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Renault Mégane IV R.S. Trophy 300

Renault Mégane IV R.S. Trophy 300
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“Fazer a diferença”

Há modelos que têm tarefas difíceis, isto porque o seu antecessor teve um sucesso tão explosivo, que o chegar de uma nova geração é sempre “um stress” para a marca. A Renault passa agora por isso, com um novo Mégane R.S. Trophy, automóvel que na geração passada era “rei e senhor”, e que criou um renovado ‘hype’ no que toca a desportivos de segmento C, elevando a parada.

Agora, uma nova geração, diferente em muitos aspetos. Numa indústria em crescente evolução, será que este novo R.S. Trophy também consegue acompanhar os seus cada vez mais exigentes rivais?

Para começar, o seu estilo é totalmente diferente, muito graças a que esta geração do pequeno familiar francês que não conta com carroçaria de três portas. Isso podia ser um ponto negativo para os mais puristas, contudo, graças aos seus rivais diretos também não disporem dessa silhueta, o Mégane R.S. Trophy não fica desmerecido.

O estilo desportivo é assim garantido pelas vias mais largas, os para-choques exclusivos, que na frente contam com a lamina ao estilo F1, bem com as luzes com o padrão RS, e que à noite garantem uma grande capacidade de iluminação. Na traseira, também no para-choques, contamos com o escape duplo central inserido no difusor, que com a ajuda do spoiler superior garantem (e bem) a distinção entre este e um Renault Mégane “convencional”. Na lateral, o Renault Mégane R.S. Trophy destaca-se pelas suas jantes exclusivas de 19’’ que escondem um sistema de travagem Brembo, melhorado, bimatéria, mais resistente ao “aquecimento”. Ah! E a “cor oficial” o Trophy, o Amarelo Sirius!

Abrir a porta é sinónimo de entrar num “mundo R.S.”, sóbrio na cor, mas exclusivo nos detalhes. As bacquets Recaro são opcionais, mas valem os 2.500€ pedidos por elas, já que conseguem sentar o condutor (e passageiro) 20mm mais perto do solo, o que melhora as sensações para o condutor, aumentando também o apoio. E sim, melhora muito o ambiente interior.

Para além disso, os pespontos vermelhos e o volante específico em pele e alcântara relembram-nos que estamos a bordo de um automóvel verdadeiramente desportivo. Tudo o resto é muito comum a qualquer outro Mégane, com um interior espaçoso, onde se destaca o ecrã multimédia vertical e o painel de instrumentos 100% digital, e que pode contar com 4 quatro tipos diferentes de personalização. Um detalhe interessante é que a Renault optou por manter o travão de mão hidráulico, deixando o elétrico como uma opção gratuita. Bem jogado, senhores da Renault!

E este é um detalhe que prova que o Mégane R.S é muito um caso de “à escolha do freguês”. Ou seja, para começar, temos o normal Mégane R.S., que já testámos, com 280cv, depois, para quem não está satisfeito, pode seguir para este Trophy. Aqui já pode optar por duas transmissões diferentes, ou esta manual de 6 velocidades, ou uma EDC, de dupla embraiagem e 7 relações.

A questão é: “Vale a pena gastar cerca de 10.000€ a mais neste Trophy, face a um Mégane R.S. “normal”?

Se for apenas pelos números, a resposta é um gigante Não! O Trophy é apenas 0,1 mais rápido na tarefa dos 0 aos 100km/h e garante uma velocidade de ponta de 260km/h, 5km/h mais rápido que o R.S… Portanto, se é por isso, guarde o dinheiro no bolso.

A justificação está na emoção dada na condução deste Trophy!

Isto porque não são só 20cv extra de potência, para além dos pneus exclusivos e sistema de travagem melhorada, também o diferencial autoblocante mecânico Torsen é um dos grandes protagonistas neste chassis CUP de série. Contudo, alguns desses elementos já podem ser escolhidos como opção no Mégane R.S.

A diferença é que, supostamente, a divisão de competição da Renault Sport trabalhou mais ativamente no desenvolvimento deste bloco 1.8, de forma a tolerar melhor as forças extremas que deverá passar ao longo da sua vida. Para além disso, o turbo também gira agora mais rapidamente (até 200.000rpm), e está montado em rolamento de esferas de cerâmica, reduzindo a fricção, e com isso, diminuir o ‘lag’.

