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Os cinco “sentidos” do Kia Ceed

Os cinco “sentidos” do Kia Ceed
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“Do que precisamos mais?”

“Já nem vou falar que a KIA tem vindo a sofrer uma grande evolução com o passar dos anos, e que é uma proposta igual, ou até superior, aos seus concorrentes.”

Foi isso que pensei no início deste artigo, porque o Kia Ceed que passou estes últimos dias comigo impressionou-me tanto, e em tantos fatores, que me fez pensar: do que precisamos mais?

Depois de um primeiro contacto, muito positivo, com o diesel de 136cv logo na altura do seu lançamento, chegou a vez de testar a versão a gasolina (por enquanto) mais potente deste modelo de segmento C. E, ao contrário de muitos colegas meus, não gosto de tecer logo uma opinião demasiado vincada num primeiro contacto com um novo automóvel, já que na altura tudo é novidade, os pontos-fortes são sempre demasiado destacados pela marca, e por isso, acabamos por, em certos casos, não reparar em algumas lacunas que possam existir. E com este Ceed não foi diferente: gostei dele no primeiro contacto, melhorou onde queria, mas deixei para “segundas núpcias” uma opinião mais concreta.

Agora, posso dizer que este automóvel não falha em nenhum dos capítulos em que foi desenvolvido e, em alguns, acaba mesmo por brilhar mais do que necessitava.

Vamos analisá-lo passo-a-passo.

     Estética

O Kia Ceed contou no exterior com uma tática inteligente, afastou-se da imagem do bem-sucedido Cee’d, mas não sofreu nenhuma revolução que o fizesse perder a sua imagem. Para isso, baseou-se em elementos de outros modelos da Kia, e felizmente recebeu muita inspiração vinda do Stinger, coqueluche da marca e um dos modelos que mais impressionou no ano passado. A sua dianteira é agressiva, com vincos pronunciados e um para-choques com entradas de ar com ‘recortes’ angulosos.

Tudo isso garante a este Ceed uma imagem mais desportiva que o seu antecessor com a “roupagem desportiva”.

A lateral conta com superfícies limpas, mas com detalhes a estarem presentes onde são mais necessários, como é o caso do vinco na base das portas, os frisos acetinados em redor dos vidros, ou as jantes de 17’’ polegadas, com dois tons e que preenchem bem as cavas das rodas. Aqui, destaque para as proporções, com uma linha de cintura elevada, que lhe confere um ar mais robusto, o mesmo que foi empregue na traseira.

Sim, porque com a colocação da chapa de matrícula no portão da bagageira, o Ceed consegue uma melhor imagem traseira, com um para-choques mais volumoso.

     Interior

Se no exterior a filosofia foi de evolução, o interior seguiu mais o caminho da revolução, não caindo no erro de ser muito audaz. Ou seja, conta com um interior que melhorou muito os acabamentos e montagem, sendo algo conservador nos comandos e ergonomia, o que é negativo, optando ainda pelos botões ao invés de alguns dos seus concorrentes que já optam basicamente por ecrãs táteis. No entanto, isso melhora a funcionalidade e ergonomia deste interior. Ainda assim, o Ceed conta com um sistema de infotenimento completo e bem colocado no tablier.

O fator de maior destaque no seu interior é a quantidade de equipamento deste Kia Ceed, que nesta unidade contava com todos os opcionais disponíveis, portanto: Pack Leather, que contava com bancos em pele com regulação elétrica para o condutor, arrefecidos e aquecidos até nos assentos posteriores, com o volante a contar também com aquecimento; o pack ADAS, que confere ao Kia Ceed o cruise-control adaptativo com função de trânsito, ou seja, para e arranca de forma autónoma, alerta de tráfego à retaguarda, detetor de ângulo morto, assim como estacionamento automático. O sistema de som da JBL com oito colunas e amplificador de 320W também era outro dos opcionais escolhidos, em conjunto com o teto de abrir panorâmico e faróis Full LED. O preço, falaremos mais à frente…

     Espaço a bordo

Numa tónica de evolução, também este campo foi melhorado. O Kia Ceed, não cresceu no seu exterior face ao antecessor, ao contrário do interior, agora com mais espaço para as pernas e em largura, seja na primeira ou segunda fila. Apenas em altura, graças ao novo design, perdeu um pouco, mas ainda assim é dos mais espaçosos da sua classe. Na bagageira, encontramos ainda um aumento de 15L, que lhe garante uma capacidade de 395L.

     Prestações e comportamento

Este conjunto motor/transmissão aqui presente, tornam este Ceed num dos talvez mais raros que poderemos encontrar nas nossas estradas. Trata-se do 1.4 T-GDi a gasolina, com 140cv, aliado à caixa dupla-embraiagem DCT de 7 relações, a única motorização a gasolina que permite o uso desta caixa. A não ser que o cliente queira melhores prestações, é muito possível que valha os 2000€ extra se compararmos o 1.0 T-GDi de 120cv com este 1.4 T-GDi de 140cv que oferece, para além de 20cv a mais, um incremento de 70nm de binário, assim como um cilindro extra…

Na prática, este motor é bastante refinado, conseguindo o melhor de dois mundos: uma resposta bastante digna, a troco de um consumo honesto. Ou seja, em condução em auto-estrada e extra-urbana, consegue médias abaixo dos 7 litros aos cem, só perdendo essa capacidade quando circulamos em cidade, fazendo os consumos subir para a casa dos 9 litros a cada cem quilómetros. A nossa média, depois de 500km de condução, ficou em 7,1L/100km, o que demonstra um aumento de 1,8L/100km face ao que conseguimos com o diesel, mas que é 2900€ mais dispendioso. Merece sempre fazer contas.

Dinamicamente, o KIA Ceed conta com um perfeito equilíbrio entre precisão e controlo de movimentos, com um conforto sem mácula. A direção está bem mais informativa e com melhor peso, assim como a transmissão que é agora mais suave e decidida. Apenas peca por não contar com patilhas de seleção na coluna de direção, que lhe daria uma condução mais imersiva.

     Preço

Aqui é o onde o KIA Ceed, se fosse uma pessoa, se recostaria na cadeira, cruzaria os braços e dava uma valente gargalhada. Então, esta unidade que contamos aqui, com todo o equipamento que falámos acima, ou seja, todos os opcionais, um motor de 140cv e transmissão dupla-embraiagem com sete velocidades, fica abaixo dos 30 mil euros. Um valor muito justo para um automóvel como este, que não faz nada mal, e ainda oferece um espaço interior acima da média, uma boa bagageira e um comportamento que agora já agrada até aos mais exigentes, com uma qualidade e equipamento sem mácula.


KIA CEED 1.4 T-GDi TX 7DCT

Especificações:
Potência– 140cv às 6000rpm
Binário – 242Nm às 1500 ~ 3200rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 9,2s
Velocidade Máxima (oficial): 205km/h
Consumo anunciado – 5,7l/100km
Consumo medido – 7,1l/100km

Preços*:
Gama KIA Ceed desde: 22.840€
Versão ensaiada: 24.440€
Unidade testada: 28.390€

*Preços incluem campanha KIA no valor de 4.250€


Carrega nas fotos para veres melhor este KIA Ceed:

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!