Início Ensaios DS 3 Crossback 1.2 Puretech 100 Performance Line

DS 3 Crossback 1.2 Puretech 100 Performance Line

DS 3 Crossback 1.2 Puretech 100 Performance Line
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“Em busca da medalha de ouro”

Depois de testar a versão mais potente do DS3 Crossback, foi agora a vez de pegar na chave da versão equipada com o motor de “entrada”, o mesmo bloco 1.2 Puretech mas com 100cv. Será que até nesta versão mais comedida este DS mostra que a marca quer mesmo alcançar a ‘medalha de ouro’ e destacar-se no segmento dos premium?

Desde 2014 que a DS Automobiles se afastou da Citroën, e isso tornou-se ainda mais uma realidade devido ao sucesso que o anterior DS3 teve, com uma carreira longa e com bons números. Agora, a marca é suficientemente autónoma para criar modelos específicos, sem que tenham nascido na marca do ‘double chevron’, e enfrentar as marcas premium alemãs, mas sem as atacar diretamente. Como? Ao optar por um estilo diferente, mais “fora da caixa”, e com uma classe tipicamente francesa.

Este pequeno crossover, o segundo modelo da DS Automobiles “2.0”, chega apenas nove meses após o lançamento do DS7 Crossback, um modelo que está a ter uma carreira interessante, com grande parte dos seus clientes a “saírem” das tradicionais marcas premium alemãs (donas de 70% do mercado), de forma a experimentarem o tal “savoire faire” que a marca tanto apregoa.

Pois bem, este DS3 Crossback alberga debaixo do capot o mais pequeno (e menos potente) motor da gama, ainda que na sua imagem nada disso seja refletido. Porque para além da imagem mais dinâmica e musculada do modelo (muito graças às suas proporções e rodas colocadas bem aos cantos da carroçaria), esta unidade contava com a linha de equipamento DS Performance Line. Não lhe dá “pozinhos mágicos”, mas confere ao exterior e interior uma imagem mais desportiva.

Na parte externa deste DS3 Crossback podemos ver que os cromados da versão Grand Chic passaram a contar com um acabamento preto mate rugoso, assim como todos os frisos que perderam esse aspeto e ficaram tingidos de um preto brilhante. As jantes, de série também de cor preta, fazem equilíbrio com o teto da mesma cor, que contrasta com a garrida cor Gold Imperial, exclusiva do modelo, dando a sensação de um tejadilho flutuante, elemento que se destaca a par dos “puxadores invisíveis” ou o pilar B, inspirado no anterior DS3.

No interior existem mais substituições, com a pele a dar lugar à alcântara, e os pespontos a tomarem as cores desportivas da marca (vermelho, branco e dourado), num habitáculo inovador e futurista, onde os losangos são reis e senhores!

O tablier conta com muitos elementos táteis nas teclas de atalho para o ecrã central de 10,3’’, com boa definição e que toma conta de muitas das funções necessárias, nomeadamente da climatização, que peca por não ter opção de ser Bi-Zona. O painel de instrumentos é personalizável e 100% digital, no entanto, poderia ser maior na sua dimensão. Ainda assim, conta com tudo o que é necessário.

O habitáculo acaba por ser confortável, com os bancos a terem um bom toque e apoio, fazendo-nos sentir bem aconchegados no interior do DS3 Crossback. Na frente, graças à ampla regulação dos assentos, conseguimos uma boa posição de condução, onde a DS colocou um volante de dimensões “normais”, que fica aqui muito bem.

No entanto, esse conforto não se espelha totalmente no espaço. Como é normal neste tipo de automóveis (crossover premium de segmento B), o espaço não é abundante, ainda que exista uma boa área para as pernas. De qualquer maneira, aconselhamos a viajaram apenas quatro ocupantes, para irem com uma boa dose de conforto, sem “apertos”.

Avisamos desde já que, se forem crianças, se vão queixar da visibilidade, visto que a superfície vidrada atrás não é muito grande, graças ao tal detalhe do pilar B.

A bagageira de 350L de capacidade está um pouco abaixo da média do segmento (de forma a dar mais espaço aos passageiros traseiros, o DS3 Crossback mete apenas 4,12m), e graças ao rebatimento assimétrico dos bancos pode crescer até mais de 1000L.

Condução:

No nosso último contacto com este modelo (ler aqui), o motor era o mesmo, mas com prestações diferentes graças aos seus 155cv e caixa automática de 8 velocidades. Agora, a potência decresce para os 100cv e a transmissão passa a ser manual, com 6 velocidades.

É obviamente notória a diferença, mas dizer que a potência é insuficiente é perfeitamente errado. Os 1245kg mostram-se ‘leves’ para os 100cv deste bloco, que se mostra até expedito (desde que não se lhe peça mais do que o normal), com boa capacidade de aceleração e recuperação em cidade, ainda que no cronómetro a variante de 155cv seja “outro mundo”.

Fora da cidade, o que mais impressionou foi o conforto acústico, a fazer com que se ouça pouco este tricilíndrico no interior, e que graças ao correto escalonamento da transmissão suave e com boa engrenagem consegue manter as rotações em regimes aceitáveis, e manter os consumos na ‘casa’ dos seis litros aos cem, algo perfeitamente tolerável. As suas reações dinâmicas são também aceitáveis, sem um rolar excessivo da carroçaria e com um bom compromisso, já que não peca no conforto a bordo, algo para o que as jantes “mais pequenas” de 17’’ contribuem.

No final, o DS3 Crossback volta a deixar nota positiva. Não é um automóvel fácil, e não vai agradar a todos com os seus detalhes estéticos bastante vincados. Mas já vimos que, neste “mundo”, esse aspeto pode fazer (e muito) a seu favor. Tirando isso, é um automóvel agradável de conduzir, principalmente em percursos citadinos devido à sua agilidade, com um motor de “apenas” 100cv, mas que se mostrou suficiente, e que está disponível por pouco mais de 30 mil euros.


DS3 Crossback 1.2 Puretech 100 Performance Line

Especificações:
Potência – 100cv às 5500rpm
Binário – 205Nm às 1750rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 10,9s
Velocidade Máxima (oficial): 181km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) –4,7l/100 (6,2l/100km)

Preços:
DS3 Crossback desde: 27.877€
Versão ensaiada: 30.759€
Unidade ensaiada: 36.059€


Clica nas fotos e vê em maior detalhe o DS3 Crossback: 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!