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Alfa Romeo 4C Coupé

Alfa Romeo 4C Coupé
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“Tão belo como exigente” 

Nunca um automóvel despertou tanta emoção em mim, tanta dúvida ou encantamento. O Alfa Romeo 4C foi também o que, para mim, deu o “tiro de partida” para o ressurgimento da marca de Arese, já que há muito tempo que um automóvel da marca não despertava tanto interesse. Isto sem incluirmos o 8C, que foi um modelo super-limitado a 500 unidades, de seu nome “Otto Cilindri”, oito cilindros em Português, que se referia ao V8 4.7 aspirado, que na altura equipava também o Ferrari F430.

Portanto, o 4C é puramente Alfa, e sim, o seu nome vem de “quattro cilindri”, juntando o baixo peso a um motor 1.75 Turbo montado em posição central, dando potência a um eixo traseiro, o que o faz receber 60% do peso total. Ainda assim, os esforços para reduzir o peso chegaram a níveis drásticos, a “tub”, ou seja, a banheira em carbono onde assenta o chassis do 4C pesa apenas 65kg, tudo o resto é construído em SMC, um material que é 20% mais leve que o alumínio, mas que consegue ter uma rigidez comparável à do aço. A tudo isso, juntaram o pequeno motor, um 1.750 Turbo que também foi revisto para ser mais leve, que deixa a balança a marcar apenas 934kg.

Um valor mais impressionante quando juntamos o valor da potencia: 240cv, o que lhe dá um rácio de 259cv/tonelada, ou então apenas 3,89kg/cv.

Então mas começamos logo a falar de números, e não falamos do estilo do 4C?

É verdade, fizemos esse esforço, mas uma coisa é certa, mesmo que os números não ajudassem, o Alfa Romeo 4C continuaria sempre a ser um dos mais belos automóveis à venda atualmente. Muito inspirado no 33 Stradale dos anos 60, o 4C conta com dimensões muito curtas. Para se ter uma noção, o comprimento é de apenas 3.98m, enquanto a altura é de 1.11m. Por outro lado, a largura ascende a uns generosos 1.86m, muito graças à sua construção, encontrada em hipercarros. A dianteira não engana ninguém, é um Alfa, com o seu “scudetto” a estar bem perto do asfalto, ladeado por duas generosas entradas de ar, que o encaminham para o local certo, isto porque para além do peso, uma das grandes preocupações da marca foi conseguir um excelente dinamismo aerodinâmico, sem prejudicar a estética. Os resultados estão à vista: o carro é lindo, e o cx é de apenas 0.34, o que é muito bom para um automóvel que produz um efeito negativo.

Desenhado pela Alfa Romeo mas produzido pela Maserati, este modelo mostra toda a sua beleza na zona lateral, com a entrada de ar que refrigera o motor a fazer um interessante cruzamento de linhas, enquanto a janela lateral se esconde, vinda do vidro dianteiro curvo. A traseira tem, como todo o resto, algo de muito italiano, com o motor à vista através do vidro, ou os farolins redondos vindos do MiTo. O pára-choques tem uma função muito importante no direcionamento do fluxo de ar, sendo grande parte dele constituído por um generoso difusor, que alberga a dupla saída de escape, que se revelarão dois autênticos “megafones” assim que rodamos a chave.

Para isso, entramos para o “aconchegante” interior do 4C. Não há mordomias, ou seja, temos Ar Condicionado, bem como vidros elétricos e até cruise-control. Mas parou por aí, os revestimentos não são muitos, o carbono está à vista em muitos pontos e o tablier é simples, contando mesmo um rádio de 1 DIN. Isso incomoda? Absolutamente nada.

O Alfa Romeo mostra-se um automóvel de corrida para a estrada. A sua direção não é assistida, e o que mostra mais tecnologia aqui dentro é o painel de instrumentos, de leitura fácil e que muda de tom e de informação consoante o modo de condução. A transmissão é assegurada por uma dupla-embraiagem de seis velocidades, comandadas através de patilhas colocadas atrás do volante. Mini-Ferrari? Talvez.

