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Alfa Romeo Giulia 2.2D Super 8AT

Alfa Romeo Giulia 2.2D Super 8AT
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“Melhor ainda”

O Alfa Romeo Giulia foi ensaiado por nós logo na altura do seu lançamento em território nacional. Impressionou-nos de imediato nesse primeiro contacto devido à sua condução entusiasmante, pelo incremento de qualidade geral e pelo seu exterior muito elegante. Mas quem também mereceu uma boa nota foi o motor Diesel de 180cv. Contudo, achámos que a caixa de oito velocidades automática ficaria bem melhor no lugar da manual de seis velocidades, que daria um melhor conjunto…

E se achávamos, concluímos isso, logo após os primeiros quilómetros, ou mesmo metros. Isto, porque temos em ensaio novamente o Giulia 2.2 Diesel de 180cv, no nível de equipamento Super, mas agora com a excelente caixa de velocidades, feita em parceria com a ZF. Esta, de dupla embraiagem e 8 velocidades, é exímia em explorar o máximo de um motor e fá-lo neste caso.

Apenas relembrando, o Alfa Romeo Giulia celebrou o regresso da marca transalpina aos “tracção traseira”, território no qual já foram muito felizes, juntando a isso o regresso a uma imagem premium, que infelizmente se foi desgastando, efeito que o Giulia quer eliminar. E pode mesmo almejar a isso, já que os esforços, quer em tempo, quer em capital, foram vastos. A marca Italiana melhorou a construção, com o uso de melhores materiais, bem como uma montagem mais cuidada, e os sistemas de segurança seguem também as mais recentes tendências. A gama Giulia está ainda reforçada por uma ampla gama de motores, três diesel e três gasolina, onde se inclui o ‘brutal’ Quadrifoglio de 510cv, que mostra que a marca, para além de querer ganhar lugar no segmento, quer também vencer no que toca aos verdadeiros desportivos.

Mas voltemos à ‘terra’ e ao nosso diesel de 180cv. O exterior é tipicamente Alfa, tipicamente elegante. A longa frente guarda a grelha em triângulo invertido, com padrão em favo de mel, o que faz a “feia” matrícula passar para o lado direito, dando uma imagem mais limpa, onde os longos faróis ameaçam quem vai à sua frente. Visto de perfil, a sua imagem lembra a de um coupé, onde abunda a elegância, seja no recorte da superfície vidrada, seja através das muito bonitas jantes opcionais de 19’’, que escondem um sistema de travagem da Brembo, com as pinças pintadas a vermelho. A traseira é a continuação da beleza do restante conjunto, com destaque para os farolins traseiros e a dupla saída de escape, colocada no difusor traseiro.

O interior, ou cockpit, como lhe prefiram chamar, é uma montra das melhorias efectuadas pela Alfa Romeo. Sentado no lugar do condutor, sentimos de imediato uma forte ligação com o automóvel. Em posição baixa e com as pernas bem esticadas, conseguimos sentir que as viagens podem (e irão) ser bem agradáveis. O volante bem dimensionado esconde as patilhas de selecção da caixa automática. A consola conta com linhas simples, mas elegantes, muito devido ao ecrã de 8’’ polegadas, que é controlado através do joystick rotativo colocado na consola central. É certo que necessitamos de alguma habituação, mas passado pouco tempo já estamos completamente familiarizados com o sistema Alfa Connect.

Não há mais tempo a perder, temos de vos contar como é conduzir um Alfa Romeo Giulia equipado com caixa automática!

Para o ligar, basta carregar no Start, colocado estrategicamente no volante. Inicia logo aí, com esse toque, uma questão emocional, uma questão de entender o que é realmente ter um Alfa, e porque escolhemos um automóvel desta marca.

A escolha é muito emotiva, sobretudo quando o Giulia apaixona pelas suas linhas tipicamente Italianas e pelo seu interior bem conseguido. O propulsor Diesel de 180cv faz chamar a nossa veia de desportista, mas no final de toda essa questão emotiva vem também uma velha máxima que está, cada vez mais, desactualizada: As caixas manuais dão mais prazer de condução.

