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Cupra Ateca 2.0 TSi 300 4Drive

Cupra Ateca 2.0 TSi 300 4Drive
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“Verdadeiramente desportivo”

Cupra. Nome relativamente recente, que surgiu em 1996 após a primeira vitória da SEAT no campeonato do mundo de ralis, e que desde aí lançou modelos desportivos dos seus modelos, desde o Ibiza ao Leon, com motores gasolina ou diesel. Foi a parte mais emocional da marca espanhola, a tornar-se num nome respeitável tanto para os amantes da marca, como para os de automóveis desportivos.

Agora, a Cupra passa a ser uma marca autónoma, uma divisão verdadeiramente desportiva, e independente da Seat. Será que isso faz sentido? E mais ainda, será que o primeiro modelo da marca, deveria ser um SUV?

Vamos responder a isso, nas próximas linhas.

Para começar, a mais fraturante: um SUV, para primeiro desportivo de uma marca? Sim. E tem lógica, é um segmento que cresce a olhos vistos, e neste momento não existiam SUV compactos com performances bem acima da média, pelo menos com preços mais “terra a terra”. Portanto, pegar no Ateca (que por si só já tem um comportamento dinâmico bastante decente) e colocar-lhe um motor 2.0 TSi de 300cv do Leon Cupra, só pode dar bom resultado.

Criaram um nicho de um segmento em forte crescimento.

E isso é uma das respostas para que a Cupra tenha passado a ser uma marca independente, de forma a conseguir encontrar um cliente especifico e com outro poder de compra, que procura um automóvel desportivo, mas que não quer ter um símbolo generalista na grelha. Alguém que gosta de se destacar da multidão e de sentir uma exclusividade extra.

Esteticamente, o Cupra Ateca destaca-se pela sua maior desportividade. Os para-choques são distintos, sendo mais alongados, com diferente padrão e desenho, com maiores entradas de ar. As superfícies em plástico negro desaparecem e dão lugar à mesma cor que reveste o resto da carroçaria. As jantes de 19’’, as quatro saídas de escape e o “orgulho” na palavra Cupra, disposta em vários locais da carroçaria, não enganam que estamos perante um automóvel especial.

Este está mais próximo do asfalto, já que a suspensão foi fortemente revista, o que também ajuda a dar uma imagem mais radical. Os símbolos da Seat já não aparecem, e são formados agora pelo logo da Cupra, que mais parece pertencer a um super-herói de um filme realizado por Christopher Nolan.

Passando para o interior, não foi feita uma revolução, e tal como o exterior opta antes por toques que lhe deem a exclusividade necessária e possível, tendo em conta que a base é a de um Seat Ateca. Portanto, o volante é a maior diferença com o mesmo logo a estar sobre um fundo a imitar fibra de carbono, padrão que também é encontrado nos assentos, que aqui eram revestidos em couro e alcântara, mas que podem ser só em couro, ou então substituídos por umas bacquets, sendo que todos eles contam com os pespontos em acobreado, a cor da Cupra.

O painel de instrumentos digital puxa a nossa atenção, é de série no Cupra Ateca, mas já existe no SUV da Seat desde o ano passado, como opcional, embora aqui conte com elementos exclusivos. A posição de condução é confortável e desportiva, graças aos amplos ajustes que nos permitem encontrar a posição ideal. Ao centro está o comando rotativo que nos permite alterar o caráter deste SUV desportivo, desde o Normal, Sport, Cupra, passando pelo modo Neve, Areia e Individual.

O resto do interior acaba por ser muito parecido a um Seat Ateca com tração integral, sendo espaçoso para quatro passageiros (já que o túnel central é generoso) e com uma bagageira com 485l de capacidade.

O motor, como já disse acima, é o 2.0 TSi, quatro cilindros turbo, que desenvolve 300cv de potência e um binário máximo de 400Nm, tudo a ser orquestrado pela única transmissão disponível, a DSG de sete relações, que envia toda essa “brutidade” para as quatro rodas, algo que a Cupra já tinha feito anteriormente.

