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Honda Jazz 1.3 i-VTEC Elegance Connect Navi

Honda Jazz 1.3 i-VTEC Elegance Connect Navi
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“Espécie em extinção”

O Honda Jazz é um modelo raro no nosso mercado de automóveis novos, já que muitos dos consumidores que optavam por estes mini-monovolumes se deixaram levar pelos encantos dos crossovers, que dominam o mercado e tornam obrigatória a presença numa marca que queira ser competitiva, e muitas optaram por “largar” este tipo de carroçarias.

A questão que paira é a seguinte: fez bem a Honda em manter uma proposta como o Jazz?

Nesta revisita ao modelo, acho que sim. Passo a explicar. O modelo é conhecido, o nome Jazz surgiu em 2001, e conta com mais de cinco milhões de unidades vendidas em todo o mundo. Na Europa, quase 800 mil utilizadores escolheram este modelo como seu automóvel. Desde o seu lançamento, há já 16 anos, o modelo fidelizou muito o cliente devido aos seus custos de utilização baixos, fiabilidade, e acima de tudo ao muito espaço interior, que foi sempre uma referência na sua classe.

“Esse “Cliente Jazz” quer continuar assim, em vez de ir para um território que é para si desconhecido.

Contudo, o Jazz evoluiu, cresceu e modernizou-se. O seu exterior está mais em linha com os outros modelos da marca, mais anguloso e até desportivo, mas continua com a sua silhueta típica de pequeno monovolume, mesmo que conte agora com uma traseira que apresenta farolins verticais, pela primeira vez.  Pegando na fita métrica podemos verificar que existiu um aumento de 95mm no comprimento total, o que nos faz esperar um espaço interno ainda maior, o que é verificado assim que entramos neste espaçoso interior.

Um interior muito mais moderno que a geração anterior, ainda que apresente materiais duros ao toque, notou-se um aprimoramento, com mais superfícies de contraste e até materiais a imitar pele. Os espaços de arrumação são vastos e a posição de condução elevada, com uma boa ergonomia para os comandos, embora achando que a manete da caixa de seis velocidades poderia estar posicionada de forma um pouco mais elevada. O tablier tem, como principal atributo, o sistema Honda Connect que, tal como os outros modelos da gama, é bastante completo possuindo o sistema de navegação, sistema de rádio digital, bluetooth, assim como várias entradas auxiliares, incluindo duas fichas USB, uma HDMI e ligações aos smartphones, com o Android Auto e Apple CarPlay. Contudo, o sistema não é dos mais fáceis de usar, mas como dissemos acima, é dos mais completos.

O espaço, esse é mesmo o grande ex-líbris deste modelo. Continuando referencial, apresenta ótimas quotas qualquer que seja o lado para que sigam as medições, atrás conseguem mesmo viajar três passageiros, já que o túnel de transmissão é muito baixo e a largura até aumentou face à anterior geração. Os bancos são como nas anteriores gerações, “mágicos”, que levantam a parte inferior, juntando-se com as “costas”, de forma a criar uma superfície de carga ideal para objetos mais elevados.

“A novidade, é que o Jazz pode fazer agora de cama!”

A bagageira é também ela uma surpresa, com 354 litros e um piso de carga plano e baixo, que facilita as cargas e descargas, um valor que pode ainda aumentar até 1314L de capacidade.

Portanto, até aqui, o Jazz não desilude. Agora, resta saber como se porta na estrada (nós já o experimentámos, pode ler aqui). O motor é o único disponível na gama. O 1.3 i-VTEC foi o escolhido para desempenhar essa função, com 102cv e um binário máximo de 123Nm, o que o torna dono de uns números respeitáveis, mas não espere nada desportivo.

“Espere antes simplicidade, essa que continua a ser a palavra de ordem, no “mundo do Honda Jazz”

Isto porque a condução é muito confortável e leve, sendo agora mais refinada e pronta a tolerar as imperfeições da estrada de uma forma mais composta. Em cidade sente-se bastante à vontade, sendo por isso, uma das propostas mais espaçosas para andar num espaço apertado, como são as cidades. Fora desse local, onde as curvas são feitas de uma forma mais rápida, não desilude e mostra-se composto, com um peso de direção acertado, com a vantagem de em Autoestrada contar com uma transmissão manual de seis velocidades, que consegue manter as rotações baixas de forma a baixar os consumos.

Por outro lado, a inexistência de turbo torna-o numa proposta não tão rápida como os seus concorrentes, ainda que os números anunciados não nos façam pensar nisso, com o arranque dos 0 aos 100km/h a ser feito em 11,2s e a apresentar uma velocidade de ponta de 190km/h. Para isso o Jazz pede para ser mais explorado, o que até não é uma tarefa complicada já que a transmissão é suave e de engrenamento decidido (existe também a variante de caixa CVT com 7 velocidades simuladas).

Nesta versão Elegance, como já puderam ver, o Jazz vem muito bem equipado: sistema de navegação, ar condicionado automático, aquecimento dos bancos dianteiros, sistema de acesso e arranque sem chave, vidros escurecidos, jantes de 16’’, assistente de máximos, sistema de reconhecimento de sinais, alerta de colisão iminente e de saída de faixa de rodagem. Conta ainda também com cruise-control e limitador de velocidade, bem como sensores e câmara de estacionamento traseira.

O Jazz é ainda uma proposta tentadora? Se formos a ver, sim. Evoluiu muito a parte tecnológica face à geração anterior, e na teoria teria muito a ganhar em vendas ao ser o único mini-monovolume do mercado. Contudo, o cliente mudou o foco para outros segmentos, e o Jazz, ao tornar-se num produto mais premium, aumentou um pouco os seus preços. Mas, para quem procura um automóvel fiável, com muito espaço e muito bem equipado, é uma escolha muito válida.

Honda Jazz 1.3 i-VTEC Elegance + Connect Navi

Especificações:
Potência – 102cv às 6000rpm
Binário – 123Nm às 5000rpm
Consumo Anúnciado (Medido) – 5,1l/100km (5,5l/100km)
Velocidade máxima (oficial): 190km/h
Aceleração (0-100km/h anunciado): 11,4s

Preços:
Preço Base Honda Jazz: 18.280€
Preço da versão ensaiada: 21.500€

 

Honda Jazz Elegance
16.2 Pontos
O que gostámos mais:
- Habitabilidade - Sensação de fiabilidade - Consumos - Mala
O que gostámos menos:
- Apenas escolha de um motor - Pouca oferta de personalização
Resumindo e concluíndo:
O Honda Jazz continua igual a si proprio, com uma imagem bastante vincada, totalmente comprometido com o conforto da família graças ao seu imbatível espaço interior. O Motor 1.3 i-VTEC não é nenhum corredor, mas oferece, por outro lado, bons consumos.
Motorização16.5
Perfomances13.5
Comportamento14
Consumos17
Interior16.5
Habitabilidade18.5
Materiais/Qualidade de construção16.5
Equipamento de Série17.5
Value for Money16
Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!