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Alfa Romeo Giulia 2.2 TurboDiesel 190cv B-Tech

Alfa Romeo Giulia 2.2 TurboDiesel 190cv B-Tech
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“À maneira Italiana”

O Alfa Romeo Giulia, lançado em meados de 2016, tratou-se de um momento de viragem para a marca de Arese, com a construtora a ir “a fundo” no desenvolvimento do modelo de forma a ter um verdadeiro rival para as propostas premium, e conseguir com isso um retorno aos tempos áureos. Nem mesmo a tração traseira se escapou de voltar. E ainda bem!

Agora, três anos volvidos desde que chegou ao mercado, voltámos a bordo do Alfa Romeo Giulia, de forma a conhecer o renovado motor diesel, que graças a “mexidas” para cumprir as novas regras WLTP ganhou 10cv, passando a contar com 190cv, e apenas essa opção diesel.

De caminho, a elegante berlina recebeu também uma nova versão denominada B-Tech, que passa a estar acima da Super, e se destaca por elementos estéticos em negro, assim como maior equipamento tecnológico.

Antes de avançar para o ensaio propriamente dito, vamos a números. Os das vendas.

O ano de 2018 não foi muito simpático para o Giulia, que viu as suas vendas decair, somando pouco mais de 17 mil unidades vendidas, longe do trio alemão, mas conseguindo ficar à frente da Jaguar (com o XE) e da Lexus (com o IS). Contudo, isso pode ser explicado pelo aparecimento do Stelvio (em 2017) e que viu em 2018 as suas vendas atingirem as 30 mil unidades, espelhando bem o agrado dos consumidores nos SUV.

Mas o Alfa Romeo Giulia não é um bom produto? É sim. E recomenda-se!

Para começar, os números podem ser justificados pela ausência de uma carrinha, a verdadeira favorita do velho continente (e que em Portugal conta muito); depois pode ser também explicado pela vertente emocional de um Alfa Romeo, que é sempre mais escolhido de forma emocional do que racional.

Já no que toca aos motores, os de combustão “tradicionais” estão bem representados, com um 2.2 diesel disponível em três níveis de potência consoante as versões (160, 190 ou 210cv) e um propulsor a gasolina 2.0 (com 200 ou 280cv). O que não existe, por enquanto, são alternativas híbridas ou plug-in, que lentamente começam a ter algum impacto neste segmento. Sendo assim, a carreira até se pode considerar positiva.

Contudo, o Giulia tem as suas vantagens, e começamos, claro está, pelas emocionais.

Esteticamente falando, o Alfa Romeo Giulia consegue praticamente uma “nota 10”. A sua elegância italiana é evidente, com uma grande sensualidade nas linhas, conseguida pelas rodas colocadas bem nos cantos da carroçaria, as vias largas e o ‘scudetto’ que predomina a dianteira. Nesta unidade, as maxilas em vermelho faziam um contraste com a pintura prateada, e que se escondiam sob as jantes de 19’’ opcionais, e que mesmo não sendo um Veloce ou um Quadrifoglio, tornam automaticamente este modelo mais dinâmico na sua aparência. Ainda mais graças aos elementos que diferenciam este B-Tech, como é o caso da grelha dianteira, capa dos espelhos, frisos ou ponteiras de escape em preto brilhante.

O interior é também um local bem desenhado e agradável, onde se encontra facilmente uma das melhores posições de condução face aos seus rivais, assim como uma instrumentação tradicional (leia-se analógica) fácil de ler, num automóvel que não esquece os entusiastas.

Estão a entender o botão start colocado no volante?

Os materiais do interior não são a referência no segmento, ainda que apresentem superfícies suaves e moles na parte superior. Por outro lado, não estão mal montados, conseguindo uma aparência e solidez necessária, e que deverá passar bem o teste dos anos.

O resto do habitáculo é bem desenhado, os comandos são ergonómicos, com um ponto positivo a ir para os comandos físicos da climatização (continuem assim Alfa Romeo!) e o joystick central, que comanda o sistema multimédia, que é também ele alvo de críticas.

No meu ver, é suficiente. Obviamente estaria a mentir se revelasse que era uma referência, seja em software ou dimensão. Porém, graças ao sistema CarPlay (ou Android Auto) acabamos por tornar todos os sistemas multimédia iguais, e não senti falta de nada a bordo do Giulia neste campo. Sim, o ecrã também não é tátil, mas a “rodinha” central toma conta do assunto.