Na prática, podemos até comparar este Ateca diretamente com o Leon, já que os seus números são bastante idênticos, com este SUV a perder apenas 0,3s no arranque dos 0 aos 100km/h face ao hatchback, mas que acaba por ser super eficaz em curva graças ao seu sistema de tração integral, com a suspensão rebaixada em 10mm a garantir uma boa absorção mesmo em mau piso, mas também graças ao sistema DCC (suspensão adaptativa), que garante que não existe muito rolamento de carroçaria.

Essa mesma tração integral 4Drive é a responsável pela aderência extra, implacável em curvas longas e rápidas, mas com uma entrada em curvas lentas e mais fechadas que tem de ser feita de forma mais cautelosa (ou seja, entrar um pouco mais lento, evitando a sobreviragem), para “esmagar” o acelerador mais cedo e sair de curva bem mais rápido comparativamente a um tração dianteira, já que as rodas traseiras também ajudam na busca por aderência e empurram este Cupra até à próxima curva.

O motor é efetivamente um poço de força, com a DSG a mostrar que é a companheira ideal para fazer escalar a velocidade, seja em modo Sport ou Manual. Aqui, apenas achámos que as patilhas de seleção montadas atrás do volante mereciam ser um pouco maiores e terem um acabamento mais premium.

A direção é bem direta e bem calibrada (as mãos praticamente não saem do lugar e o peso é bom), basta apontar e carregar no pedal da direita com confiança, a frente insere e a traseira segue. Os mais de 1600kg não se fazem sentir muito, apenas no limite, com o peso a estar “muito em cima”, mas quanto a isso não há milagres, é a física.

A saída de curva é ainda mais impressionante, mérito da tração integral, que coloca toda a potência no chão, com o modo Cupra a fazer com que o som de escape fique mais ‘hardcore’, com alguns “estalidos e rateres” capazes de entusiasmar mesmo quem não ache piada a um SUV desportivo. Os travões aqui montados eram os de série, maiores do que os de um SEAT, mas menores que os opcionais Brembo de que a Cupra propõe. Vale a pena optar por esses, já que o peso e potência obrigam.

Como sumário: dinamicamente impressiona, assim como consegue ser perfeitamente utilizável no dia-a-dia, no modo Comfort em auto estrada ou cidade, bem insonorizado e confortável. Não olhando para o símbolo, quase diríamos que consegue adotar uma outra personalidade.

Os consumos, bem, os consumos, esses não são iguais aos de um TDi que temos disponível na SEAT, se procura isso, o melhor é ir até lá, mas calculo que se está disposto a gastar mais de 53.000€ por um automóvel como este, não estará muito preocupado. Estes 300cv pedem de beber, com o consumo misto a ter ficado perto dos 10l/100km, sem qualquer cuidado de poupança. Contudo, houve um dia em que foi utilizado como um automóvel normal, e baixou dos 8l/100km, um valor bem aceitável.

No final, este Cupra Ateca merece o nosso respeito, é um SUV que se esforçou e que consegue entreter e causar adrenalina como um desportivo de segmento C. Manter ritmos bastante vivos não é nada difícil, e a sua tração garante aderência mesmo em pisos muito molhados. Agora, imagine juntar a potência e diversão, a um automóvel que pode levar passageiros com muito conforto, respetivas bagagens e nem se preocupar muito se passa por aquele caminho ou não. Não faz TT, mas também não vai deixar pedaços de para-choques para trás, como os seus rivais “mais baixinhos” deixariam…


Cupra Ateca 2.0 TSI 300 DSG7 4Drive 

Especificações:
Potência – 300cv às 5300~6500rpm
Binário – 400Nm às 2000~5300rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 5,3s
Velocidade Máxima (oficial): 247km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) –7,4l/100 (10,3l/100km)

Preços:
Cupra Ateca desde: 52.494€
Unidade ensaiada: 54.489€


Vê as fotos, e conhece este “Super Suv” Cupra em detalhe: 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!