Início Ensaios Dacia Duster 1.2 TCe 125 4X2

Dacia Duster 1.2 TCe 125 4X2

Dacia Duster 1.2 TCe 125 4X2
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“Simplesmente vencedor”

A simplicidade é, por vezes, uma das maiores características que algo pode ter. E quando penso em simplicidade automóvel, nos tempos modernos, lembro-me desde logo do Dacia Duster, o modelo que realmente deu a conhecer a outrora pequena marca romena surgida em 1966, e depois adquirida pela Renault em 1999.

Como é que, numa era onde as inovações são um elemento tão necessário, onde a cada dia as tecnologias e conceitos evoluem, uma marca tão simples como esta consegue vingar de forma tão tremenda? De uma forma simples e eficaz: pelo preço.

A Dacia entrou assim no mercado português em 2005, de rompante, com uma carrinha de sete lugares, a Logan MCV apresentada no Salão de Lisboa desse ano. Até aí, tudo muito morno, mas foi quando surgiu a primeira geração deste modelo que temos em ensaio que tudo mudou.

“Um jipe, por esse preço?”

Sim. As pessoas começaram a entender que o que importava era mesmo o que se pagava e se trazia para casa, e viram no Duster uma proposta equilibrada. Mas, na altura, a tecnologia no Duster era coisa que não estava muito presente, tal como muitos elementos que podíamos encontrar num Renault… com dez anos de idade!

Pois bem, nova geração, e temos um Duster completamente novo. Não há elementos iguais, tudo foi revisto.

Em termos estéticos, ocorreu uma evolução, que para quem conhece a primeira geração, esta segunda até com símbolos tapados seria descoberta. A dianteira continua a contar com uma grelha muito similar à usada pela geração anterior, ainda que tudo esteja mais harmonioso e moderno. Está mais elegante. A traseira é a secção que mais alterações sofreu, com um interessante grupo ótico, que para muitos pareceu um “alvo”. Esperemos que assim não seja usado…

Mas é no interior que este modelo se “revoluciona”. Não se pense que começou a contar com plásticos moles ou outros elementos mais luxuosos. Não. O interior continua a ser composto apenas por plásticos rijos, mas agora com melhor aspeto e uma montagem que também melhorou, com menos materiais sobrepostos ou arestas aguçadas. O desenho também está mais bem conseguido, os comandos dos vidros passaram para as portas, exemplo de uma melhor ergonomia geral que o modelo apresenta agora. Os comandos do ar condicionado são também um exemplo válido, modernos e eficazes.

O painel de instrumentos conta também com um computador de bordo atualizado, auxiliado ainda pelo sistema Media Nav que embora não seja o mais aprazível aos olhos, cumpre a sua função. O volante, transita do último restyling que o Duster sofreu, com quatro braços e revestimento em pele.

Também revestidos nesse material são os bancos, de série nesta versão Prestige, a mais equipada, que também oferece pela primeira vez o sistema de monotorização de ângulo morto, sensores de estacionamento, bem como sistema multi câmara e a chave de acesso e arranque mãos livres: um autentico “salto tecnológico”, ainda que os dois últimos sejam opcionais, mas baratos, como assim deve de ser.

No conforto, podemos constatar que os bancos passaram a ter um novo desenho e oferecem mais regulações e um superior apoio lateral. Atrás, o espaço é suficiente para três passageiros e suas respetivas bagagens, já que a bagageira, apesar de ter diminuído um pouco, ainda apresenta 445L de capacidade.

A animar esta unidade contamos com uma outra novidade, o 1.2 TCe (que deverá ser depois substituído pelo 1.3 TCe) e que tem 125cv, ideal para quem não faz muitos km e pretende poupar 3.000€ face ao mais poupado diesel de 110cv.

Este é bem mais suave que o diesel, no entanto, é mais que notório o cuidado com a insonorização desta nova geração face à anterior, assim como o acerto de suspensão, que continua a sofrer de adornamento nas curvas. Mas tudo isso tem uma razão, que já falaremos mais à frente.

A transmissão é agora de 6 velocidades, o que permite poupar combustível e reduzir rotações deste pequeno propulsor turbo a gasolina, que consegue perfeitamente fazer uma vida mista, entre a cidade e a autoestrada. Os consumos ficaram-se pelos 6,6l/100km, algo acima do anunciado pela marca, mas justo tendo em conta os pneus mistos e a “elevada” altura ao solo.

Estes dois últimos pontos importam, porque se o Dacia Duster não estiver à vontade fora do alcatrão, não é um “Verdadeiro Duster”, portanto, vamos saber como se porta:

Continua muito idêntico à geração anterior, o que é ótimo, com uma grande facilidade em ultrapassar algumas dificuldades, sempre tendo noção de que este motor a gasolina só está disponível em tração dianteira. Os caminhos de gravilha são passados sem problemas, e a sua altura ao solo consegue passar algumas pedras mais elevadas. A câmara que agora permite ver a dianteira e a lateral a baixas velocidades ajuda bastante a colocar o modelo da melhor forma.

Mas quanto a isso, falemos numa próxima oportunidade, quando compararmos os Duster dCi 4×2 vs 4×4.

O que importa referir neste primeiro impacto é que o Duster realmente evoluiu, não é uma proposta para quem pretende muito luxo, mas está mais perto disso. O seu conforto melhorou, devido à melhor insonorização e equipamento. O motor a gasolina vale a pena para quem fizer menos de 30.000km por ano, e o seu preço, pronto, é imbatível: desde 18.400€ para esta versão Prestige, e se incluirmos todos os opcionais, fica abaixo dos 20.000€.


Dacia Duster 1.2 TCe 125 4×2 Prestige

Especificações:
Potência – 125cv às 5300rpm
Binário – 205Nm às 2300rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 10,4s
Velocidade Máxima (oficial): 177km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) –6,2/100km (7,2l/100km)

Preços:
Dacia Duster desde: 14.900€
Preço da versão ensaiada: 19.810€


Carrega nas fotos e vê este Dacia Duster em detalhe:

 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!