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Mercedes-Benz GLC 220d

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“Espelho da mudança”

No outro dia, enquanto estava ao volante, algo que faço várias horas ao dia, e de que nunca me queixo, comecei a reparar num padrão curioso, mas que na verdade, é um espelho da mudança do mercado automóvel. Comecei a notar que, depois do Classe A, o Mercedes-Benz que mais via nas nossas estradas era o GLC, tanto este de formato mais tradicional, ou o mais arrojado Coupé.

Dobrei a minha atenção e comecei a atentar nas datas, reparando nas matrículas, e ver se depois de 2015 via mais Classe C do que estes SUV. A data não era coincidência, já que se trata do ano em que este GLC foi revelado e lançado no mercado.

Quem ganhou? O SUV, pois claro.

Depois disso, surgiu mais uma vez a questão: “Porquê? O que leva alguém a preferir um SUV a um dos automóveis mais comprovados da gama da marca alemã?” Sim, eu fiz um estudo muito pouco concreto e preciso, é verdade, mas para mim, valeu o suficiente.

Aproveitei isso e, como na verdade nunca tinha experimentado nenhum GLC, achei que agora, após o seu restyling de meia idade, seria o momento ideal para resolver essa minha “falha”.

Pois bem, aqui estamos nós frente a um GLC 220d, a versão diesel intermédia (existe o 200d e o 300d e o mais “exclusivo” 400d), em que na parte estética, o GLC “bebe” muita da inspiração do resto da gama, como seria de esperar.

A dianteira é alta, e por esta não ser uma unidade equipada com “pack estético AMG”, contava com um para-choques menos “rente” ao chão, possuindo melhores ângulos de entrada. Esse para-choques foi um dos pontos que mudou no exterior, em conjunto com as jantes que têm agora diferentes desenhos, e sobretudo os grupos óticos, tanto dianteiros como traseiros, com novas assinaturas luminosas em LED.

Ainda assim, o seu aspeto é robusto, tanto pelas suas dimensões como pelas cavas das rodas mais sobressaídas, ou as proteções inferiores, que lhe dão uma aparência mais aventureira e capaz de evasões, algo que este tipo de cliente tanto gosta. Mesmo que possa não vir a usar na sua plenitude.

Mas algo que todos aproveitamos num SUV é o seu acesso facilitado, mais alto e melhor para “entrar e sair” várias vezes por dia. É justificação? Penso que não, mas muita gente que opta por um, diz que a sua escolha foi (também) derivado a isso.

Por isso, para experimentar (e realmente é mais fácil), entro dentro do renovado Mercedes GLC. Aqui também se encontram algumas evoluções, mesmo que esta unidade não conte com todas. Para começar o seu desenho é muito parecido com o do Classe C, portanto, um bom interior com um desenho agradável, embora não tão futurista como as últimas propostas da marca.

As tais diferenças podem ser encontradas no novo ecrã central de 10,25’’, opcional, que já conta com o sistema MBUX, e por isso, com o Touchpad mais evoluído que já podemos encontrar em outras propostas da marca, um volante que conta agora com comandos tácteis, assim como um painel de instrumentos 100% digital, que nós aqui, não tínhamos…

Ainda assim, é igual ao que já testámos no C200d ou no C250d Coupé, portanto sabemos que é mais configurável que este painel “mais tradicional”, e que optando por ele, dá um ar mais “high-tech” a este interior.

Para além de apresentar um bom espaço a bordo, com uma largura e altura generosas nos assentos traseiros, é também obrigatório falar da qualidade a bordo (onde é difícil encontrar algum material menos agradável ao toque), tudo com uma montagem robusta. A bagageira é um fator que também importa num automóvel familiar como este, por isso apresenta 550L de capacidade. De forma a comparar também com o Classe C Station, este GLC apresenta mais 90L de capacidade.

Portanto, até aqui entendemos que o público aprecia bastante o estilo exterior mais “aventureiro” deste GLC, o interior também é apreciado pela sua qualidade e tecnologia aumentada, assim como o interior mais espaçoso. Mas, e na estrada?

Basicamente, a melhor maneira de o definir é: confortável.

Sim, o Mercedes-Benz GLC aqui em ensaio tinha como principal tarefa fazer-nos transportar na maior comodidade possível, e tal como o exterior não tinha “Linhas AMG”, o chassi também não tinha pretensão em vestir o “fato de treino”.

Ainda assim, o motor 2.0 (OM654) 220d apresenta na sua ficha técnica números, que mesmo que este GLE passe a barreira dos 1800kg, de respeito: 194cv e um binário máximo de 400Nm. Portanto, pode ser confortável, mas isso não quer dizer que seja “molengão”.

A gerir tudo está a transmissão automática de 9 relações, que conta mesmo com um modo manual que pode ser acionado pelas patilhas dispostas atrás do volante, e que dão jeito para quando queremos assumir (totalmente) o controlo. Mas, para quê?

Como disse acima, o que importa é o conforto. Sendo assim, é expectável que a suspensão seja mais branda, e que não adore andar “rápido” e com grandes transferências de uma curva para outra, ainda que este GLC se mostre composto e sem perdas, mesmo que esta unidade seja “apenas” tração traseira.

 

“Apenas” porque, obviamente, está disponível a versão 4-Matic, por mais 3000€, e que dá ao condutor a possibilidade de maiores aventuras, assim como um modo de condução Offroad.

 

A direção aqui também mostra que não está virada para esses “ritmos”, mostrando que prefere ser tratada com mais carinho, de forma a tornar as viagens mais relaxantes, e menos “mexidas”, isto porque temos sempre de nos lembrar que vamos a bordo de um SUV, e o centro de gravidade está mais elevado. Normal, portanto…

Quanto a consumos, aqui nota-se talvez a maior diferença face a um C, mas a culpa não é do GLC, mas sim de uma coisa chamada “aerodinâmica e arrasto”.

Isto porque é normal que um automóvel que pese mais, de maiores dimensões, e sobretudo com uma frente mais alta, o que significa uma maior dificuldade em “furar” o ar, precise de consumir mais recursos. No final, isso significa que o consumo deste GLC 220d se fica pelos 7,2l/100km, acima dos 6,0l que a marca anuncia que este modelo iria pedir a cada cem quilómetros percorridos.

Ainda aqui, no capítulo dos preços, esta unidade pedia em troca 67.790€, muito graças ao Pack Advantage que incluía o ecrã de maiores dimensões (2.317€), a Linha Exterior Off-Road (1.219€), os estofos em pele Artico (487€) e a pintura metalizada (772€).

A gama GLC começa nos 58.950€ para o motor 200d de 163cv, e os 61.100€ para o que seja equipado com este motor de 194cv.

No final, o Mercedes GLC revelou-se um excelente estradista (que possibilita alguns acessos mais esburacados, fora dos caminhos habituais), sempre com uma elevada dose de conforto, segurança e espaço. Se procura dinamismo, o GLC não será a melhor opção dentro da gama da marca. Mas o que não falta são opções, não é?


Mercedes-Benz GLC220d

Especificações:
Potência – 193cv às 3800rpm
Binário – 400Nm às 1600 ~ 2899rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 7,7s
Velocidade Máxima (oficial): 217km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 6,0l/100km (7,2l/100km)

Preços:
Mercedes GLC220d desde: 61.100€
Preço da unidade ensaiada: 67.790€


Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!