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Citroën C4 Cactus 1.2 PureTech 110 EAT6

Citroën C4 Cactus 1.2 PureTech 110 EAT6
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“Juste une pied”

O Citroën C4 Cactus é, sem dúvida, um ex-libris da marca francesa. O seu design, que à primeira vista parece sem compromissos, junta-se a um bom espaço interior, à ampla gama de motores e um preço simpático para criar um produto apetecível para quem quer sair do “cinzentismo” que invade grande parte do parque automóvel nacional.

O C4 Cactus regressa agora com um conjunto motor/transmissão que ainda não tínhamos ensaiado. Com o 1.2 Puretech de 110cv a gasolina a estar ligado à caixa automática de seis velocidades, como a usada na C4 Picasso ou no novo C3, o Cactus fica agora a contar com uma transmissão verdadeiramente automática, começando a deixar para trás os tempos da caixa manual robotizada, como a que ainda foi usada no início de comercialização deste modelo.

De forma a relembrar, o C4 Cactus surgiu em 2014, montado na mesma plataforma dos “primos” Peugeot 208 e 2008. Continuando ainda muito actual, posiciona-se entre o C3 e C4, factor que pode agora complicar-se com a entrada em comercialização do C3 Aircross.

Este modelo foi, desde o início da sua carreira, uma proposta válida como alternativa às berlinas compactas do segmento C. Do seu design inovador sobressai a frente com linhas simples e robustas, com destaque para os duplos faróis dianteiros e para os Airbump, tecnologia patenteada pela Citroën que reveste os quatro cantos da carroçaria. A personalização faz parte do espírito deste modelo, o que pudemos ver nesta unidade, seja das jantes, nas conchas dos espelhos ou mesmo nos AirBump.

O interior segue, tal como no exterior, um desenho minimalista e simples, com superfícies planas e poucos botões, com a maior parte das funções a estarem centralizadas no ecrã táctil. Ao volante, a posição é correcta e sobretudo confortável. Aqui notamos também que as informações do painel apenas nos mostram as coisas mais necessárias: o nível de combustível, os quilómetros e a velocidade a que circulamos. Para o resto? Dirija-se ao ecrã central. Conta-rotações? Não tem, tem antes um indicador de mudança, simples, como assim deve ser.

Ainda na frente, destaque para o grande espaço livre para as pernas do passageiro, devido ao porta-luvas de grandes dimensões estar situado no parte superior do tablier, graças à passagem do air-bag para o topo do para-brisas, não influenciando em nada a segurança em caso de colisão.

Nos lugares traseiros temos talvez o facto que tenha sido mais difícil de “engolir” pelos milhares de proprietários de C4 Cactus em toda a Europa. Falamos claro dos vidros que abrem apenas em compasso, essa particularidade é explicada por três factores:

Custos; espaço do mecanismo, que sendo assim, é possível “escavar” mais a porta e dar um confortável espaço para três passageiros; e o peso (-11kg). Este último factor é de facto notado em vários componentes do C4 Cactus, como o capot em alumínio, por exemplo, tudo pensado de forma a conferir uma melhor eficiência.

A bagageira não conta com os melhores acessos, mas a capacidade é razoável, apresentando 358L capazes de ser aumentados graças ao rebatimento assimétrico dos bancos traseiros.

Porém, como é conduzir um C4 Cactus?

É, acima de tudo, uma experiência tranquila. Devido ao conforto, à facilidade de condução e à leveza dos comandos, agora ainda mais simples devido a esta nova transmissão automática, construída pela japonesa AISIN e que se junta exclusivamente com o motor a gasolina de 110cv.

Este propulsor mostra-se bastante disponível a baixos regimes, graças ao seu turbo que lhe confere aquele pulmão extra nos arranques ou nas recuperações, bastante perceptível se compararmos com a versão aspirada de 82cv, também disponível neste modelo. A EAT6 colabora muito bem, oferecendo passagens rápidas e suaves, bem como poucas hesitações, mesmo em manobras mais lentas. Dinamicamente, o C4 Cactus não é, nem deve ser, encarado como um desportivo, mas consegue ser bastante benigno em reacções, podendo sem qualquer problema ser usado como um verdadeiro carro de família.

Quanto ao equipamento, este conjunto motor-caixa, só pode ser escolhido no nível mais elevado, Shine, que conta já com ar condicionado automático, vidros traseiros escurecidos, jantes de liga-leve de 16’’, sistema de navegação, cruise-control com limitador de velocidade e acendimento automático das luzes, bem como sensores de chuva. Como opcional, esta unidade contava com o tecto panorâmico (700€) que não contém cortina, mas um tratamento contra os raios UV, e a câmara e sensores de estacionamento traseiros (300€).

Este é o melhor Citroën Cactus de todos, com o motor 1.2 Puretech com “provas dadas” devido aos seus custos de utilização relativamente baixos e às boas performances. Agora, com esta transmissão, torna-se ainda mais relaxante conduzir um C4 Cactus. Se faz muitos quilómetros, compreendemos a decisão do Diesel, agora, se faz poucos, faça-nos um favor: opte por este motor.

Citroën C4 Cactus 1.2 PureTech 110 EAT6 Shine

Especificações:
Potência – 110cv às 5500rpm
Binário – 205Nm às 1500rpm
Consumo Combinado Anunciado – 5,1L/100km
Consumo Combinado Medido – 6,4L/100km
Aceleração 0-100km/h: 10,7s (oficial):
Velocidade máxima (oficial): 188km/h

Preços:
C4 Cactus desde: 14.490€
Preço base da versão ensaiada: 23.360€
Preço base da versão ensaiada (c/opcionais): 25.460€

Cactus 1.2 PureTech EAT6
16.1 Pontos
O que gostámos mais:
- Espaço Interior - Transmissão/Motor - Desenho Interior e Exterior
O que gostámos menos:
- Abertura Vidros traseiros em compasso - Vidros Eléctricos sem função automática
Resumindo e concluíndo:
O Citroën C4 Cactus, é, nesta versão, o seu melhor conjunto. O motor que já conhecíamos, encaixa aqui bastante bem, devido ao baixo peso do modelo francês, enquanto a caixa automática, gere tudo da melhor maneira.
Motorização16
Perfomances16.5
Comportamento16
Consumos17
Interior15
Habitabilidade17
Materiais/Qualidade de construção15.5
Equipamento de Série16
Value for Money16
Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!