Os espaços de arrumação também são variados. À frente do comando da transmissão automática encontramos uma porta que esconde um duplo porta-copos, e atrás o apoio de braços com “esconderijo”. As bolsas das portas também são generosas (ainda que não sejam revestidas), assim como o porta-luvas refrigerado.

Passando para trás, o espaço acaba por estar em linha com o dos seus concorrentes, e tal como os que contam com tração traseira, o Giulia também recebe um generoso túnel central. Portanto, melhor para um total de 4 passageiros do que de 5. Cá atrás, encontramos ainda saídas de ventilação dedicadas, assim como o apoio de braços que inclui um porta-skis, que vem da bagageira com 000L de capacidade.

E se no contacto estático já o agradou, e se assim o fez até aqui, já venceu, porque é em andamento que o Alfa Romeo Giulia se revela!

O renovado motor diesel, a frio, não é dos mais silenciosos e suaves do mercado, é até algo ruidoso, porém, com o andamento isso desaparece e encontramos um motor possante e que demonstra na prática os seus 190cv e os 450Nm de binário máximo. A transmissão de 8 velocidades é a parceira ideal, e explora muito bem este motor (as patilhas fixas na coluna de direção são uma delícia de serem usadas), com rapidez e sem hesitação.

As recuperações são rápidas, e junto a uma disposição posterior e uma direção mais direta, tornam a condução muito ágil e “leve” num verdadeiro prazer. Um prazer daqueles italianos, irracionais e que mais uma vez puxam pelo emocional em vez do racional.

Embora aqui o racional não saia muito penalizado, e mesmo que os 5,0l ditos pela marca não sejam cumpridos, no final do ensaio são 6,4L os que ficaram marcados no computador de bordo.

Importante referir os três modos de condução D.N.A que conseguem (e bem) alterar o temperamento do Alfa Romeo. O Advanced Efficiency é o mais poupado; o Normal é o equilíbrio e o Dynamic fica reservado para quando queremos explorar tudo, tornando o pedal do acelerador mais reativo, a transmissão (ainda) mais rápida nas passagens, assim como um pedal de travão mais “rijo”.

E não tenham dúvidas, consegue entusiasmar, mesmo que não tenha os 510cv do “lunático” Quadrifoglio!

Também necessário mencionar o que este B-Tech tem de série, com um claro enfoque para a tecnologia como foi dito acima. Nomeadamente, sistema Apple CarPlay e Android Auto, sistema Alfa Connect, painel de controlo de 7’’, alerta colisão frontal, cruise-control adaptativo, assim como bancos em pele e tecido elétricos (condutor e passageiro).

No final de contas, esta versão B-Tech acaba por ser uma escolha válida em relação à Super, devido ao incremento de equipamento, face a um custo que aumenta cerca de 2.900€. Isto se o condutor não se importar com os detalhes em preto.

Quanto ao Giulia, continua a mostrar-se igual a si próprio e ainda bem que assim o é. Os seus pontos fortes são um motor diesel que é possante, e que ligado a esta transmissão de 8 velocidades consegue balancear entre esse dinamismo e poupança. O seu estilo é outro dos elementos que lhe dá pontos extra.

Se está válido? Continuo a achar que sim. Desde o início que soube que não ia ser um best-seller, até porque a Alfa Romeo nunca foi um top seller neste segmento, mas agora, talvez mais do que nunca, acho que o Giulia pode bater-se com os seus concorrentes de forma lógica, sem qualquer tipo de vergonha, até porque não tem razões para a ter.

Perde nuns pontos? Sim. Mas ganha em muitos outros, aqueles que não são visíveis, e isso é que é mais complicado de conseguir…. É à maneira Italiana!


Alfa Romeo Giulia 2.2 Turbodiesel 190 B-Tech RWD 8AT Q2

Especificações:
Potência – 190cv às 3500rpm
Binário – 450Nm às 1750rpm
Consumo Combinado Anunciado – 4,9L/100km
Consumo Combinado Medido – 6,2L/100km
Aceleração 0-100km/h (oficial): 7,1s
Velocidade máxima (oficial): 230km/h

Preços:
Alfa Romeo Giulia desde: 45.243€
Preço da versão ensaiada: 51.817€
Preço da versão ensaiada c/opcionais e campanha: 52.406€


Clica e vê este Giulia B-Tech em maior detalhe: 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!