Obviamente, rodando a chave e circulando os primeiros metros, a melhor palavra para descrever este exclusivo modelo é: sensorial. A sua direção não é assistida, o que é notório mal começamos as manobras de saída em direção à estrada. A boa notícia é que com o aumento de velocidade torna-se mais leve, e isso é uma mais-valia para aumentar a sensação “purista” que este 4C Coupé nos transmite. Esse purismo é também transmitido por um som de admissão e escape bastante audíveis, uma delícia para quem gosta de automóveis. A gerir os 240cv que são enviados para o eixo traseiro, a Alfa Romeo usou a transmissão TCT de dupla embraiagem, com seis relações, que podem assumir um funcionamento totalmente automático, ou sequencial, ou através de patilhas montadas atrás do volante (apenas poderiam ser maiores, e em metal).

Começando a condução, podemos escolher entre três modos do conhecido sistema DNA (Dinamic, Natural, All-Weather), que conta exclusivamente com um modo Race, que não é aconselhado para a via pública, já que desliga o sistema de tração e torna o 4C numa máquina ainda mais exigente do que já é.

Exigente? Muito! O Alfa Romeo 4C é um automóvel que não permite erros, e a sua direção é super direta, o que tem o bom de ser mais comunicativa, mas que conta com a particularidade de seguir as rodeiras ou depressões do asfalto. Portanto, as duas mãos são obrigatórias no volante, para evitar surpresas. Este não é um automóvel de passeio, é um automóvel para dominar e estar sempre “em cima do assunto”. A potência é visceral, e carregando bem a fundo no nível de condução mais desportivo, notamos bem a recordista relação peso/potência, com um ligeiro “escorregar” de traseira até encontrar tração, o que antecede a uma “catapulta” que nos leva para uma aceleração contínua e rápida, graças ao binário máximo que se prolonga entre os 2100 e as 4000rpm, também brusca e a roçar o “sem maneiras”. Sim, o 4C é um carro sem filtros, onde não houve preocupações com ruído, ou conforto. Aqui, o que mais importa são as sensações.

Puxando o 4C perto do limite, encontramos uma aceleração dos 0-100 em 4,5s, ou 4,2s se usarmos o modo Race, o que para encontrar números idênticos temos de somar mais milhares de euros no preço final. Quanto a mais números, a marca anuncia uma velocidade máxima que ascende aos 258km/h, e acelerações laterais que ultrapassam 1G.

Voltando a elementos mais “palpáveis”, falamos das ligações ao solo, e aí, o 4C impressiona, absorvendo bem as irregularidades. Obviamente não se espera uma viagem confortável, mas para quem quer “pilotar”, tem aqui um parceiro ideal, informando bem do que se passa, e não deixando haver muitas margens para perdas de tração. A travagem é fácil de tolerar, mas poderosa quando pedimos o máximo dela, a conseguir “magoar” com um pontapé que nos faz parar em apenas 35m, se circularmos a 100km/h.  O diferencial opta por tornar o 4C mais eficaz do que divertido, ou seja, se quer andar a “perder traseira”, esta não é a escolha certa, já que a afinação está bem mais para ser eficaz em pista, sendo neutro.

Em resumo, o que achámos do 4C?

Achámos que é um supercarro que foi à “máquina de lavar”, um verdadeiro “hino” para quem ama automóveis, uma dose de loucura, numa altura em que temos de ser cada vez mais “certinhos”. Gostámos do som, dos pormenores até onde foi levada a redução de peso (até os vidros são mais finos) e até gostámos do interior, simples, espartano, mas que faz lembrar um automóvel de corridas. As prestações são fortíssimas, a direção requer hábito, mas depois disso, conseguimos conectar-nos e estar em harmonia. O preço, 72 mil euros, é justo tendo em conta a história, a manufactura limitada e os materiais usados. Para quem procura algo mais eficaz, confortável e cheio de gadgets, há outras opções. Mas o 4C é daqueles automóveis que podem ser postos na sala de estar, e sabe bem ficar a olhar para ele, tanto como levá-lo ao limite em pista!

Queres conhecer o ‘Big Boy’ da marca?
Então não deixes de ler o ensaio ao Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio com os seus 510cv de potência!

Alfa Romeo 4C 1.750 240cv TCT Coupé

Especificações:
Potência – 241cv às 6000rpm
Binário – 350Nm às 2200 ~ 4250rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 4,5s
Velocidade Máxima (oficial): 258km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 6,8l/100km (8,0l/100km)

Preços:
Alfa Romeo 4C desde: 72.850€
Preço da unidade ensaiada: 80.150€

Carrega nas fotos e vê este Alfa Romeo 4C em detalhe:

Fotos: Rodrigo Inocêncio

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!