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Quando um concept nos mostra (realmente) o futuro

Quando um concept nos mostra (realmente) o futuro
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“O futuro camuflado”

O que é mais complicado, ou difícil de atingir quando se desenha um automóvel?

Em vez de estar aqui a dar muitas hipóteses erradas, o que um designer mais pretende quando toca com o “lápis na folha” pela primeira vez, é que a sua criação seja intemporal, e isso, nos tempos que correm é cada vez mais complicado. Porquê?

Porque o futuro parece incerto, como sempre, mas agora com o incremento de existirem novas tecnologias (como a condução autónoma) ou a propulsão elétrica (ou de outros tipos) que possibilitam novas realidades aos designers, e por isso alterações imensas no que dita o que hoje é “cool” e amanhã completamente “gasto”.

Hoje, voltamos quase 10 anos atrás, a março de 2010, a Genebra, de forma a revisitar um dos concept mais bem conseguidos da Peugeot. E que para quem não reparou na altura, este deu muita da inspiração aos modelos que fazem agora com a que a marca esteja revitalizada nas suas vendas, com novas filosofias quer no interior, quer no exterior.

Contudo, não foi um caso como o RCZ, que passou praticamente de ‘concept’ para a estrada, o SR1 não teve essa sorte. Nem ele, nem nós…

Isto porque se tratava de um modelo descapotável com capota em lona, o primeiro desde o desaparecimento do 306 Cabriolet desenhado por Pininfarina e lançado em 1994 e terminando a sua carreira já no “novo milénio”.

Mas vamos analisar o que se aproveitou deste “estudo”.

Olhando para ele conseguimos logo destacar vários elementos que encontrámos em modelos que saíram pouco tempo depois, como a grelha dianteira, que muito inspirou os 208, 2008 e 308, onde o leão não estava lá presente, tendo passado para o capot. Local para onde regressou, no restyling ao anterior 508, em 2014. Para além disso, é possível ver que as linhas vincadas da sua silhueta lateral, nos remetem para as que foram apresentadas no anterior 208.

Na traseira, os farolins foram praticamente uma pista para o que ia ser o Peugeot 308 “II”, o primeiro modelo a repetir o seu número na marca de Sochaux. E que fixava assim, que o numero “8” seria o que ficaria como último algarismo. Porquê? Porque é um número infinito, mas também porque existiu algo chamado 309…

Mas foi também no interior onde o Peugeot SR1 nos mostrou para onde íamos, no que toca à filosofia de interior, e talvez mostrou aquilo que mais destacou a marca na década passada: o i-Cockpit.

Destaca-se pelo volante algo quadrangular, de pequenas dimensões, num habitáculo que vê os seus instrumentos passarem para uma posição mais elevada, de forma a melhorar a visibilidade e “eliminar” distrações. Estas ideias tomaram lugar no Peugeot 208, lançado em 2012, enquanto o ecrã central, mais orientado para o condutor que também está aqui presente, tornou-se numa “realidade” no 308, lançado dois anos mais tarde, em 2014. Este último chegou a ser o “Car of The Year”, algo que não acontecia desde 2002, na altura com o Peugeot 307, repetindo depois o triunfo em 2017, com o Peugeot 3008.

No que toca a propulsor, também existiu aqui um certo aproveitamento, para outros três modelos da marca, o 3008 HYbrid4, 508 Hybrid4 e o mais bem-sucedido: 508 RXH, a variante SW do 508 que sairia no mesmo ano que este concept, mas dotada de uma imagem distinta e mais aventureira.

Portanto, o SR1 contava com um sistema hibrido Plug-In (algo que esses modelos acima não o eram) que juntava o motor 1.6 THP com um motor elétrico de 95cv, o que lhe dava uma potência combinada de 308cv (onde é que já vimos este número?).

O motor a combustão enviava a potência às rodas dianteiras, enquanto o mais “silencioso” entregava a potencia às rodas traseiras. A maior diferença, é que essas rodas traseiras eram direcionais, algo que a Peugeot não aproveitou, ao contrário da Renault, que oferece atualmente na sua gama, com o nome 4Control.

Assim, um concept que parecia ser apenas (e só) mais um momento de inspiração dos designers, em algo que para muitos nunca tem um interesse relevante, em algo que poderá ter mudado o sentido da marca francesa. Para além disso, demonstrou que num momento em que tudo altera a uma velocidade alucinante, um desenho pode permanecer atual e ainda ser um “objeto de desejo”.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!