É uma mistura entre o lógico e o emocional.
É diferente, tal como o Twizy!


Carrega nas fotos para veres melhor o Renault Twizy Bag:

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!