Pois, aqui está uma contradição, no caso do Giulia isso está errado. Não porque a manual seja má, não o é, mas porque esta ZF de 8 relações é boa demais. Em andamento, o Giulia prima pelas suas reacções rápidas, graças à sua leveza, a direcção é muito directa e com o passar dos quilómetros torna-se viciante e fácil de inserir em curva com toda a confiança, sem que haja alguma reacção forma do normal. O motor é, aqui, ainda mais explosivo. Podendo ser “afinado” graças a três modos do condução, All-Weather, Normal e Dynamic, este mostra que pode ser usado em regimes médios-altos, sempre com uma boa resposta, e o que poderia ser melhor para isso, do que uma caixa automática?

As passagens são muito rápidas, sem hesitações, as patilhas em alumínio dão mais um sinal da qualidade que tanto aumentou neste modelo, mesmo sendo fixas estão sempre na ponta dos dedos caso precisemos de lhes “dar um toque”. Aqui, temos mais uns truques, ou seja, uns atalhos. Primeiro, estas patilhas permitem o ‘multi-change down’, ou seja, permitem múltiplas reduções. Imagine que circula em 7ª velocidade, a 100km/h, e quer fazer uma curva mais apertada que deverá fazer em 3ª, basta um toque prolongado, que a transmissão vai reduzindo sempre que possa, o mais rápido possível, de forma a fazer de travão motor. Mas não só de performances trata esta caixa de velocidades. No modo mais poupado, o All-Weather, esta consegue fazer um excelente modo ‘coasting’, ou seja, em Auto-Estrada ou em percurso extra-urbano, baixa ao máximo as rotações, de forma a melhorar os consumos. Depois, ainda existem dois toques de genialidade. Quer meter em neutro e não quer tocar na manete que se encontra na consola central, não tem problema! Basta apertar as duas patilhas simultaneamente, e já está. Óptimo para quando estamos parados nos sinais luminosos. Para arrancar, basta tocar na da direita e está engrenada novamente.

Na prática, esta caixa de velocidades é mesmo a escolha certa, não nos tira prazer de condução, pelo contrário, dá ainda mais. Os consumos até saem beneficiados, já que a gestão automática faz maravilhas. Esses números também podem ser prejudicados, já que o toque de redução sabe bem e os 180cv pedem para serem usados, graças ao chassis muito bem afinado e às suspensões que transmitem um bom feeling, tal como os travões, sobredimensionados, que dão uma confiança extra.

Até agora só falámos bem, mas haverão contras? Digamos que não são contras, por exemplo, certos equipamentos deveriam ser de série, como é o caso do espelho electrocromático ou do rebatimento assimétrico dos bancos. Mas, se os Alemães também pedem isso como opcional, porque é que este Italiano não o pode fazer? Portanto, temos um automóvel elegante, com uma condução cativante, graças a um motor disponível e a uma caixa de velocidades isenta de erros. O interior é agradável e em linha com o melhor que se faz neste segmento. Ficámos com água na boca para as outras versões…

Alfa Romeo Giulia Super 2.2 Diesel180cv AT8

Especificações:

Potência – 180cv às 3750rpm
Binário – 450Nm às 175o rpm
Consumo Combinado Anunciado – 4,2L/100km
Consumo Combinado Medido – 6,6L/100km

Preços:
Alfa Romeo Giulia desde: 41.750€
Preço base da versão ensaiada: 47.250€
Preço da viatura ensaiada com extras: 54.900€

Giulia 2.2 Super 8AT
16.3 Pontos
O que gostámos mais:
- Experiencia de condução desportiva; Caixa de velocidades; Imagem exclusiva
O que gostámos menos:
- Demasiados opcionais
Resumindo e concluíndo:
O Giulia é um forte oponente para o segmento dos familiares médios premium, tem um conteúdo prometedor. A tarefa é difícil, mas a Alfa Romeo fez bem o "trabalho de casa". A caixa de velocidades automática torna-o ainda mais delicioso de guiar (pilotar).
Motorização17
Perfomances17.5
Comportamento18
Consumos16
Interior16.5
Habitabilidade15
Materiais/Qualidade de construção16.5
Equipamento de Série14.5
Value for Money15.5

“A pontuação acima é totalmente da nossa opinião. Esta, tem a ver com o modelo e versão ensaiadas, tendo em conta o segmento onde a mesma se insere.”

Legenda da pontuação:
0-5: Mau;
5-10: Satisfaz Pouco;
10-15: Razoável;
15-17: Bom;
17-19: Muito Bom;
19-20: Excelente;

 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!

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