O peso também foi reduzido em 17kg, com as jantes específicas que reduzem o peso suspenso (um grande inimigo), para além de uma bateria mais leve. O que é também exclusivo é a linha de escape, que conta com uma válvula mecânica que modifica o som, e que acaba por ser verdadeiramente apaixonante, provocando uma elevada dose de “pipocas” em desaceleração… basta subir das 3000rpm, “tirar o pé”, e ouvir uma “saraivada de tiros”!

Mas passemos mesmo à condução:

Na anterior geração era notória a diferença entre o Mégane R.S “mais convencional” e o Trophy. Sim, o segundo era mais focado, mas perfeitamente utilizável na estrada, e podemos dizer mesmo no dia-a-dia. Era um caso em que quando o conduzíamos, “já não queríamos outra coisa”.

Desta vez, essa diferença é ainda mais notória. Porquê? Porque os polos estão mais afastados, o Mégane R.S 280 está mais “domesticado” e o Trophy mais agressivo. E isso tem as suas implicações.

Acredito que em pista este Mégane R.S. Trophy seja um verdadeiro regalo para quem gosta de explorar até ao último centésimo, e ir baixando os seus tempos volta após volta, é uma máquina focada. Porém, saídos dos portões do circuito, é demasiado focada para a estrada, pelo menos para o meu gosto.

Atenção, não vão andar constantemente aos “saltos”. O que quero dizer é que, a ritmos bem mais elevados, o Trophy é meio que hiperativo graças às suas suspensões muito rijas, assim como uma direção direta que ainda tem o “bónus” de fazer mover as rodas do eixo traseiro. Em mau piso, chega a ser complicado ser rápido, tal é a rigidez do conjunto. Houve mesmo momentos em que pensei: “o normal de 280cv era mais rápido aqui…”

Depois, temos a questão do 4Control, que nos faz mudar o chip que temos na nossa cabeça, e que nos “obriga”, de certa forma, a entrar mais tarde na curva. Porquê? Mais uma vez a rapidez da direção: viramos, lá vai a frente. Mas ao mesmo tempo a traseira também, num conjunto muito rápido e que “dobra” mais as curvas do que queríamos inicialmente. Claro que quando se começa a ganhar “a manha” e a confiança, o Mégane R.S. Trophy é rápido, muito rápido!

Agora, não consegue é ser tão divertido como o seu antepassado, isso não consegue.

Mas este, em curva, é certamente mais rápido. Apanhemos um bom alcatrão e chega a ser impressionante o que este novo Mégane R.S. Trophy consegue fazer. Os Bridgestone Potenza S007 servem como “lapas”, e por momentos quase nos fazem ter a sensação de que vamos ao volante de um automóvel de tração integral. Mas claro que, para isso, todos os astros têm de estar alinhados.

Mesmo durante toda esta busca incessante pela perfeição na condução, que eventualmente conseguimos, contamos com um competente sistema de travagem que nunca se mostrou fatigado, nem exibiu vibrações durante os “abusos”.

Mas no final de tudo, o que achei do Mégane R.S mais picante? Gostei. É um automóvel que tem um feitio particular. A sua direção 4Control torna-o diferente nas reações, mas quando encontra um piso em excelente estado consegue ser praticamente imbatível. O motor de 300cv é um poço de força, mesmo que seja agora um 1.8 em vez de um 2.0 que montava anteriormente. Se quer um pouco mais de conforto, e já se emociona rapidamente, o Mégane R.S com chassis Cup já será suficiente. Se quer mesmo ter a experiência completa, se pode monetariamente e não tem problemas osteopáticos, pode ir para este Trophy.


Renault Megane R.S Trophy 1.8 TCe 300 FAP 

Especificações:

Potência combinada– 300cv/6000rpm
Binário combinado – 400Nm às 2400 ~ 4800rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 5,7s
Velocidade Máxima (oficial): 260km/h
Consumo Combinado Anunciado – 8,2L/100km
Consumo Combinado Medido – 9,5L/100km

Preços:
Renault Megane R.S desde: 48.300€
Preço da viatura ensaiada: 54.100€


Carrega nas fotos e vê este Renault Megane R.S Trophy em detalhe:

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!